Numero 341

 

 

 

 

Image 

 

 Na undecima hora, troquei um dos artigos selecionados para este boletim, pois me chegaram dois que considerei muito significativos. Um deles é até muito extenso, mas a extensão é proporcional à sua importância para conhecermos certas facetas do Oriente Medio.

O outro diz respeito a nuestra America.

ARTIGOS COMPLETOS

 

 

 

O sujo quintal dos Estados Unidos

 

Texto escrito por José de Souza Castro, no Blog da Kikacastro.

 

Os Estados Unidos não cuidaram bem de seu quintal, como mostra o relatório “Estado das Cidades da América Latina e Caribe-2012”, divulgado ontem (21 de agosto) pelo programa ONU-Habitat. A região tem pouco do que se orgulhar perante o mundo. Senão vejamos:

 

• É a mais desigual do mundo: 20% da população mais rica possui renda per capita 20 vezes superior à renda dos 20% mais pobres. A renda per capita média é de US$ 4.823. A média mundial chega a US$ 5.868.

 

• A maior economia da região, o Brasil, só tem pior distribuição de renda do que Guatemala, Honduras e Colômbia. A melhor distribuição é a da Venezuela de Hugo Chaves, que tem índice Gini de 0,41, contra 0,38 dos Estados Unidos. Quanto menor o índice, melhor. O do Brasil é superior a 0,56, bem ruinzinho. Mas avançou em relação a 1990, quando era o campeão da iniquidade na América Latina.

 

• Metade da população da região, ou 222 milhões de pessoas, vive em cidades com menos de 500 mil habitantes. E 14% (65 milhões) moram nas 55 cidades com mais de 5 milhões. O déficit habitacional está entre 42 milhões e 51 milhões de residências. E apenas 20,6% dos habitantes estão em áreas rurais nas Américas do Sul e Central e no Caribe.

 

• A população dessas regiões cresceu oito vezes desde o começo do século passado, saltando de 60 milhões para 588 milhões de habitantes em 2010, ou 8,5% da população mundial. Nas últimas décadas caiu a natalidade, para uma taxa anual de 1,15% ao ano, com tendência de baixa para 1% até 2030. O número de filhos por mulher, que era em média de 5,8 em 1950, caiu para 2,09 em 2010. A população em idade ativa (15 a 64 anos) representa 65% do total, o que é bom para os aposentados – eles só têm a temer, por enquanto, da corrupção no sistema previdenciário.

 

• A mancha urbana continua se expandindo, apesar da desaceleração do aumento da população. As cidades ocupam cada vez mais território, um padrão de crescimento horizontal “que não é sustentável”.

 

• Quase metade da população (42% dos habitantes) vive a uma distância máxima de 100 quilômetros da costa, embora essa zona litorânea corresponda a apenas 20% do território da América Latina e Caribe. Há, portanto, diz o relatório, uma oportunidade para desenvolver o interior – e a floresta amazônica que se cuide.

 

• Mais de 30 milhões de pessoas (5,2% da população) vivem no estrangeiro, tendo emigrado para Estados Unidos, Espanha e Canadá, principalmente. O maior número de expatriados é de brasileiros, embora proporcionalmente apenas 0,4% da população viva no exterior.

 

• O peso da América Latina na economia global avançou pouco, de 6,5% do PIB mundial em 1970, para 7% agora. O Brasil tem 32% do PIB da região, o que é proporcional ao seu peso demográfico. Em relação a 1970, seu PIB aumentou oito pontos percentuais. A Argentina foi a que mais perdeu.

 

• As 40 maiores cidades da região produzem um PIB anual de US$ 842 bilhões, mas há uma tendência de desconcentração da geração de riqueza para cidades menores.

 

• O menor crescimento da produtividade é a principal razão para o crescimento menor do PIB da região, comparativamente ao de outras regiões e países emergentes. Em 20 anos, a produtividade na América Latina cresceu 1,4% ao ano, em média, contra 8,4% na China e 4,7% na Índia.

 

• As mulheres nunca trabalharam tanto na região: cresceu em sete pontos percentuais sua participação na força de trabalho, entre 1990 e 2009, chegando a 43%.

 

• No quintal dos Estados Unidos, 180 milhões de pessoas (ou 33% do total dos habitantes) viviam em 2009 em condições de pobreza. Já foi pior: em 1990, eram 48%. Mas existem ainda 71 milhões de indigentes.

 

• América Latina e Caribe são a região com a maior taxa de homicídios do mundo: mais de 20 por grupo de 100 mil habitantes, contra 7 na média global. Resultado de “baixo desenvolvimento humano e econômico e grandes disparidades de renda”, conforme a ONU.

 

 

 

Mapa Político do Oriente Médio

 

Por Makram Khoury-Machool, No “Gilad Atzmon Blog”

 

Publicado no Democracia e Política

 

Dr. Makram Khoury-Machool é palestino. Escreve de Cambridge, UK

 

“O comportamento do bloco da OTAN, antisírio, é hoje suficientemente claro, para que se entenda o que está acontecendo na Síria. De um lado, há operadores políticos, como o grupo ad-hoc “Amigos da Síria”; de outro lado, duas personalidades, ambos ministros de dois emirados do Golfo.

 

No primeiro grupo, estão os chefes de Estado comandados pela OTAN, que operam sob um mal disfarçado plano concebido por Israel e seus ‘’cérebros’’, a maioria dos quais do quilate de Bernard-Henri Lévy. Mais do que ‘’amigos da Síria’’, essas personalidades trabalham a favor de seus próprios interesses financeiros “na, em torno da e mediante a” Síria. Os dois políticos árabes são os dois ministros de Relações Exteriores, da Arábia Saudita e do Qatar. Ambos declararam que as forças que lutam contra o estado sírio deveriam ser armadas e receber apoio financeiro. Em resumo, as reuniões dos chamados “Amigos da Síria” não passam de visão “moderna” das reuniões promovidas e presididas pelo vice-rei Lord Curzon, que, em 1903, falou aos “Chefes da Costa Árabe”, a bordo do “HMS Argonaut” em Sharjah (Emirados Árabes Unidos).

Image 

 

 

Os qataris e sauditas dão apoio financeiro aos “rebeldes” para comprar armas, pagar combatentes, mercenários e supervisão logística dos ataques contra a Síria. Isso, além do apoio para serviços de telecomunicações, táticas de combate e aconselhamento estratégico militar. Não surpreendentemente, os conselheiros militares ocidentais, que trabalham clandestinamente para os grupos armados, jamais aparecem nos jornais e televisões. Estados vizinhos também provêm assistência local aos grupos armados: a Jordânia garante direitos de passagem a mercenários que vêm da Líbia; e a Turquia age como base, ao norte, de operações militares.

 

A Turquia está envolvida, porque deseja alinhar-se com os sunitas sauditas, a linha apoiada pela OTAN, e também porque teme que o desmembramento da Síria leve à autonomia dos curdos. Aos olhos da Turquia, a crise síria pode levar a uma eventual união dos curdos turcos com curdos iraquianos e sírios, o que rapidamente levaria a guerra civil na Turquia e a uma eventual emancipação do Curdistão turco, com criação de um estado curdo.

 

Por seu lado, Israel planeja há anos, como parte de sua estratégia para dominar o Oriente Médio e o Mediterrâneo, enfraquecer a Síria, para prosseguir a ocupação das colinas sírias do Golan, e dominar as fontes de água ali existentes. Essencialmente, Israel quer ser a principal potência econômica e militar na região – e, pelo menos no curto prazo, é possível, sim, que Israel surja da atual crise, depois de destruída a Síria, como principal potência regional.

 

Mediante campanha de propaganda incansável, ao longo de décadas, Israel construiu para a opinião pública a ideia de que a Síria seria a principal ameaça à existência do estado judeu, no mundo árabe. O vácuo de governo que se pode criar na Síria pode, muito provavelmente, ser preenchido pela al-Qaeda e grupos assemelhados, o que daria suficiente justificativa para as ações bélicas dos israelenses, além de ajudar a promover a ideia de uma Israel ‘civilizada e democrática’ em luta contra islamistas ‘selvagens’.

 

Apesar das imensas diferenças entre Síria e Líbia, o destino da Síria pode ser semelhante ao da Líbia, em termos de intervenção externa direta, não fossem Rússia e China, que se opuseram firmemente contra tais ações na ONU, onde tem havido cooperação consistente entre os dois países. Apesar de as relações sino-soviéticas terem raízes nos primeiros dias da Revolução Comunista de 1917, parece que, mesmo duas décadas depois do desmonte do Bloco Oriental, a Federação Russa e a República da China seguem, mais do que nunca, o que Mao Tse-tung aconselhou em seu discurso “Ser um Verdadeiro Revolucionário”, de 23/6/1950: “na esfera internacional temos de nos unir firmemente com a União Soviética” (ver Selected Works of Mao Tsetung, vol. V, p. 39, em inglês) . Ideias, visão de mundo, interesses econômicos e objetivos no campo da energia novamente aproximaram Rússia e China, mais do que nunca antes, no caso do conflito na Síria.

 

No primeiro lugar da produção mundial de petróleo está a Arábia Saudita, Rússia em segundo, EUA em terceiro, Irã em quarto e China em quinto. Em termos de reservas, os dez principais estados são:

 

1) Venezuela, 2) Arábia Saudita, 3) Canadá, 4) Irã, 5) Iraque,6) Kuwait,  7) Emirados Árabes Unidos, 8) Rússia, 9) Cazaquistão e  10) Líbia.

 

A Rússia é o maior produtor de gás do mundo, e a Europa depende dessa fonte de gás. Na produção mundial de gás, se, por causa da distância geográfica, excluem-se EUA e Canadá, o Irã aparece em segundo lugar e o Qatar em terceiro. Em termos de reservas de gás, a Rússia é número um, com Irã e Qatar em quarto lugar e a Arábia Saudita em sexto. Com a vizinha Arábia Saudita como um dos dez principais produtores de gás do mundo, é evidente que os interesses de exportação do Qatar e da Arábia Saudita são especialmente importantes; esse ranking ajuda a entender as alianças que se formaram à luz do conflito sírio.

 

Arábia Saudita e Qatar (que noutras circunstâncias poderiam ser estado único e ainda podem passar por reorganização geográfica) são, ambos, árabes muçulmanos sunitas e ambos têm interesses econômicos em jogo. A ansiosa busca, pelo Qatar, de contratos de marketing para o gás e o petróleo líbios explica o acordo com a OTAN para atacar a Líbia; sua participação simbólica nos ataques aéreos; e o apoio aos rebeldes para que construíssem capacidade de ação comunicacional midiática.

 

O objetivo do Qatar é exportar seu gás para a Europa, competir com os russos e ganhar importante capacidade de barganha política. Para que a exportação do gás qatari para a Europa seja viável e competitiva, é indispensável construir um gasoduto que atravesse território sírio. Sendo a Rússia tradicional aliada da Síria, e considerados os muitos negócios anteriores, que datam dos anos da URSS, dificilmente a Síria admitiria qualquer tipo de acerto que desestabilizasse os interesses da Rússia na sua última fortaleza estratégica dentro do mundo árabe. Essa é a principal razão pela qual o Qatar e a Arábia Saudita apoiam a luta dos grupos que querem derrubar o atual governo sírio.

 

A Síria está-se convertendo, muito rapidamente, numa caixa de Pandora, da qual começam a reemergir todas as crises históricas dos últimos 120 anos. Começam com a guerra russo-turca em 1877-8; a guerra russo-japonesa em 1904, as duas guerras mundiais e a Guerra Fria. Normalmente, a emergência de uma superpotência demora 2, 3 décadas. Os EUA precisaram de 25 anos para emergir como superpotência, de 1890 até o final da Iª Guerra Mundial. Depois da morte de Lênin, em 1924, a URSS era a parte mais doente do ‘’corpo’’ europeu. Em 1945, depois da IIª Guerra Mundial, e sob o governo de Stálin, emergiu como superpotência. Depois de Gorbachev, a Rússia deixou de ser superpotência e, aparentemente, acabou a Guerra Fria. Em apenas duas décadas, Putin pôs fim ao sistema unipolar e, hoje, está emergindo um novo mundo bipolar – como se a Guerra Fria não tivesse acabado.

 

Exame detido do sistema político sírio revela que o presidente Bashar al-Assad é, de fato, um reformista. Mas na Síria, como em qualquer outro estado, há facções em luta pelo poder, e os processos de socialização demorarão para mostrar qualquer resultado. De fato, como disse o presidente Assad, demora apenas alguns minutos para assinar leis novas, mas é preciso muito mais tempo para educar a população para que absorva e participe na implantação dos novos valores que se consagram em novas leis. O movimento das elites ocidentais, que agem como se novas leis brotassem em árvores e fossem correspondentemente colhidas e engolidas é desserviço à democracia e ato absolutamente imoral.

 

A Síria foi o último estado árabe secular socialmente coeso, baseado de cima abaixo em ideologia secular. Apesar dos vizinhos altamente voláteis, em termos geopolíticos (Líbano, Turquia, Israel, Jordânia e Iraque), os cidadãos sírios viveram em segurança sob esse secularismo árabe. A Síria é locus de um específico tipo de pluralismo e multiculturalismo, impregnado de tolerância religiosa e existência pluralista. É o que se vê na convivência de igreja, mesquita, bar em todas as calçadas e no movimento, pelas ruas, de mulheres veladas e sem véu.

 

De fato, o processo de reforma iniciado na Síria é mais avançado que o de qualquer outro estado árabe. Inclui o fim das leis de emergência, a implantação de leis partidárias, eleitorais, de imprensa, e a aprovação de uma nova constituição que incluiu o fim da liderança eterna do Partido al-Ba’ath. Essas reformas são parte de genuíno processo político que exigirá tempo. Mas esse é o processo contra o qual lutam hoje, para miná-lo e destruí-lo, tantas forças, entre as quais governos ocidentais tidos como progressistas, que hoje se erguem contra o estado sírio. Nas últimas décadas e, sobretudo, depois do 11/9, o ocidente só fez divulgar a noção de que terroristas islamistas ameaçariam todas as formas de vida secular. Contudo, os sunitas, tecnicamente a maioria religiosa na Síria, inclui vários segmentos e não são menos seculares que qualquer sociedade ocidental.

 

Assim, apesar de os sírios terem pleno direito de defender o secularismo à sua moda, o objetivo do ocidente é desmantelar o estado sírio, modificar a estrutura de poder que há ali e criar novas entidades demogeográficas, como uma confederação de curdos sírios e iraquianos, que é, hoje, o maior dos pesadelos para a Turquia. Áreas específicas também podem ser despovoadas, a serem usadas, como foi feito com os drusos, para repovoar a Síria com cristãos sírios e, talvez, cristão vindos do Líbano. Outros cristãos deixariam o Levante. E os alawitas teriam, talvez, estado à parte, unido, quem sabe, ao Irã.

 

O plano é destruir o moderno estado árabe da Síria que emergiu depois da Iª Guerra Mundial e nos anos 1940, e, onde seja possível, estabelecer novos estados religiosos (semelhantes ao estado judeu de Israel). Desse modo, o poder árabe e, com ele, a ideologia panarabista de Michel Aflaq e Antun Sa’ade (ambos cristãos árabes) e de Nasser do Egito, desapareceria.

 

Esse processo começou quando, em 1978-9, sob Sadat, o Egito assinou tratado de paz com Israel; em seguida, vieram a destruição do Líbano, em 1982, a Segunda Intifada em 1987 e a tomada econômica do Iraque em 2003. Em seguida, a Líbia foi destruída, com o confisco de seu petróleo e gás, em 2011. Agora, para manter a hegemonia de “US-Rael” (US-Israel), o ocidente tem de dispor os estados árabes em grupos separados por linhas sectárias (sunitas versus xiitas), em vez de unidos por critérios do panarabismo. Esse processo, de fato, foi turbinado depois da ocupação do Iraque e a derrubada do partido Ba’ath.

 

Na prática, o que está hoje acontecendo no mundo árabe é uma “correção” do “acordo Sykes-Picot” de 1916, quando os principais poderes coloniais, Grã-Bretanha e França, definiram as fronteiras dos atuais estados árabes e lá implantaram seus próprios agentes árabes. Esse processo inclui planos neocolonialistas para constituir dois ou mais partidos árabes que combatam o regime sírio e mantê-los lutando até que o estado sírio esteja desmembrado e fraturado em 2, 3 outros estados, separados entre eles por linhas sectárias. Assim, as elites neocoloniais poderão continuar a saquear as riquezas locais, porque, bem feitas as contas, a mentalidade imperial não mudou, nem muda.

 

Dado que as potências ocidentais não podem alcançar seus objetivos por seus próprios meios, precisam de agentes como o Qatar na Líbia, e Arábia Saudita, Qatar e outros na Síria. Esses agentes, preferencialmente monarquias antidemocráticas árabes muçulmanas sunitas, usaram o Islã sunita para promover o fanatismo contra outros árabes, muçulmanos e não muçulmanos (dentre outros, cristãos árabes, xiitas e drusos). Esses árabes, com acesso à elite (econômica) global (por exemplo, a família real saudita e os qataris, com elites americanas e europeias) são as elites governantes no Golfo Árabe, ou “proteges” daquelas elites. São quem está obrando para semear diferenças entre as várias seitas e amplificar e explorar “a carta sunita” no confronto com a Turquia não árabe muçulmana e sunita, contra a Síria. Não seria surpresa se estivessem em conluio com as potências ocidentais, também fantoches de Israel. Sem isso, seria difícil explicar por que o regime mais autoritário do planeta, a Arábia Saudita, age contra a Síria e finge que dá lições de democracia, tema sobre o qual os sauditas não sabem nem se interessam por saber coisa alguma.

 

As campanhas de propaganda orientalista, negativa, conduzidas contra a Síria ao longo do ano passado, com apoio financeiro de alguns dos países do Golfo intencionalmente encobriram vários traços da Síria, dentre os quais o secularismo – ponto para o qual as sociedades ocidentais facilmente convergiriam, em movimento de identificação com os sírios. A importância da ideologia do Partido Ba’ath, principal partido secular sírio, que assegura direitos individuais, foi atentamente ocultada. Isso, por exemplo, além do fato de Daoud Rajhah, Ministro sírio da Defesa que foi assassinado, ser cristão; como cristão também era o Dr. Nabil Zughaib, também assassinado, com toda a sua família, e diretor do programa sírio de mísseis.

 

Os exemplos acima, de eliminação deliberada de fatos dever-se-iam, como se diz, à aliança entre Síria e Rússia, que configuraria o campo ‘errado’. Há firmes relações diplomáticas entre Síria e Rússia há, no mínimo, 50 anos. Além disso, a Síria é o “baixo ventre macio” (alawita/xiita-secular) entre o Irã (xiita refusnik anti-OTAN) e o Hezbollah xiita no Líbano. Apesar de, aos olhos de curto prazo de Israel, a principal oposição à sua plena dominação ser o Irã (além do Hezbollah, da Síria e, antes, do Hamás), o alvo, hoje, é a Síria. Como tal, a Síria está sendo castigada, antes que seu corpo metafórico seja esquartejado.

 

Mas qual a importância do Hamás nisso tudo? Até ser eleito em eleições limpas, livres e democráticas em 2006 (quase dois anos depois do assassinato de Yasser Arafat), e depois de, um ano depois, ter tentado um golpe contra a Autoridade Palestina controlada pelo Fatah na Faixa de Gaza, o Hamás era grupo de resistência apoiado pelo Irã, por Damasco e pelo Hezbollah. Se o Irã é a ‘cabeça’ metafórica e o Hezbollah e o Hamás são as duas pernas, a Síria tem sido o “estômago” ou o “coração” e “pulmões” da resistência. Mas desde que o Hamás passou a governar a faixa de Gaza, em larga medida deixou de ser movimento de resistência e institucionalizou-se. Nisso, Israel (e Sharon, em especial) conseguiu uma vitória tática. Israel retirou-se “oficialmente” da Faixa de Gaza, embora sem levantar o sítio e sem pôr fim aos ataques contra a Faixa; e entregou a chave da prisão aos prisioneiros (Hamás), para que eles mesmos comandassem a maior prisão a céu aberto, de todo o mundo. Tudo isso foi feito sem que o Hamás sequer se desse conta do que estava acontecendo.

 

No primeiro semestre de 2012, os líderes do Hamás deixaram Damasco, onde haviam mantido seu quartel-general e, hoje, mantêm posição discreta, sem terem divulgado apoio ao governo sírio – governo que os apoiou por mais de 20 anos. Com a vitória da Fraternidade Muçulmana na Tunísia e no Egito, o Hamás hoje procura patrocinadores mais poderosos e em países nos quais possam operar em posição de mais poder. Os líderes do Hamás (ambos, na Diáspora e na Faixa de Gaza) foram convidados pelo recém-eleito novo presidente do Egito, para unir-se à Fraternidade Muçulmana (organização mãe deles todos) como iguais. O que até ontem parecia ser movimento da resistência (embora, para vários analistas, o Hamás jamais tenha sido partido revolucionário como outras facções palestinas como o PFLP, o DFLP e outros), está hoje incorporado ao tecido de uma aliança muçulmana sunita, que já começou a agir sob as asas da OTAN.

 

Orientalistas ocidentais gostam de imaginar o que teria de ocorrer, para atender seus interesses no Oriente. Para começar, batizaram o mundo árabe de “Oriente Médio”, como se fosse um marcador geográfico localizado em relação, exclusivamente, ao próprio ocidente. Para por ordem no assalto planejado, criam termos e expressões para justificar suas operações militares, clandestinas ou declaradas. Mas seus serviços de segurança/inteligência jamais acertam as previsões sobre desenvolvimentos no mundo árabe: não previram a Intifada de 1987 nem o golpe do Hamás em 2007. Ainda assim, as elites ocidentais, superficiais e ignorantes, jamais desistem de inventar nomes e processos: o mais recente, dizem eles, teria começado na Tunísia e foi batizado de “Primavera Árabe”.

 

O que está acontecendo em alguns países árabes e no mundo árabe nada tem de “primavera”: é movimento reacionário que rapidamente retrocederá, como os EUA viram acontecer no Afeganistão, onde os EUA inventaram e sustentaram os mesmos jihadistas que, adiante, os EUA puseram-se a combater. EUA e Israel têm tentado construir acertos e negócios com os islamistas que estão no poder, com o objetivo de conseguirem controlar as massas e os movimentos sociais. De fato, não é a primeira vez que estrategistas políticos tentam usar a religião para evitar o caos e defender seus interesses econômicos. O que se vê hoje é semelhante ao processo que Maquiavel comenta (baseado no relato do historiador romano Tito Lívio Patavino, 59 aC-17 dC); o capítulo de Maquiavel leva o título de “Como os romanos usaram a religião para reorganizar a cidade e conseguir levar adiante o plano de pôr fim aos tumultos”.

 

As campanhas ocidentais de propaganda contra a Síria buscam convencer o público a mais temer a religião que obedecer aos atuais governantes árabes. Eis o porquê de continuarem censurados os protestos em três reinos árabes (Arábia Saudita, Marrocos e Jordânia). O mundo absolutamente não está vendo coisa alguma que se compare (por causa de censura, vigilância e indiferença da mídia ocidental) aos protestos que se viram nas repúblicas árabes. Uma das razões é que ninguém ali tem qualquer interesse em promover campanhas de propaganda, que custam caro. A única exceção talvez seja o Bahrain, e a possível influência do Irã. Mas não há qualquer garantia de que alguma campanha contra-hegemônica pudesse ter qualquer sucesso naquelas monarquias árabes.

 

Depois de derrotar o clã rival al-Rashid em 1921, a família al-Saud governa atualmente em quase toda a Península Arábica histórica. Sua proeminência regional deve-se, também, ao controle sobre os locais sagrados de Meca e Medina, e a aliança que os sauditas mantêm com os wahabistas, que usam tanto quanto usam o petróleo e os recursos minerais deles. Esses recursos subsidiam a indústria cultural (e midiática) correspondente. Ainda assim, fatores religiosos e econômicos são evidentemente complexos e envolvem vasta rede social. Essa combinação manifesta-se no que chamo “a ética saudita do cacife [do ganho] espiritual” – mais ou menos semelhante à tese de Weber sobre a “ética protestante” que serviu como anteparo à acumulação da riqueza no norte da Europa.

 

Mediante a acumulação de capital nos estados do Golfo nos anos 1970 (controlada por interesses anglo-americanos mediante tratados que levaram grande número de árabes a se tornarem ou economicamente dependentes (nos empregos no Golfo) ou espiritualmente dependentes mediante o cerrado controle sobre a mídia árabe), o boom do petróleo criou nova estratificação no mundo árabe. Resultado disso, algumas sociedades árabes tornaram-se dependentes, e aceitaram a autoridade da família saudita reinante e seus clãs. Essas elites são parte das elites econômicas governantes proprietárias de alguns dos mais valiosos projetos de energia, das maiores fortunas e de vasto patrimônio no ocidente (equipes de futebol, as lojas Harrods, mansões nos Champs Élysées e sociedade nas empresas de Rupert Murdoch, para citar apenas alguns desses bens).

 

A recente descoberta de que árabes desejam liberdade tem sido promovida, principalmente, por algumas instituições de mídia árabes e ocidental que são, elas mesmas, extensão de políticos que têm objetivo econômicos, estratégias e táticas próprias. As campanhas pela mídia conduzidas por capitalistas neoconservadores sionistas como Bernard-Henri Lévy, que trabalha agressivamente a favor de Israel e que tem forte afinidade com o judaísmo fundamentalista visam exclusivamente a separar os árabes de seus recursos e riquezas, ao mesmo tempo em que ativamente lhes mentem e os enganam.

 

Isso se faz mediante a dupla estratégia de produzir narrativas separadas para segmentos separados da população. Para os religiosos, a corrupção é associada à falta de fé; e, para a totalidade da nação árabe, vendem o atrativo sonho de liberdade, justiça e direitos.

 

Naturalmente, cada indivíduo interpretará as narrativas conforme a própria formação, experiência de socialização, nível de politização, normas e valores. Assim, quando todos se encontram “na praça”, os islâmicos lá estão convencidos de que só os livros islâmicos são a solução; os liberais recordarão Jean-Jacques Rousseau, a “separação dos poderes” de Montesquieu e a Revolução Francesa; os marxistas pensarão na Revolução Bolchevique de 1917 e na luta de classes; e os maoístas pensarão na Revolução Cultural de Mao Tse-Tung ou no Nasserismo (afinal, quando um grupo de oficiais do exército egípcio liderou o golpe e a revolução, em 1952, Mao Tse-Tung declarou que “a luta contra a corrupção e o desperdício é uma das questões principais que envolve todo o partido” (30/11/1951); o que se encaixa bem na missão de combater regimes árabes corruptos). Simultaneamente, os que sonham com Castro e Che Guevara correrão às “barricadas” nas praças, em disputa contra as forças de segurança do Estado.

 

Na realidade, esses valores pouco significam no mundo árabe. E os liberais e sionistas sabem disso. A realidade é que, por causa do forte controle social; pelo modo como as sociedades árabes organizaram-se no século passado (incluindo o impacto da herança colonial); e por causa da riqueza do petróleo de que usufrui o Islã waabita (e salafistas modernos), exceto a facção islâmica, as outras ideologias pouco progresso farão, mas, simplesmente, garantirão a vitória dos movimentos religiosos.

 

É verdade, o mundo árabe é heterogêneo, mas pouco heterogêneo. A religião prevaleceu em estados como a Jordânia onde, durante décadas, os islamistas controlaram a maior parte dos currículos escolares. Assim, em cada estado árabe onde houve levantes – e especialmente no Egito – há furiosa disputa de poder com vistas à Constituição. A Fraternidade Muçulmana e os salafistas alcançaram maioria de votos nas eleições parlamentares, e o primeiro presidente democraticamente eleito, Muhammad Mursi (eleito por apenas ¼ da população), é membro da Fraternidade Muçulmana. Os grandes poderes trabalham hoje a favor da promulgação de uma constituição baseada numa importante interpretação das leis da Xaria. Em seu Morfologia do Estado, Aristóteles sugere que é preciso “considerar não só qual a melhor constituição, mas, também, qual a mais executável e mais acessível em cada momento” (p. 103). Aos olhos dos fundamentalistas religiosos, podem bem ser as leis da Xaria, como uma solução para as elites dominantes ocidentais, está em vigor.

 

Dado que garantem seus interesses econômicos mediante instituições de mídia controladas pela elite religiosa, eles, por sua vez, beneficiam-se também dos próprios centros de poder social, econômico e político; e, dos círculos/classes das elites religiosas emergirá um novo nicho de comerciantes e empresários. Grupos religiosos também ampliarão a própria participação econômica, além da participação política. Dado que isso beneficiará sua jihad política, muitos verão tudo isso como halal, dentro ou fora do contexto do banking islâmico. A divisão social contudo permanecerá ou será ampliada; e a única diferença é que os nomes terão mudado. Em vez de um “mubarak”, haverá outro (mas, dessa vez, será alguém com barba) e essas aparentes “mudanças” servirão, exclusivamente, para manter inalterado o controle político.

 

As populações afetadas são as definidas como “minorias” – principalmente árabes cristãos (cerca de 30 milhões no mundo árabe), muçulmanos seculares (sunitas e xiitas) e outros. No Egito, Mohammad Zawahiri (irmão de Ayman Zawahiri, líder da al-Qaeda) já declarou que os cristãos egípcios devem pagar um imposto (devido pelos infiéis, Dhimmi), ou deixar o Egito. E caso se recusem, sugeriu que sejam coagidos.

 

Exemplo de como se pode mobilizar a população mediante a religião, servindo-se da mídia é o que faz o próprio monarca saudita. Durante o mês de Ramadan 2012, Abdallah da Arábia Saudita e seu herdeiro lançaram campanha de arrecadação de fundos, supostamente para ajudar o povo sírio – ou, pelo menos, era o que dizia o slogan. A campanha baseava-se em normas morais e no senso de comunidade e união islâmicas, as mesmas que são enfatizadas durante o mês santificado do Ramadan. Ao mesmo tempo em que vendem ao povo mensagens de compaixão e união comunitária, essas campanhas são usadas para objetivos políticos locais e regionais. É impossível imaginar, por exemplo, a Síria, lançando campanha pela liberação das mulheres sauditas ou a favor do direito de as sauditas dirigirem automóveis.

 

Liberais com ideias à Goebbels que se alinham com esses chefes de emirado têm tentado, até o presente, enganar a opinião pública árabe e construir um consenso de oposição ao governo sírio, para, assim, fugirem das refregas e do calor de suas próprias “ruas” e “praças”. Ao mesmo tempo em que aderem às normas e crenças mais arcaicas sobre liberdade e democracia, instigam o golpe contra a Síria, com discurso sobre liberdades para as mulheres, direitos religiosos das minorias, oportunidades e direitos iguais para todos etc., em tudo semelhante ao que se vê em países ocidentais liberais. Mais ou menos como regimes árabes gostariam de organizar a opinião pública em apoio aos palestinos, os regimes do Golfo estão usando o falso argumento de que são contra a opressão dos sírios…, mas os próprios governos manobram as próprias “ruas” contra a Síria. E, isso, apesar do fato de que esses próprios governos e governantes estão atrasados anos-luz, em relação à Síria, em termos de liberdades e democracia.

 

Os governos do ocidente não são aliados das democracias liberais no Terceiro Mundo. Eles, inevitavelmente, fazem negócios com governos que exibem os piores indicadores de direitos humanos, sempre que vejam possibilidade de ganhos. Exatamente como, em julho de 2008, quando Nicolas Sarkozy e o emir do Qatar, hoje arqui-inimigo da Síria, constituíram, com o governo sírio, a “União do Mediterrâneo”, alguns governos europeus creem que possam auferir benefícios da crise no mundo árabe. Mais ainda, quando têm o apoio dos ricos estados do Golfo e creem que eles possam, de algum modo, reduzir as dificuldades das crises econômicas que o ocidente esteja enfrentando.

 

Em algumas áreas da Síria, as condições de segurança pessoal pioraram depois de março de 2011 e o governo central nem sempre deu mostras de exemplar conduta moral. Mas, como parte de campanha política estratégica, a mídia tem intencionalmente mentido sobre a situação na Síria. Insistem em implantar medo crescente no público sírio e manifestam exagerada preocupação com o número de mortos e feridos. Assim, constroem uma narrativa que justifica e facilita que se ofereça ajuda sempre crescente às gangues armadas de separatistas, terroristas e mercenários. A mesma mídia também pinta o governo sírio como se fosse o único responsável pela violência quando, de fato, os verdadeiros responsáveis são os que recrutam, pagam e armam grupos de indivíduos desempregados, famintos ou de mercenários manobráveis em busca de dinheiro fácil.

 

Há dois principais culpados pelos muitos mortos: a mentira e o silenciamento absoluto de qualquer voz de oposição. Com seus aliados árabes, a OTAN desconectou o satélite de comunicação que alimentava o canal de televisão sírio al-Dunia, de televisão por satélite. Outros atos de terrorismo “comunicacional” incluem, que se saiba, o sequestro, pela CIA, da conta Twitter da mesma rede al-Dunia – que passou a ser usada para distribuir notícias falsas (dentre outras, noticiou a retirada do exército sírio, que não acontecera). O mesmo satélite árabe que a Síria ajudou a implantar depois de destruído na Palestina em 1967, está sendo usado hoje contra a Síria, pelos emirados do Golfo Árabe.

 

Esse satélite está agora sendo usado no conflito na Síria – mas contra a Síria – e inclui desinformação, sobretudo pelos canais dos quais o Golfo é proprietário e que promovem medo e pânico da instabilidade econômica na Síria. A mídia está sendo usada e manipulada para encobrir o incitamento à ação terrorista dirigido à oposição síria e, também, para angariar ajuda econômica; e a mesma mídia expõe, então, as “realizações” saneadas, os “heróicos” feitos dos “rebeldes” e, quando necessário, apresentam suas perdas e derrotas como “massacres”.

 

A mídia dominante no ocidente e dominante também no mundo árabe praticamente só tem uma opção: engolir desinformação de fontes absolutamente pouco confiáveis, e desinformação que, em seguida, os meios de comunicação reproduzem e redistribuem para o grande público. Histórias de massacres perpetrados pelo governos sírios são divulgadas e repetidas incansavelmente para justificar a intervenção estrangeira, e a imagem predominante é que o “nobre ocidente” que se apresenta para salvar uma nação oprimida do Terceiro Mundo oprimida pela tirania de um macho chovinista opressor. Exatamente o que aconteceu na Líbia. Mesmo assim, uma minoria na mídia árabe, opõe-se ao plano master; e outra minoria está sentada sobre o muro.

 

A mídia árabe praticamente toda está, direta ou indiretamente na mão dos estados do Golfo; praticamente todos os jornalistas estão na folha de pagamento desses estados ou seus agentes ou, eficaz e absolutamente iludidos, não encontram meio para compreender e expor as trágicas ramificações do que está acontecendo no mundo árabe.

 

Os valores antiguerra de Mãe Coragem e Bertolt Brecht não encontraram absolutamente qualquer espaço na agenda dos estados comandados pelo grande petróleo. Provavelmente porque são aqueles os valores que mais direta e claramente podem expor a dicotomia entre religião e economia de guerra.”

 

 

 

FONTE: escrito por Makram Khoury-Machool no “Gilad Atzmon Blog”, com o título original “DISMEMBERING THE ARAB WORLD”. Artigo traduzido pelo “pessoal da Vila Vudu”. Postado por Castor Filho no blog “Redecastorphoto” (http://redecastorphoto.blogspot.com/2012/08/o-desmembramento-do-mundo-ar…).

 

fonte: http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/o-desmembramento-do-mundo-arabe

 

 

 

 VALE A PENA LER

 

Leia no WWW.outraspalavras.net

 

Uma forma particular de sadismo
Insistência dos governantes europeus no sofrimento social inspira-se em Schumpeter — mas assemelha-se curiosamente às ideias do Marquês de Sade. Por Ignacio Ramonet

Metabolismo social do desenvolvimento sustentável
Nova pesquisa sobre esgotamento de recursos naturais indispensáveis revela: tecnologia não evita desperdício; é preciso assegurar uso justo e equânime. Por Ricardo Abramovay

 


A reforma agrária e as lições de Tocqueville
Ao contrário de todos os países desenvolvidos, Brasil continua a estimular concentração de terras — sem perceber quanto ela deforma a própria democracia. Por Gilson Caroni Filho, em Carta Maior

O risco de nova “corrida ao ouro” na Amazônia
Elevação dos preços internacionais torna atrativas reservas semi-exauridas e ameça territórios indígenas e rios da região Por Carolina Gonçalves, na Agência Brasil

 

E se não houver saída alguma?
Immanuel Wallerstein especula sobre as raízes da “crise estrutural do capitalismo” – e a dura disputa pelas alternativas

Image

Baltimore, grandes bancos e uma conspiração criminosa
Baltimore lidera as ações das cidades dos EUA que estão processando grandes bancos por terem manipulado a taxa Libor – a taxa interbancária de Londres, onde os bancos comparam as notas e estabelecem qual será a taxa interbancária de crédito, que tende a influenciar algo em torno de 800 trilhões de dólares de investimentos em derivativos, hipotecas. O canal Real News produziu uma série de entrevistas sobre esse tema.
http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=20741&boletim_id=1336&componente_id=21987

A Agencia Carta Maior tem uma nova página especial, com vários artigos temáticos:Image

http://cartamaior.com.br/templates/index.cfm?home_id=140&alterarHomeAtual=1

Cada dia mais consolida-se uma “eminência parda”  na área de transportes e logística no governo Brasileiro, Bernardo Figueiredo. Ao longo dos últimos anos ajudou a destruir a RFFSA, não resolveu nada na ANTT, fracassou na megalomania do trem-bala entre RJ e SP, nem esquentou lugar na Etav, e agora ressurge todo poderoso na Empresa de Planejamento e Logística (EPL), uma empresa estatal faz-tudo, que, pelo escopo, engloba as atribuições de varias agencias reguladoras e a maior parte dos poderes do Ministério dos Transporte. Não tem uma explicação clara, como é possível um nome, rejeitado pelo congresso para retornar a ANTT, ser colocado pela Presidenta Dilma como presidente da  EPL, com mais poderes que um ministro de estado. Infelizmente essa nomeação é um péssimo presságio, para quem tem esperanças que os problemas dos transportes sejam resolvidos no Brasil.

Veja: www.abifer.org.br/Noticia_Detalhe.aspx?codi=10976&tp=1

 

 

 

O papel da mulher e a sexualidade em Kirikou e a Feiticeira

 

CELUY ROBERTA HUNDZINSKI

 

O diálogo cultural africano, travado na obra Kirikou e a Feiticeira, de Michel Ocelot, pode ser interpretado numa dimensão mais ampla, no tempo e no espaço, estendendo-se até nossos dias e a todos os continentes. Nas personagens principais, podemos observar as conseqüências dos atos masculinos incutidos nas mulheres. Temos duas visões divergentes (da mãe de Kirikou e da feiticeira Karabá) que, porém, apontam para o mesmo objetivo: a afirmação feminina enquanto indivíduo livre e independente… LEIA NA ÍNTEGRA: http://espacoacademico.wordpress.com/2012/08/18/o-papel-da-mulher-e-a-sexualidade-em-kirikou-e-a-feiticeira/

 

 

 

 INFORMAÇÕES

 

Image

 

 

 

Anúncios
Publicado em Uncategorized | Publicar um comentário

Numero 340

Image

Este boletim está sendo elaborado do Canadá, onde me encontro e ficarei ate o fim do mês. Isso me faz refletir – mais uma vez – sobre a importância da Internet, que me permite ter as matérias, inclusive as relativas ao Brasil, em tempo quase real, mesmo estando a milhares de quilômetros de distância. É uma pena que uma tecnologia tão importante e significativa seja usada, por muitos, para fazer o mal.

 

ARTIGOS COMPLETOS

Ideb 2011: Brasil supera metas, mas ensino médio ainda preocupa

 Desde 2005, avanço nos anos iniciais do ensino fundamental é três vezes maior do que no médio

 RIO – A educação no Brasil melhora mais rápido na base do que na ponta. É o que mostra o resultado do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) 2011, indicador bienal divulgado nesta terça-feira pelo Ministério da Educação (MEC). Nos anos iniciais do ensino fundamental, o país atingiu a nota 5, um crescimento de 0,4 em relação a 2009, e já superou a meta prevista para 2013, de 4,9. O avanço nos anos finais do fundamental foi mais lento: subiu de 4 para 4,1, mas bateu a meta estabelecida, de 3,9. Já o Ensino Médio continua sendo o calcanhar de aquiles do sistema educacional. Com uma melhora de 0,1, atingiu o objetivo, de 3,7, mas continua com resultados piores do que os outros segmentos.

Se forem analisados os avanços obtidos desde 2005, quando o índice foi calculado pela primeira vez, a nota dos anos iniciais evoluiu três vezes mais rápido do que a do ensino médio: de 3,8 para 5, enquanto o último segmento saiu de 3,4 para 3,7. Assim, os dados mostram que, na medida em que o aluno avança na sua vida escolar, seu rendimento piora. A lentidão na melhora também é observada nos anos finais do ensino fundamental. A cada biênio, a melhora tem sido menor.

O ministro da Educação, Aloizio Mercadante, festeja os resultados.

– Quero parabenizar os professores que permitiram no seu trabalho cotidiano que o Brasil alcançasse esse resultado – diz.

Para a diretora-executiva do Todos pela Educação, Priscila Cruz, deve-se comemorar os resultados dos anos iniciais. Para ela, o avanço ocorreu em virtude dos investimentos que vêm sendo feitos na alfabetização.

– Temos que comemorar os resultados nos anos iniciais do fundamental. Houve avanço porque os investimentos estão sendo feitos na alfabetização. O plano do MEC de alfabetizar na idade certa, provavelmente, fará com que os resultados melhorem. Agora, é necessário que haja um pacto entre municípios e estados para que não haja descontinuidade dos bons resultados conforme os alunos vão avançando na escola. E o Ideb também não deve ser encarado apenas como um ranking, mas como um processo, analisando o que dá certo e o que não funciona, para que a educação melhore – diz Priscila. – Infelizmente, com o passar dos anos, cai a porcentagem do que os alunos aprendem, as escolas perdem a capacidade de garantir que aprendam.

Já Naércio Menezes Filho, professor de Economia e coordenador do Centro de Políticas Públicas do Insper, em São Paulo, um dos motivos para o bom desempenho dos anos iniciais do ensino fundamental não continuar no ensino médio está no fato de que o aprendizado é cumulativo, então “os vícios e problemas de aprendizado que o aluno acumulou em anos anteriores aparecem com mais clareza lá no final”:

– Além disso, um colégio municipal fica mais anos com um aluno, tem mais tempo para trabalhar mudanças, enquanto a rede estadual, que cuida do ensino médio, fica apenas três anos com o estudante.A meta estabelecida no Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE) é de que o Brasil atinja a nota 6 nos anos iniciais em 2021. Esta é considerada a média dos países desenvolvidos da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) – explica o professor.

Na Prova Brasil, os estudantes fazem avaliações de português e matemática. Foram exatamente estas provas que puxaram o índice no primeiro segmento do ensino fundamental. A média nas duas disciplinas subiu de 5,22 em 2009 para 5,43 em 2011. Ao mesmo tempo, a aprovação diminuiu, o que puxou o número para baixo. O Índice de Rendimento (IR), que consolida as taxas de aprovação e reprovação, caiu de 0,91 para 0,89. Nos anos finais do fundamental, tanto o IR quanto a média das notas na Prova Brasil melhoraram: de 0,82 para 0,83 e de 4,88 para 4,97.

No caso do ensino médio, nada mudou em dois anos. A taxa que mede a eficiência do fluxo escolar permaneceu em 0,8, assim como o desempenho dos alunos, que ficou em 4,57.

Entenda o Ideb

O Ideb é um índice desenvolvido pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) que tem como objetivo mensurar a qualidade da educação brasileira. No seu cálculo são combinados dois fatores: o desempenho dos estudantes na Prova Brasil, aplicada a cada dois anos, e a taxa de aprovação das redes, usada para medir a eficiência do fluxo escolar. Por isso, uma rede pode ter um desempenho acadêmico melhor do que outra, mas um Ideb pior, devido a taxas de aprovação menores.

 

Uma margarida para Dilma

Texto escrito por José de Souza Castro, no blog da Kikacastro.

Recebi hoje notícias de Frei Gilvander Luís Moreira, pároco do Carmo-Sion, um dos bairros importantes de Belo Horizonte, porque habitado por pessoas influentes na cidade. Cris e eu conhecemos esse frade quando ajudávamos, há alguns anos, a editar “O Carrilhão”, jornal paroquiano. Ele é coautor do livro “O Bom Samaritano ontem e hoje”, editado no mês passado pelo Centro Ecumênico de Estudos Bíblicos (CEBI).

Acho que a mensagem era para divulgar, principalmente, este livro. Não me interessei. Mas ele lembrou, num “Em tempo”, que no último domingo completaram-se 29 anos do assassinato, aos 50 anos de idade, de uma mulher importante na história da luta pela reforma agrária na Paraíba. Como nenhum dos cinco denunciados como mandantes do crime foi punido até hoje e a imprensa já se esqueceu do caso – o que não causa qualquer surpresa – transcrevo abaixo trechos da mensagem:

“Margarida Maria Alves foi a primeira mulher a ocupar a presidência de um Sindicato de Trabalhadores Rurais no Estado da Paraíba. Sempre muito atuante na luta pela reforma agrária, ela fundou ainda o Centro de Educação e Cultura do Trabalhador Rural em Alagoa Grande.

Em uma gestão que durou mais de 10 anos, Margarida Alves, como líder sindical e como boa samaritana, moveu mais de 70 ações trabalhistas contra usineiros e senhores de engenhos da região. Tanto incomodou que no dia 12 de agosto de 1983 foi morta a tiros por pistoleiros em sua própria casa.

O assassinato de Margarida continua impune. Dos cinco acusados de serem mandantes do crime, ligados ao Grupo Várzea, apenas dois foram julgados e absolvidos: Antônio Carlos Coutinho e José Buarque de Gusmãos Neto, conhecido como Zito Buarque. Dos outros mandantes, Agnaldo Veloso Borges já faleceu e os irmãos Amaro e Amauri José do Rego estão foragidos.

O assassinato de Margarida Alves permanece entre os grandes crimes de repercussão nacional e internacional impunes no país, tendo sido encaminhado para a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) da Organização dos Estados Americanos (OEA).”

Dessa história quase esquecida, surgiu a Marcha das Margaridas. Ela reúne de vez em quando mulheres camponesas de todo o Brasil que marcham para Brasília para exigir seus direitos. Direitos que também andam bem esquecidos pelo governo da primeira mulher – e não uma mulher qualquer, uma ex-guerrilheira – a se eleger presidente do Brasil.

Acorda, Dilma!

 

VALE A PENA LER

Image

 

VEJA & CACHOEIRA

O triste fim de Policarpo

Leandro Fortes

http://www.observatoriodaimprensa.com.br/news/view/_ed707_o_triste_fim_de_policarpo

 

O negro na literatura brasileira: a necessidade de um novo paradigma de crítica social e literária

ROSÂNGELA BOYD DE CARVALHO

A história da África e seus habitantes, especialmente os que foram trazidos para o Brasil como escravos e seus descendentes, ou seja, todos nós, transformou-se, ainda que tardiamente, em componente curricular obrigatório. Talvez não a obrigatoriedade mas o privilégio de saber sobre o continente africano devesse nos impulsionar a descobrir mais sobre uma terra tão íntima e ao mesmo tempo estranha, próxima e distanciada… LEIA NA ÍNTEGRA: http://espacoacademico.wordpress.com/2012/08/11/o-negro-na-literatura-brasileira-a-necessidade-de-um-novo-paradigma-de-critica-social-e-literaria

 

Leia no WWW.outraspalavras.net

À beira de uma nova crise alimentar?
Alerta: mudança climática, agrocombustíveis e especulação financeira ameaçam elevar preços mundiais dos alimentos e ampliar fantasma da fome. Por Amy Horton

 As nuvens no horizonte brasileiro – e uma visão sobre comodissipá-las
Crise mundial e fantasma de recessão no horizonte exigem mais ousadia do governo Dilma, Por Amir Khair, em Teoria&Debate

Pesquisa sonda papel da ditadura brasileira nos golpeslatino-americanos
Historiador sugere, com base em documentos secretos, que governos militares podem ter sido espécie de braço de Washington contra governos democráticos da região. No Opera Mundi

Arábia Saudita, ultra-conservadorismo e petróleo
Apoiado na riqueza petrolífera, e no apoio político que recebe dos EUA e União Europeia, regime de Riad sustenta redes de fundamentalismo salafita, fortemente ligadas ao terror.Por Anne Allmeling e Alexandre Schossler, no DH

Por que regulamentar a publicidade infantil
Seminário frisa que pais não têm, sozinhos, meios para defender filhos dos abusos publicitários; e lembra que “autorregulamentação” fracassou. Por Tiago Miranda e Newton Araújo, da Agência Câmara

Onda de greves também no Uruguai
Depois de paralisação geral e marcha por Montevidéu na sexta-feira, trabalhadores da Educação, Saúde, Comércio e Transportes mantêm reivindicação por salários,  garantia dos serviços públicos e projeto nacional de desenvolvimento. No Diário Liberdade

 

A Carta Magna está sob ataque nos EUA e no mundo
Recentes decisões da Corte Suprema dos EUA incrementam o enorme poder político das grandes corporações e dos super ricos, golpeando com maior força ainda os vestígios vacilantes de uma democracia política. Enquanto isso, a Carta Magna sofre ataques mais diretos. Recordemos a Lei do Habeas Corpus de 1679, que proibia a “prisão em alto mar” e, com isso, o procedimento impiedoso de prisão no estrangeiro com o fim de torturar. O conceito de devido processo legal ampliou-se com a campanha internacional de assassinatos da administração Obama, de modo que esse elemento central da Constituição se tornou nulo e vazio. O artigo é de Noam Chomsky.
http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=20714&boletim_id=1329&componente_id=21851

 

Sobre a ditadura e a sociedade

Motivada por recentes manifestações favoráveis e contrárias à investigação de crimes de tortura cometidos durante o governo militar no Brasil, Keila Grinberg comenta, em sua coluna de agosto, o apoio social – ainda que pequeno – a esse regime e às suas práticas.

http://cienciahoje.uol.com.br/colunas/em-tempo/sobre-a-ditadura-e-a-sociedade

 

INFORMAÇÕES

Image

 

Image

 

 

Debates marcam o lançamento de “As armas da crítica”
O sociólogo Emir Sader participará, neste mês de agosto, de uma série de eventos de lançamento do livro “As armas da crítica” (Boitempo Editorial), do qual é um dos organizadores. Serão sete dias de eventos, entre os dias 16 e 29, nas cidades de São Bernardo do Campo, São Paulo, Campinas, Fortaleza, Belo Horizonte e Caxias do Sul. A obra abrange autores clássicos do pensamento da esquerda, como Marx, Engels, Gramsci, Lenin, Trotski e Rosa Luxemburgo. Livro inaugura um projeto planejado para três volumes, divididos entre os autores clássicos, os do chamado marxismo ocidental e os contemporâneos.

São Paulo – Neste mês de agosto, o sociólogo Emir Sader participará de uma série de eventos de lançamento do livro As armas da crítica, do qual é um dos organizadores. Serão sete dias de eventos, entre os dias 16 e 29, nas cidades de São Bernardo do Campo, São Paulo, Campinas, Fortaleza, Belo Horizonte e Caxias do Sul.

A obra abrange os chamados ‘clássicos’ – os autores que vão de Marx e Engels a Gramsci, passando por Lenin, Trotski e Rosa Luxemburgo. Essa coletânea de textos essenciais apresenta, por exemplo, alguns dos mais importantes capítulos de obras como Manifesto Comunista, 18 de Brumário de Luis Bonaparte, A guerra civil na França, Grundrisse, Contribuição à crítica da economia política, Luta de classes na Alemanha e o texto “O caráter fetichista da mercadoria e seu segredo”, que faz parte do Livro 1 de O capital, a ser publicado pela Boitempo em 2013, com tradução direta dos originais por Rubens Enderle. No segundo volume de As armas da crítica serão apresentados autores intermediários entre os clássicos e os contemporâneos, a quem será dedicado o terceiro volume. A organização é de Ivana Jinkings e Emir Sader.

Os eventos presenciais são gratuitos e não há necessidade de inscrição prévia.

Sobre o livro
Quase cem anos depois da primeira revolta proletária bem-sucedida no mundo, a Revolução Russa, quando a palavra “revolução” de certo modo se banaliza e alguns chegam a proclamar o fim da história, a Boitempo Editorial publica uma antologia que reúne alguns dos principais textos “clássicos” do pensamento marxista. As armas da crítica, organizado por Ivana Jinkings e Emir Sader, traz textos de Karl Marx, Friedrich Engels, Vladimir Lenin, Leon Trotski, Rosa Luxemburgo e Antonio Gramsci. A escolha pelos marxistas para esta coleção se deve ao fato de o marxismo constituir a espinha dorsal das teorias e práticas da esquerda desde que esta se firmou como força política e ideológica ao longo do século XX.

Este livro inaugura um projeto planejado para três volumes, divididos entre os autores clássicos, os do chamado marxismo ocidental e os contemporâneos. Abrindo o primeiro volume – dos clássicos – estão escritos dos fundadores do marxismo, Marx e Engels. Seguem-se a eles textos redigidos pelos mais destacados teóricos e dirigentes políticos do ciclo revolucionário do fim dos anos 1910 e do momento imediatamente posterior à Primeira Guerra Mundial: Lenin, Trotski, Rosa Luxemburgo e Gramsci. Todos são exemplos consagrados da capacidade de articulação entre teoria e prática, reflexão e ação, nos momentos de ascensão e de refluxo do movimento comunista.

Cada texto tem uma introdução, na qual se encontram as referências bibliográficas das edições originais e o nome dos tradutores e revisores técnicos. O volume inclui ainda um índice onomástico e indicações bibliográficas para os leitores que quiserem se aprofundar mais nos temas abordados.

Os autores apresentados também compartilham características. Foram ao mesmo tempo teóricos e militantes, pensadores e dirigentes revolucionários. Além disso, a prática política, o âmbito partidário, as esferas nacionais e internacionais foram sempre seus espaços de reflexão e de ação. Nenhum deles se dedicou a carreiras acadêmicas, nem por isso deixaram de valorizar extraordinariamente a teoria, construindo obras de porte monumental como formas de decifrar a realidade e fundamentar a ação política.

Image

MATÉRIA CAFÉ HISTÓRIA: MUSEU DO HOLOCAUSTO OFERECE CAPACITAÇÃO

Por que, o que e como trabalhar o Holocausto em sala de aula” é o tema dos seminários que se iniciam no segundo semestre. [Leia mais]

CINE HISTÓRIA: Á BEIRA DO CAMINHO 

“À Beira do Caminho” é o nome do novo filme de Breno Silveira. O drama tem no elenco importantes nomes do cinema brasileiro, como João Miguel, Vinicius Nascimento e Ângelo Antônio.[Leia mais]

TEORIA DA HISTÓRIA: VAMOS SORTEAR DOIS EXEMPLARES DE LIVRO SOBRE O TEMA

Vamos sortear dois exemplares do livro “Teoria & História”, do historiador José Carlos Reis. [Saiba como concorrer]

GRUPO EM DESTAQUE: RACISMO E ESCRAVIDÃO NEGRA NO BRASIL

Grupo tem por objetivo discutir a escravidão no Brasil, os seus reflexos sobre as condições de vida da população negra na era republicana e a trajetória do racismo até o momento presente das ações afirmativas [Leia mais

CONTEÚDO DA SEMANA: JURANDIR MALERBA

Relembre a entrevista que fizemos com o historiador da PUCRS e atualmente em Berlim [Leia mais]

MURAL DO HISTORIADOR: FASCISMO E ANTIFASCISMO

Em ocasião dos 90 anos da Marcha sobre Roma, evento este que levou a Itália à uma ditadura fascista de mais de duas décadas, a Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, em parceria com o Istituto Italiano di Cultura de Rio de Janeiro, organiza durante os meses de agosto e de setembro um ciclo de conferências sobre o tema do Fascismo e Antifascismo. Entre os conferencistas estão Francisco Carlos Teixeira (UFRJ), René Gertz (PUCRS), Orlando de Barros (UERJ) e João Fábio Bertonha (UEM). [Leia mais]

CAFÉ EXPRESSO NOTÍCIAS: ESTRUME SIMBOLIZA O NAZISMO EM BERLIM

Os visitantes do principal museu de arte moderna de Berlim deverão tomar cuidado para não pisar em montes de estrume de cavalo, colocados como um lembrete da arte que foi roubada ou destruída durante o governo nazista.Com a instalação de quatro montes de estrume artificial na Nova Galeria Nacional, pintados de azul, o artista austríaco Martin Gostner disse prestar uma homenagem à pintura “A Torre dos Cavalos Azuis”, de Franz Marc. [Leia mais]

SUPER TRUNFO:  BIOGRAFIAS DE D.PEDRO II E JOÃO GOULART

Diga qual biografia foi mais importante em sua formação acadêmica. [Leia mais]

FÓRUM EM DESTAQUE: IDEIAS FASCISTAS NO BRASIL

Inauguramos um novo fórum sobre fascismo: Qual foi o grau de recepção das ideias fascistas no Brasil? [Participe]

DOCUMENTO HISTÓRICO:  INDEPENDÊNCIA DO BRASIL (1822)

Documento de adesão da Vila Real da Praia Grande à Independência do Brasil, em 1822. [Saiba mais]

Visite Cafe Historia em: http://cafehistoria.ning.com/?xg_source=msg_mes_network

Publicado em Uncategorized | Publicar um comentário

Numero 339

 

 

ImageO assunto principal de hoje é o julgamento que se faz no STF sobre o “tal do mensalão”. Como nos mostra André Araujo, é um verdadeiro teatro de hipocrisia o que estamos assistindo. Ainda bem que nem todos assistem, afinal as Olimpíadas costumam ser algo um pouco mais sério do que essa farsa que se apresenta ante nossos olhos e ouvidos.

 

Image

 

ARTIGOS COMPLETOS

 

MENSALÃO, UM CASO DE HIPOCRISIA POLÍTICA –

Por André Araújo

 Movimentos para constituição de base de apoio parlamentar ao Governo existem no Brasil desde o Império sob diversas roupagens e formulas.

As Presidências de Getúlio Vargas em 1950, de Jânio Quadros em 1960 e de João Goulart em 1961 sofreram da mesma doença mortal da falta de base parlamentar que os levou a trágico fim.

A Presidência JK soube se compor com altos custos e sobreviveu, com dificuldades, ao processo de contestação parlamentar que nunca se deu em nenhum caso em torno de programas e ideias e sim em função de verbas e cargos. O ponto de partida é a desfuncionalidade do sistema politico brasileiro que vem desde muito tempo e é a causa de instabilidade quase que permanente, só sanável por mecanismo de cooptação, dos quais o “”mensalão”” é apenas um deles, sem o que o Presidente não governa o Pais e passa todo o seu mandato resolvendo crises sucessivas gerados pelos “”sócios””.

A partir da Nova República o nome desse movimento era “”Centrão”” ajustado em torno de cargos e verbas, no Governo FHC foi mais discreto mas requereu operação similar, no Governo do PT fez-se uma variante.

O problema é a imperfeição do sistema político e não o remédio tentando mantê-lo vivo.

É uma enorme hipocrisia combater o remédio que é o mecanismo de cooptação parlamentar e não a doença, que é a disfunção secular do sistema politico brasileiro que exige esse tipo de remédio que não cura a doença mas controla a febre.

A imprensa, o Ministério Público e a oposição não gastaram com a doença 1% do tempo, da energia e da indignação que gastaram com o remédio e com tentativas de imolação para aplacar os deuses.

A peça acusatória do MP prega um discurso moralista como se o Brasil fosse a Finlândia e os acontecimentos narrados fossem nunca dantes vistos. Todos fingem que o Brasil é um mosteiro de apóstolos e que a turma do Mensalão surgiu das profundezas do inferno para macular a pureza da política brasileira, chocada com tal desfaçatez, como se todos não fossem parceiros do butim.

É o apogeu da hipocrisia, a cooptação é uma necessidade do paciente, que é o Brasil, sem o qual esse Pais é ingovernável. Para evitar o remédio tem-se que curar a doença, que é o excesso de partidos, o caciquismo que vira dono de cada partido, a política como meio de vida desde os 18 anos, com netos e filhos de políticos perpetuando dinastias, é a profissionalização do uso de cargos para enriquecer, é a campanha política como negócio rendoso, um conjunto de práticas que pode-se denominar “”a comilança””, que suga metade da arrecadação fiscal, se não for mais, tal qual os nobres de Versalhes sugavam a França para manter seu ócio.

Os delitos do Mensalão, se os houve, não são corrupção para fins pessoais, foram mais um mecanismo de cooptação para tentar alguma governabilidade e devem ser analisados dentro desse contexto e não como crime de quadrilha, todos sabem disso e fingem que não sabem, é o velho espírito da Inquisição ibérica baixando de novo, queimava-se um qualquer, pego por alegado crime de bruxaria, para preservar mil outros iguais ou piores.

O ridículo é achar que o Brasil vai ser reformado ou passado a limpo com esse Auto-da-Fé.

Todos sabem que não vai, nem vai diminuir um milésimo a corrupção no varejo e no atacado, que é inerente do sistema político ai posto para isso mesmo e que ninguém propõe mudar para melhorar, não há nenhum projeto sequer cogitado para eliminar a aberração de vinte senadores sem um único voto, suplentes por parentesco, compadrio ou sociedade, um dos eixos da corrupta política brasileira.

O processo do Mensalão e sua acusação de cinco horas servem para isso mesmo, cenas de efeitos especiais para deixar tudo como está porque ninguém cogita mudar coisa alguma.

fonte: http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/a-historia-dos-movimentos-de-composicao-de-apoio-parlamentar

 

O escândalo que ninguém quer ver

http://maureliomello.blogspot.com.br/2012/08/o-escandalo-que-ninguem-quer-ver.html

A investigação mobilizou um conjunto de jornalistas experientes. A redação de Brasília não era grande o bastante para a abrangência pretendida. Tínhamos que estar representados simultaneamente no Rio Grande do Sul, no Paraná, no Rio de Janeiro, em São Paulo, no interior e no litoral do estado, em Minas, Goiás e na Capital Federal.

Produtores, repórteres e editores, entre eles, este aqui, foram à campo. Objetivo: puxar cada ponta do novelo apelidado de Mensalão. A palavra mensalão tinha não apenas o poder de síntese, mas um apelo popular magnífico. Nossa tarefa era provar a existência da suposta ação sistemática do Governo para comprar votos no parlamento.

Naquele tempo corriam em paralelo várias CPIs. A sensação, para os que viam o país a partir dos noticiários, era a de que o Brasil tinha parado. Uma delas até foi apelidada de “Fim do Mundo”. Que ilusão a nossa… O Brasil seguia seu curso, silenciosamente, distribuindo renda e minorando a dor dos excluídos, bem longe das capitais e do centro-sul. Basta levantar dados comércio no Natal de 2005.

Ao cruzar tantas informações sobre banco de sangue, ambulâncias, genéricos, loterias, seguros e resseguros, conselhos administrativos de estatais, verbas publicitárias, correios, sistema bancário “alternativo”, caixas paralelos de campanha e embate político, chegamos à conclusão de que, apesar da corrupção disseminada, não era possível diferenciar réu, vítima e algoz.

Todos, repito, todos faziam parte da mesma lógica. Não havia um só partido político, à exceção dos nanicos, que não tivesse “as mãos sujas”. Numa das sessões, por exemplo, o então deputado Roberto Jefferson, atacado pela senadora Heloísa Helena, respondeu: vossa excelência pode até não ter participado, ainda. Quando disputar uma campanha majoritária isso vai acontecer…

Ao descobrirmos (em 2005!) via Marcos Valério, que a lógica era a mesma desde a campanha de 1998, em Minas, levamos ao conhecimento de nossa chefia de que tratava-se de uma cultura política, um “modus operandi” disseminado pelo Brasil afora, indiscriminadamente…

Responderam-nos que não haveria censura. Era para investigarmos a todos, indistintamente. Se houvesse indícios fortes o bastante as reportagens iriam ao ar. Que ingenuidade a nossa… Produzíamos reportagens contextualizando e elas eram cortadas. Demonstrávamos a lógica, mas o que se referia aos partidos “amigos”, tudo era arquivado.

Eventualmente, uma ou outra história era exibida num dos telejornais de menor alcance. Como havia um bombardeio de novas informações a cada dia, parte do material ficava à deriva na programação.

O escândalo do mensalão, agora em letra minúscula, foi o Imageescândalo da partidarização explícita da imprensa. Nunca ficou tão claro para nós onde queriam chegar e do que eram capazes os inimigos ferozes de Lula, Zé Dirceu e Palocci.

O mal estar foi até as eleições de 2006, quando a imprensa em coro tentou eleger seu candidato sem escrúpulos. Inventaram pesquisas de opinião, tramaram dossiês, omitiram, quebraram sigilo dos adversários, intimidaram e perseguiram. Sobre tudo isso fui testemunha ocular e posso garantir: foi o maior escândalo midiático da história do país.

Ou vocês acham que, se tudo tivesse corrido na base da legalidade e do bom jornalismo teríamos nomes como Carlos Dorneles, Luiz Carlos Azenha, Luiz Malavolta, Rodrigo Vianna, Luiz Nassif, Paulo Henrique Amorim, Heródoto Barbeiro e tantos outros, hoje, do lado de lá do front?

Mas por que José Alencar na ilustração do post? Foi ele o primeiro a farejar o golpe e cerrar fileiras ao lado de Lula. José Alencar também era alvo de ataques em 2005, porque participou da compra do apoio do PL, nas eleições municipais de 2002.

Curiosamente, depois de morrer, foi bajulado pela imprensa, a mesma imprensa que tramou o golpe anunciado. Talvez por isso a família dele sempre preferiu distância dos políticos, dos bajuladores e principalmente dos abutres da imprensa.

 

VALE A PENA LER

 

Como a Carta Magna se tornou uma carta menor (I)
Em algumas gerações chegaremos ao milênio da Carta Magna, um dos grandes acontecimentos no estabelecimento dos direitos civis e humanos. Não está claro ainda se haverá motivo para celebração. E isso deveria ser objeto de grave e imediata preocupação. Não é uma perspectiva atraente caso persistam as atuais tendências de ataque e destruição de direitos. O certo é que ainda há um longo caminho para se realizar a promessa da Carta Magna. O artigo é de Noam Chomsky.
http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=20675&boletim_id=1315&componente_id=21606

 

Banco JP Morgan, presságio de novo Apocalipse
A economia mundial enfrenta o risco de uma nova queda. A crise atual poderá ser apenas o preâmbulo de novo Apocalipse. O exemplo mais recente é o das perdas de mais de 2 bilhões de dólares do JP Morgan em maio, por ter cometido erros flagrantes, segundo as palavras do seu arrogante chefe Jamie Dimon. O poderia do mercado financeiro segue impedindo a adoção de regras para conter a especulação. O artigo é de Alejandro Nadal.
http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=20669&boletim_id=1314&componente_id=21563

 

“Houve extermínio sistemático de aldeias indígenas na ditadura”
Perseguido pela ditadura, José Humberto Costa do Nascimento, o Tiuré Potiguara, abandonou seu trabalho na Funai, viveu escondido na floresta amazônica e, após conseguir deixar o Brasil, foi reconhecido como refugiado pelo governo do Canadá. Agora, de volta ao país, ele aguarda a Comissão de Anistia julgar seu pedido de reconhecimento como vítima do regime e quer a ajudar a Comissão Nacional da Verdade a resgatar a história do que classifica como “genocídio indígena praticado pela ditadura”.
http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=20650&boletim_id=1309&componente_id=21449

 

Não há verdade que se esconda para sempre
No dia 11 de junho de 2012, uns meninos que brincavam num terreno do subúrbio de San Fernando, vizinho a Buenos Aires, acharam três tonéis. Estavam cheios de cimento. Os meninos viram ossos misturados ao cimento. Ossos humanos. A polícia descobriu que nos outros dois tonéis também havia cimento e ossadas humanas. Depois das análises dos médicos legistas, confirmou-se que uma das ossadas pertencia a um cubano sequestrado e morto 36 anos antes, durante a ditadura encabeçada pelo general Jorge Videla. O artigo é de Eric Nepomuceno.

http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=20662&boletim_id=1311&componente_id=21501

 

O que vai salvar o euro?
O mercado financeiro está acreditando que o Banco Central Europeu pode salvar o euro? O problema é que não há plano B sobre a mesa. Com um endividamento de 82% sobre o PIB, com uma economia que começa a desaquecer e que desde a criação do euro só cresceu 1,4%, em média (menos que a França, Holanda e o conjunto da zona do euro), com uma chanceler democrata cristã, Angela Merkel, casada com o credo conservador, a Alemanha parece decidida ao não dar passo novo algum. O artigo é de Marcelo Justo.
http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=20665&boletim_id=1311&componente_id=21502

A “caça às bruxas”: uma interpretação feminista

ROSÂNGELA ANGELIN

A “caça às bruxas é um elemento histórico da Idade Média. Entre os séculos XV e XVI o “teocentrismo” – Deus como o centro de tudo – decai dando lugar ao “antropocentrismo“, onde o ser humano passa a ocupar o centro. Assim, a arte, a ciência e a filosofia desvincularam-se cada vez mais da teologia cristã, conduzindo, com isso a uma instabilidade e descentralização do poder da Igreja. Como uma forma de reconquistar o centro das atenções e o poder perdido, a Igreja Católica instaurou os “Tribunais da Inquisição”, efetivando-se assim a “caça às bruxas“. Mas quem eram, enfim, estas mulheres que fizeram parte de um capítulo tão horrendo da história da humanidade, e por que o feminismo retoma as bruxas como um dos seus principais símbolos?… LEIA NA ÍNTEGRA: http://espacoacademico.wordpress.com/2012/08/04/a-caca-as-bruxas-uma-interpretacao-feminista/

 

Leia no WWW.outraspalavras.net

Castells quer tecer alternativas
Às vésperas de lançar novo livro, sociólogo aposta numa articulação entre internet e praças reocupadas, pode reinventar democracia e sociedades. Entrevista a Francisco Guaita

O primeiro impasse da nova política brasileira de lixo
Maioria dos estados e municípios parece despreparada para aplicar lei que pode revolucionar coleta e reciclagem no país. Por Laís Bellini

 

INFORMAÇÕES

Revista Espaço Acadêmico acaba de publicar o número mais recente em

http://www.periodicos.uem.br/ojs/index.php/EspacoAcademico.  Convidamos a

navegar no sumário da revista para acessar os artigos e itens de interesse.

v. 11, n. 135 (2012): Revista Espaço Acadêmico, nº 135, agosto de 2012

Sumário

http://www.periodicos.uem.br/ojs/index.php/EspacoAcademico/issue/view/655

Publicado em Uncategorized | Publicar um comentário

Numero 338

 

 

ImageImage

Conheci o livro “O colapso da modernização”, de Robert Kurz na década de 1990. Passei a utilizar um dos capítulos dele como leitura obrigatória nas minhas aulas de História Contemporânea no UNI-BH. Leitura que os alunos costumavam reclamar, considerando o texto muito complexo, mas quando discutíamos nos seminários as idéias dele ficavam mais claras.

Quem leu aquele livro não se espanta muito com o fato de estarmos vivenciando, hoje, uma crise monumental. Era exatamente sobre isso que Kurz escrevera, argumentando que a crise do mundo capitalista ou do “mundo produtor de mercadorias”, como ele o chamava, iniciara-se na América Latina, ganhara o bloco dito socialista no final dos anos 1980 e avizinhava-se perigosamente da área central do sistema. Em outras palavras, ele descreveu o mecanismo da crise que agora assola os EUA e a Europa.

 

A notícia do falecimento de Kurz é triste, como se pode ler no primeiro artigo deste Boletim.

 

 

 

 ARTIGOS COMPLETOS

A pesada ausência de Robert Kurz

Marxista antidogmático, ele seguiu (mas ultrapassou) Escola de Frankfurt. Viu na queda da União Soviética sinal da crise do capitalismo

Por Arlindenor Pedro* (http://www.outraspalavras.net/2012/07/26/a-pesada-ausencia-de-robert-kurz/)

Foi enterrado nesta quinta-feira (26/7), em Nuremberg (Alemanha), o filósofo alemão Robert Kurz, morto dia 18, vítima de uma sequência de operações.

A notícia de sua morte foi anunciada, de forma lacônica, nas paginas da revista Exit! [versão parcial em português aqui], que ele ajudou a fundar em 2004, após a cisão do grupo Krisis onde atuou desde 1986, exercendo importante papel, como editor e publicista. Seu enterro foi marcado para o cemitério daquela cidade, para ser realizado em 26 de julho. No convite, a direção de Exit! fez questão de sugerir que seus amigos não gastassem dinheiro com flores e coroas, guardando seus recursos para eventuais ajudas à revista, que foi a trincheira política desse importante pensador do mundo contemporâneo.

Mas, mesmo nas linhas austeras que anunciaram sua morte, era possível perceber a emoção de seus companheiros, pois sabiam, como nós, a importância daquela perda. Assim se pronunciou a revista: ¨… Com a sua morte, a teoria crítica perde um pensador lutador e um crítico radical, num tempo em que mais que nunca se exige ‘derrubar todas as condições em que o homem surge como um ser humilhado, escravizado, abandonado, desprezível’. Bobby viveu e lutou por isso. A crítica da dissociação e do valor e a revista teórica Exit! perdem um teórico marcante e não será fácil preencher a sua falta. Vamos tentar.¨

A tarefa não será fácil porque Kurz firmou-se como um dos mais importantes teóricos marxistas e críticos do capitalismo contemporâneo, exercendo, através de seus constantes artigos e livros publicados, uma influência decisiva na formulação dos novos rumos dos movimentos revolucionários em todo o mundo.

Kurz foi um crítico impiedoso dos conceitos gerais do chamado “marxismo oficial”, desenvolvido pela esquerda dogmática e positivista. Ela ajudou a burguesia liberal a erigir a sociedade da mercadoria em que atualmente o mundo está atolado, levando a humanidade a uma situação de penúria sem precedentes. Para o filósofo, o movimento socialista serviu, em ultima instância, como avalizador das relações de consumo em que vivemos.

Como alternativa, propunha, em seus escritos, um novo olhar para as obras de Marx. Ressaltava os estudos sobre o trabalho abstrato e fetiche da mercadoria, abandonados pelo marxismo oficial. Este optou em ver dogmaticamente o proletariado como o motor principal de mudanças na sociedade. Omitiu-se da luta pela destruição do Estado e da construção de uma nova sociedade onde a mercadoria e o dinheiro não mais seriam os elementos de intermediação entre o homem e a natureza.

Corajoso, Kurz propunha rever os conceitos iluministas que nortearam a construção da sociedade racional, plenamente firmada após a terceira revolução industrial, com a incorporação da ciência ao processo produtivo e o declínio – tanto numérico, quanto político – da classe trabalhadora. Em muitos aspectos, ela tornou-se secundária ou mesmo desnecessária para economia capitalista.

Robert Kurz insere-se na vertente de pensadores marxistas que se preocupava (como a Escola de Frankfurt) com a impossibilidade do homem moderno encontrar sua plena existência num mundo de ampla oferta de mercadorias. Porém, seu pensamento vai além.

O aspecto mais atual do seu pensamento está em interpretar a situação do homem contemporâneo à luz da critica de Marx ao valor. Para isso, Kurz parte do estudo da visão marxiana desenvolvida na Critica da Economia Política, colocando em relevo o conceito de fetiche da mercadoria. Entende o pensamento de Marx como constatação e critica da redução de toda a vida humana ao valor, isto é, à economia. Opõe-se, portanto, à corrente marxista que via a exploração econômica como o mal maior do capitalismo e propunha uma sociedade em que a economia não seria usada para a exploração de uma classe sobre a outra, Kurtz, remetendo ao próprio Marx, concebe a esfera econômica como oposta, ela própria, à totalidade da vida. Aí está sua originalidade.

Seu livro mais conhecido publicado no Brasil, O Colapso da Modernização, mostra que a debacle do chamado “socialismo real”, da extinta União Soviética, só poderá ser entendida ser analisada à luz da crise geral que vive o sistema capitalista.
Com um prefácio primoroso de Robert Schwartz, um entusiasta das ideias de Kurz, esta obra sugere que as mudanças operadas no seio da economia internacional vão conduzir o sistema capitalista a uma falência de proporções catastróficas. A aparente “vitória” das sociedades de mercado, com a queda do Muro de Berlim e da União Soviética em 1989-90, seria uma vitória de Pirro do sistema. Os anos passados desde sua publicação (em 1999) só tornaram o livro mais importante para o entendimento da economia mundial e particularmente a economia de mercado do Brasil.

Para um melhor entendimento das ideias deste importante filósofo, vale ler uma entrevista que concedeu à revista brasileira “IHU online” em março de 2009, quando esteve no país para participar do Fórum Social Mundial.

Serra da Mantiqueira, julho de 2012.

 

 VALE A PENA LER

PARTIDO DA TERRA
como os políticos conquistam o território brasileiro

Autor: Alceu Luís Castilho
Assunto: HISTÓRIA, INTERESSE GERAL, SOCIOLOGIA, MEIO AMBIENTE, GEOGRAFIA,

Como os políticos conquistam o território brasileiro? O jornalista Alceu Luís Castilho passou três anos pesquisando quase 13 mil declarações de bens de políticos eleitos entregues ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O resultado é um mapeamento preciso dos políticos donos de terra no Brasil, recheado de histórias surpreendentes de quem são, quanto têm e como agem esses proprietários ávidos pelo poder.
Ao contrário do que se poderia imaginar, há latifundiários dos mais diversos partidos políticos e em todos os lugares do país. Há prefeitos, vice-prefeitos, deputados estaduais e federais, senadores, governadores e vice-governadores e até vice-presidente. Há políticos acusados – e condenados – por trabalho escravo. Há políticos que ostentam o “troféu” motosserra. E como votam esses proprietários? A ação da bancada ruralista e a batalha em cima do novo código florestal são aqui detalhadas. Leitura fundamental para os cidadãos brasileiros. Particularmente, os eleitores.

Editora Contexto, R$ 29,90.

 

NOVA HISTÓRIA DAS MULHERES NO BRASIL

Autores: Joana Maria Pedro (Org.), Carla Bassanezi Pinsky (Org.)
Assunto: HISTÓRIA, INTERESSE GERAL

 

Afinal, o que querem as mulheres? O que já conquistaram ao longo do século XX e início do século XXI? Que caminhos deverão seguir daqui para frente? Essas são algumas das questões que as autoras – especialistas Imageem diferentes áreas do conhecimento – respondem neste livro. Estudantes, professores e pesquisadores se beneficiam de uma obra abrangente e atualizada sobre o assunto. Responsáveis por políticas públicas encontram aqui material para ajudar a executá-las. Ativistas, militantes de movimentos sociais, feministas e ONGs podem, com este livro, alicerçar melhor suas demandas. Jornalistas e profissionais das áreas de Direito, Saúde e Educação ganham subsídios para desenvolver com mais qualidade o seu trabalho. Nova História das Mulheres destina-se, além de tudo, a homens e mulheres que acreditam que compreender as relações sociais por meio da História contribui para melhorar o entendimento entre as pessoas. Um livro para todos os públicos.

 

Editora Contexto, 560 páginas, R$ 59,90.

 

 

 

Os falsos paladinos da liberdade de expressão

 

Os “blogs sujos” estão de fato se transformando em importante contraponto ao discurso homogêneo da grande mídia dominante. E isso parece ser intolerável para alguns setores – falsos paladinos – que ostentam publicamente a bandeira da liberdade de expressão e da democracia entre nós.

 

http://www.cartamaior.com.br/templates/colunaMostrar.cfm?coluna_id=5709&boletim_id=1304&componente_id=21362

 

 

 

Leia no WWW.outraspalavras.net

 

Nacionalismo e desenvolvimento econômico (II)
Por que Alemanha, Rússia e Japão sempre foram nacionalistas; enquanto dominação das “potências pioneiras” reveste-se de fisionomia liberal, “pelo mercado”. Por José Luís Fiori

 

Uma guerra para liquidar a Siria
Robert Fisk
alerta: no xadrez complexo do Oriente Médio, talvez haja potências interessadas em levar alguns países ao colapso. Entrevista a Tony Jones

 

Estados Unidos: até onde irá a paranóia?
Livro recém-lançado descreve como tentáculos do complexo de segurança espalham-se pela sociedade na sociedade norte-americana. Por Hugo Albuquerque

Por trás dos icebergs gigantes
Desprendimento de enorme massa de gelo no Oceano Ártico é consequência do aquecimento global e pode contribuir para aprofundá-lo. Por Gabriela Leite

 

Como a Europa prepara sua Década Perdida
Economista aponta notáveis semelhanças entre políticas seguidas pelo Velho Continente e as que empobreceram América Latina no século 20. Nos dois casos, pequena minoria ganhou com a crise. Entrevista de Eric Toussaint à Agência Adital

Coca-Cola terá de sair da Bolívia antes do fim-do-mundo
Empresa deverá deixar país até o dia 21 de dezembro desse ano. Segundo governantes, o fim do calendário maia marca o fim de uma era, o capitalismo. No Vermelho

Planos de saúde e as campanhas eleitorais
Estudo aponta que medicina privada tem aumentado seu apoio a candidatos e partidos; muitos de seus interesses já foram contemplados. Por Patrícia Benvenuti, no Brasil de Fato

Banqueiros ou Banksters?
Cresce, em todo o mundo, consciência sobre manipulações e até crimes praticados pelas instituições financeiras. E volta ao uso um termo curioso usado durante a Grande Depressão…
Por Julio Godoy, na Envolverde-IPS

 

América indígena, precursora do mundo 2.0
Surpresa: práticas comunitárias dos povos pré-colombianos anteciparam atitudes de colaboração e compartilhamento que marcam a nascente cultura pós-capitalista. Por Bernardo Gutierrez 

 

Muito mais grave que Belo Monte

 

Hidrelétrica projetada para Rio Tapajós, no Pará, pode ser a quarta maior do país – e abrir clareira do tamanho de São Paulo numa das áreas de maior biodiversidade do planeta. Por Antonio Martins

Para tirar os primeiros venenos do seu prato
Brasileiros ingerem 14 pesticidas ultra-tóxicos, proibidos em dezenas de países. Campanha quer bani-los e chamar atenção para viabilidade da agroecologia. Por Bruna Bernacchio

 

 

 

A atualidade da leitura

 

ANTÔNIO INÁCIO ANDRIOLI

 

Uma das características que, certamente, chamam a atenção de um estrangeiro na Alemanha é o hábito de leitura do povo alemão. Nos trens, nas bibliotecas, nos cafés, nos bosques e parques é normal encontrar pessoas lendo. Com o intensivo período de inverno e a permanência prolongada das pessoas dentro de casa, a leitura é uma atividade que continua atraindo muitas pessoas…LEIA NA ÍNTEGRA: http://espacoacademico.wordpress.com/2012/07/28/a-atualidade-da-leitura/

 

 

 

INFORMAÇÕES

 

 

 

VI Simpósio Escravidão e Mestiçagens: religiões e religiosidades

 

18, 19 e 20  de setembro  de 2012

 

Local: Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia – UESB.

 

Campus de Vitória da Conquista.

 

Conferências, sessões temáticas e comunicações.

 

REALIZAÇÃO

 

Laboratório de Estudos da Escravidão e das Mestiçagens LABESGENS

 

Museu Pedagógico da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia

 

Programa de Pós-Graduação em Memória: Linguagem e Sociedade

 

Departamento de História – DH

 

INSCRIÇÕES

 

Inscrição e pagamento com apresentação de trabalho

 

18 de julho a 20 de agosto

 

Inscrição e pagamento como ouvinte:

 

18 de julho a 18 de setembro

 

Divulgação de aceite dos trabalhos:

 

25 a 30 de agosto

 

INSCRIÇÕES: http://simposioescravidaoemesticagens.blogspot.com.br/

 

CONTATO: simposioescravidaoemesticagens@gmail.com

 

 

 

O Jornal Brasil Atual consolida um projeto de radiojornalismo alternativo criado em 2004.

 

O Jornal Brasil Atual conta com o apoio de inúmeros órgãos e entidades, entre eles, o Dieese (Departamento Intersindical de Estudo e Estatísticas Socioeconômicas), Idec (Instituto de Defesa do Consumidor), Ipea ( Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), Oboré, Greenpeace, Instituto Socioambiental, Agência Carta Maior, Revista Caros Amigos e Observatório Social. As Comissões Pastorais da Terra e organizações não governamentais de vários setores também compõem o quadro de apoiadores.

 

O radiojornal mantém uma linha editorial democrática e pluralista, em defesa da cidadania, dos Direitos Humanos, da igualdade de oportunidades para todos e contra preconceitos e discriminação. Dá prioridade às pautas de interesse dos trabalhadores, além do noticiário diário sobre política e economia.

 

O Jornal Brasil Atual se propõe a dar voz aos que não encontram espaço na mídia tradicional e coloca-se ao lado dos que lutam para democratizar o acesso aos meios de comunicação.

 

Acesse por aqui:        http://www.redebrasilatual.com.br/radio/o-projeto 

 

Image

 

MATÉRIA DO CAFÉ HISTÓRIA: REVISTA CIÊNCIA HOJE COM ACERVO NA WEB

Acervo completo da revista Ciência Hoje está disponível para consulta, em formato digital, na internet. [Leia mais]

CAFÉ EXPRESSO NOTÍCIAS: MODA ÍNTIMA EM ZONA ARQUEOLÓGICA

Lingerie mais antiga do mundo é encontrada por historiadores. [Leia mais]

MURAL DO HISTORIADOR: TURISMO E HISTÓRIA. SERTÃO E LITORAL

Vários eventos acontecem pelo Brasil neste segundo semestre: do turismo ao sertão. [Leia mais]

CINE & HISTÓRIA:  AQUI É O MEU LUGAR

Novo filme de Sean Penn chega aos cinemas brasileiros. [Leia mais] 

SUPER TRUNFO: PERRY ANDERSON VS. E.P.THOMPSON

“A Formação da Classe Operária Inglesa” ou “Linhagens do Estado Absolutista”? [Leia mais]

MATÉRIA CAFÉ HISTÓRIA: LINK ÚTEIS EM CULTURA E HISTÓRIA

O Café História preparou uma lista com dez acervos na área de história e cultura, disponibilizados gratuitamente na internet. [Leia mais]

CAFÉ EXPRESSO NOTÍCIAS: 100 ANOS DA CÓLERA NO CEARÁ

Uma doença que dizimou milhares de brasileiros no século XIX já se tornou temas de vários estudos [Leia mais]

CINE HISTÓRIA: ALÉM DA LIBERDADE

A mais nova produção de Luc Besson – Além da Liberdade (The Lady, no original, em inglês) – acaba de chegar aos cinemas brasileiros. O filme – uma co-produção da França e Reino Unido – é uma espécie de biografia dramática de uma personagem bastante conhecida no cenário internacional. [Leia mais]

MURAL DO HISTORIADOR: MODERNISMO BRASILEIRO

Acontece na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), o II Seminário Discursos em Interfaces Contemporâneas – Modernismo Brasileiro 90 anos: Vanguardas, Neovanguardas e Pós-Vanguardas. [Saiba mais]

DOCUMENTO HISTÓRICO: LEMBRA DO JOGO SONIC?

Cartaz de divulgação do jogo“Sonic”, um dos maiores sucessos da empresa “Sega”. Cartaz dos anos 90. [Saiba mais]

CONTEÚDO DA SEMANA: DITADURA MILITAR NA AMÉRICA LATINA

Conheça e participe de um dos grupos mais atuantes e tradicionais do Café História: “Ditadura Militar na América Latina”, criado pelo participante Leonardo Mendes Barbosa. O grupo já conta com quase 500 membros. [Leia mais]

Visite Cafe Historia em: http://cafehistoria.ning.com/?xg_source=msg_mes_network

 

Image

Em 2003, a ANPUH deliberou pela criação de um novo periódico. A proposta era ampliar o número de publicações da entidade ao mesmo tempo em que se assegurava o surgimento de novos espaços institucionais de discussão e debates. A nova revista recebeu o nome História Hoje e, como expressava seu primeiro editorial, seus objetivos eram “divulgar a produção historiográfica recente, temas da atualidade e experiências didáticas em todos os níveis”. Seu formato digital constituía uma novidade o que, em certa medida, era uma garantia para que a revista superasse, à partida, boa parte das limitações que cercavam nossos periódicos àquela altura. Como não poderia ser diferente, nasceu ousada e com a vontade forte de tornar-se presente propondo uma periodicidade quadrimestral.

A História Hoje circulou entre 2003 e 2011. No total, foram 14 números, 80 artigos e 10 resenhas. Contudo, apesar deste legado editorial e do esforço que lhe deu vida, a História Hoje acabou sofrendo descontinuidades. De alguma maneira, todos nós conhecemos as dificuldades que, como dizem alguns, parecem conspirar contra a longevidade dos periódicos científicos da área de ciências humanas.

Em 2011, um novo Conselho Editorial assumiu o desafio de revitalizar a História Hoje. Reunidos, pela primeira vez, durante a realização do Simpósio Nacional que celebrava os 50 anos da ANPUH-Brasil, o Conselho deliberou pela adoção da temática História e Ensino como estruturante da linha editorial, redimensionou sua periodicidade, propôs a organização de Dossiês Temáticos e criou novas seções afinadas com a linha da revista: “História Hoje na Sala de Aula”, “E-Storia” e “Falando de História hoje”. Por último, veio a migração para a base OJS/SEER com o objetivo de garantir-lhe acesso amplo e maior qualidade editorial. Assumir a temática História e Ensino foi o caminho encontrado para assegurar a centralidade do debate acerca da formação dos historiadores, as diferentes dimensões do Ensino de História nos níveis fundamental, médio e superior, sem perder de vista as inquietações com os rumos da profissão. O resultado desta empreitada é o que apresentamos no primeiro número da nova série que se abre com o Dossiê Temático “Ensino da História da África e da Cultura Afro-brasileira”, organizado pelos professores Martha Abreu (UFF) e Silvio de Almeida Carvalho Filho (UFRJ) e que será lançado, oficialmente, no VI Encontro de História da ANPUH-BA (13 a 16 de agosto de 2012 – UESC – Ilhéus/BA) onde também ocorrerá a próxima reunião administrativa (Diretoria Nacional e Seções Estaduais).

O compromisso da ANPUH-Brasil com a revista permanece inalterado: assegurar espaços institucionais de debate no âmbito da entidade que permitam dimensionar a complexidade e os desafios dos profissionais de História no Brasil. Neste novo momento da História Hoje, estamos convencidos de poder contar, mais uma vez, com o empenho de tod@s na consolidação da revista.

Patrícia Sampaio Editora da RHHJ

 

MESTRADO ACADÊMICO EM HISTÓRIA
Instituição: Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG)
Inscrições: até 10/08/2012
Mais informações

4ª OLIMPÍADA NACIONAL EM HISTÓRIA DO BRASIL
Instituição: Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP)
Inscrições: até 10/08/2012
Mais informações

CONCURSO PÚBLICO PARA SELEÇÃO DE DOCENTES
Instituição: Universidade de Pernambuco (UPE)
Inscrições: até 17/08/2012
Mais informações

SELEÇÃO AO CURSO DE MESTRADO EM HISTÓRIA- TURMA 2013
Instituição: Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP)
Inscrições: de 03/09 a 15/10/2012
Mais informações

EDITAL DE SELEÇÃO PARA O PPGHIS
Instituição: Universidade Federal do Maranhão (UFMA)
Inscrições: até 10/09/2012
Mais informações

PÓS-GRADUAÇÃO EM HISTÓRIA – MESTRADO E DOUTORADO
Instituição: Universidade Federal de Uberlândia (UFU)
Inscrições: de 10 até 14/09/2012
Mais informações

PROCESSO SELETIVO INGRESSO 2013
Instituição: Universidade Federal de Pelotas (UFPEL)
Inscrições: de 24/09 até 26/10/2012
Mais informações

 

III SEMINÁRIO INTERNACIONAL DE HISTÓRIA LUSO-BRASILEIRA: SERTÃO E LITORAL (novo)
Data: 08 e 09 de agosto de 2012
Local: Salão Nobre do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, avenida Augusto Severo, n. 8, 11º andar, Glória (IHGB)
Mais informações

 

III COLÓQUIO DO GPCIR : INTERCÂMBIO INSTITUCIONAL: SABERES E FAZERES HISTORIOGRÁFICOS (novo)
Data: 03 a 06 de setembro de 2012
Local: Universidade Federal de Sergipe (UFS)
Mais informações

II FORO DE HISTORIA DEL PARAGUAY: 400 ANALES: HOMENAJE A RUY DÍAZ DE GUZMAN. REPRESENTACIÓN HISTÓRICA, ANÁLISIS REGIONAL Y FRONTERAS (novo)
Data: 06 e 07 de setembro de 2012
Local: Universidad Nacional de Asuncion (UNA)
Mais informações

II JORNADAS MERCOSUL: MEMÓRIA, AMBIENTE E PATRIMÔNIO (novo)
Data: 17 a 19 de setembro de 2012
Local: Centro Universitário La Salle (UNILASALLE)
Mais informações

V SIMPÓSIO DE POLÍTICA E CULTURA: CULTURAS POLÍTICAS E PRÁTICAS CULTURAIS (novo)
Data: 26 a 28 de setembro de 2012
Local: Universidade Severino Sombra (USS)
Mais informações

XX SIMPÓSIO DE HISTÓRIA DA IMIGRAÇÃO E COLONIZAÇÃO E SEMINÁRIO INTERNACIONAL “A HISTÓRIA DA IMIGRAÇÃO E SUA(S) ESCRITA(S)” (novo)
Data: 26 a 28 de setembro de 2012
Local: Universidade do Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS)
Mais informações

III SEMINÁRIO INTERNACIONAL HISTÓRIA E HISTORIOGRAFIA (novo)
Data: 01 a 03 de outubro de 2012
Local: Universidade Federal do Ceará (UFC)
Mais informações

II SIMPÓSIO NACIONAL HISTÓRIA DO CRIME, POLÍCIA E JUSTIÇA CRIMINAL (novo)
Data: 17 a 19 de outubro de 2012
Local: Universidade Federal de Uberlândia (UFU)
Mais informações

ENCONTRO NACIONAL DO GT DE PATRIMÔNIO CULTURAL DA ANPUH (novo)
Data: 22 a 24 de outubro de 2012
Local: Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH/USP Leste)
Mais informações

8º SEMINÁRIO DE CIDADES FORTIFICADAS E 3º ENCONTRO TÉCNICO DE GESTORES DE FORTIFICAÇÕES (novo)
Data: 22 a 26 de outubro de 2012
Local: Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)
Mais informações

VII SEMANA DE HISTÓRIA POLÍTICA (novo)
Data: 22 a 26 de outubro de 2012
Local: Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)
Mais informações

CONGRESSO NACIONAL – PENÍNSULA IBÉRICA: ANTIGUIDADE, MEDIEVO E SUAS PROJEÇÕES NO SÉCULO XVI (novo)
Data: 22 a 26 de outubro de 2012
Local: Universidade Federal de Alfenas (UNIFAL)
Mais informações

ENCONTRO INTERNACIONAL FRONTEIRAS, HISTÓRIA E IDENTIDADES & II COLÓQUIO DE HISTÓRIA E SABER HISTÓRICO: FRONTEIRAS BRAGANTINAS (novo)
Data: 23 a 26 de outubro de 2012
Local: Universidade Federal do Pará (UFPA)
Mais informações

VII COLÓQUIO HISTÓRIA E ARQUEOLOGIA DA AMÉRICA INDÍGENA (novo)
Data: 12 a 14 de novembro de 2012
Local: Centro de Estudos Mesoamericanos e Andinos da Universidade de São Paulo (CEMA-USP)
Mais informações

Publicado em Uncategorized | Publicar um comentário

Numero 337

 

 

 

 

 

ImageA Europa continua em crise, e não apenas ela. Sem dúvida, o velho continente é a parte mais visível da crise, no atual momento. Recebi email de uma amiga e ex-aluna, Márcia, que está morando na Itália:

 

Estamos em uma crise tremenda com um índice de desemprego que ultrapassa os 11%, muita gente suicidando por dificuldades econômicas, tipo bolsa de valores de New York em 1930. Estamos perto das eleições, mas eu acho que as coisas vão piorar pq o atual governo técnico de Mario Monte esta resolvendo algumas coisas, mas para ver os resultados è preciso esperar alguns anos. Tenho medo que o próximo governo eleito cancele tudo e torne a ser o governo populista de Berluscone. 

 

Muito claro, não?

 

Os dois artigos iniciais de nosso boletim trazem mais um pouco de luz para nossa compreensão dos efeitos sociais maléficos das políticas salvacionistas de países europeus. “Salvem os bancos e deixem os cidadãos à míngua!”

 Este poderia ser um bom slogan para a troika européia…

Image

ARTIGOS COMPLETOS

Povo espanhol pede sacrifício de políticos e banqueiros

 

Protestos em mais de 80 cidades da Espanha levam centenas de milhares às ruas para contestar o corte de 65 bilhões de euros aprovado pelo governo. Políticos e banqueiros foram alvos das manifestações. “Há muitos gastos e cargos políticos a enxugar antes de tirar da educação, da saúde, de aposentados e de desempregados”, repetiam os madrilenhos que aderiram à marcha. A reportagem é de Guilherme Kolling, direto de Madri

 

Guilherme Kolling, de Madri (WWW.cartamaior.com.br)

 

Madri – “A joderlos!, ooéé! A joderlos, ooéé!”… O principal grito de guerra da torcida da Espanha na Eurocopa 2012 (o original é Por La Roja!, ooéé!) ganhou uma paródia malcriada que ecoou pelas principais vias do centro de Madri na noite desta quinta-feira. Quem cantava era o povo que saiu às ruas para protestar. O alvo eram políticos e banqueiros.

A inspiração veio da deputada Andrea Fabra, do conservador Partido Popular (PP), que foi flagrada dizendo ‘que se jodan!’, durante a apresentação no Congresso espanhol do corte de 65 bilhões de euros anunciado pelo governo na semana passada.

A população atingida pela medida reagiu com força, em 80 cidades. Em Madri, mais de 100 mil pessoas participaram da marcha pelo Paseo del Prado, Calle de Alcalá, até chegar na Puerta del Sol.

Um deles era Carlos Gaudencio, funcionário da prefeitura que exibia um cartaz parafraseando a deputada do PP, mas atacando os políticos. “Que se jodan, pero mira cómo roban!” Havia muitos outros estandartes nesse estilo, caso de uma bandeira da União Europeia contornada pelos dizeres “Bancos y políticos, que se jodan”.

Organizado pelos principais sindicatos do país ibérico, o ato tinha como título “Quieren arruinar com el país. Hay que impedirlo. Somo más”. Teve apoio maciço de centenas de entidades e de milhares de cidadãos que simplesmente desejavam manifestar seu descontentamento com as medidas do governo de direita comandado por Mariano Rajoy (PP).

O pacote aumenta impostos e sacrifica funcionários públicos, aposentados e desempregados. Nem educação nem saúde foram poupados. Rajoy declarou que não gostaria de ter adotado as medidas, mas justificou que não havia outra opção para a Espanha, que precisa reduzir seu déficit para receber o resgate de 100 bilhões de euros da União Europeia para salvar seus bancos.

A interpretação exibida nas ruas é outra. Seja no “Manos arriba! Eso es un asalto!”, uma das palavras de ordem da caminhada, ou no cartaz com os dizeres “Nos roban dinero para dar a los banqueros”.

Ao invés de cortes nos salários e em áreas sociais, os manifestantes defendem menos dinheiro às instituições financeiras, menos cargos políticos, redução dos altos salários e nas benesses de parlamentares.

“Nesses últimos três meses, tivemos perdas que superam 5 mil euros. São 5 mil euros a menos por ano no nosso salário!”, denunciava o bombeiro José Luis Garcia, integrante de uma das classes que esteve em peso na passeata de Madri. “Nos tiraram salário extra, pagamento de Natal, seguro médico, auxílio-alimentação. Antes de fazer isso, poderiam extinguir pelo menos uns 80% dos cargos políticos desse país”, sugeriu.

Julián Sánchez, também bombeiro, exemplificou os efeitos negativos dos sucessivos recortes na corporação com o aumento do número de plantões e a falta de pessoal e de material de trabalho. “E os carros oficiais que deixam a disposição dos políticos? E o dinheiro para Fórmula 1 em Valência? Enfim, não se pode dizer que a única saída era tomar essas medidas. Há muito para cortar”.

Além de bombeiros, profissionais do canal de televisão Telemadrid, enfermeiros, profissionais da educação e até mesmo policiais engrossaram a marcha. A classe cultural também se mobilizou, com direito a presença ilustre do ator Javier Barden. “Cultura no es lujo”, era um dos dizeres do grupo.

A tese do corte de benesses à classe política foi repetida por vários ativistas, que se referiam a uma pesquisa divulgada neste ano, que revelou que a Espanha tem mais de 400 mil cargos políticos, número muito superior aos pouco mais de 100 mil que existem na Alemanha.

Olga Rosa e Maite Méndez, funcionárias da Universidade Carlos III de Madri, criticaram o desconto no salário dos servidores que ficam doentes. E disseram que há muito desperdício com dinheiro público, como recursos destinados a touradas, incentivadas por serem consideradas um bem cultural.

Julia Ogaña, funcionária do Estado de Madri, observou que a suspensão do salário extra e do pagamento de Natal não atinge parlamentares, que recebem esse valor diluído nos vencimentos mensais.

A administradora de empresas Nieves Palomares, 50 anos, está desempregada e vai ser atingida pelos cortes. Ela compara a ajuda de algumas centenas de euros recebida por quem está sem trabalho com salários em cargos públicos que superam 100 mil euros. “Não seria mais justo diminuir um pouco o soldo deles?”, questiona.

Reduzir recursos da Família Real ou cortar os benefícios fiscais da Igreja foram outras sugestões dos manifestantes. No manifesto lido na Puerta del Sol ao final da caminhada, ficou a promessa de que, enquanto o povo não for ouvido, permanecerá protestando na rua.

 

 

 

Piratas do Caribe são fichinhas

 

Texto de José de Souza Castro (publicado originalmente no blog da kikacastro)

 

O estudo intitulado “The Price of Offshore Revisited”, encomendado a James Henry, ex-economista chefe da consultoria McKinsey, pela ONG Tax Justice Network, é um soco no estômago dos super-ricos no mundo todo, principalmente no Brasil, que estão sempre a reclamar das elevadas taxas de impostos. Parece que lhes falta razão para o chororô, pois escondem boa parte de sua fortuna em paraísos fiscais para fugir dos impostos que deveriam estar pagando e, assim, contribuindo para o desenvolvimento do país. Os brasileiros estão entre os que mais enviam dinheiro para esses paraísos, alguns deles em ilhas do Caribe onde no passado piratas escondiam suas arcas do tesouro.

 

James Henry afirma que os super-ricos que fogem do pagamento dos impostos tinham em 2010 mais de 21 trilhões de dólares escondidos, com a ajuda de grandes bancos, escritórios de advocacia e firmas de investimentos. A cifra é grande, mais o autor admite que ela pode ser muito maior.

 

Segundo ele, o que se perde em arrecadação de impostos é suficientemente grande para fazer diferença significativa nas finanças de muitos países. Para Henry, a descoberta tem seu lado bom: “O mundo acaba de localizar um imenso estoque de riqueza financeira que poderia ser convocada a contribuir para a solução de nossos problemas globais mais prementes”, disse.

 

Suas pesquisas revelam que 100 mil clientes dos bancos UBS, Credit Suisse e Goldman Sachs enviaram para paraísos fiscais cerca de 9,8 trilhões de dólares, o que significa um enorme buraco negro na economia mundial.

 

Com base nesse estudo, a Agência Brasil informou hoje: “Os super-ricos brasileiros somaram até 2010 cerca de US$ 520 bilhões (ou mais de R$ 1 trilhão) em paraísos fiscais. Trata-se da quarta maior quantia do mundo depositada nesta modalidade de conta bancária.” E acrescenta que James Henry estima que entre 1970 e 2010, os cidadão mais ricos de 139 países aumentaram, de 7,3 trilhões para 9,3 trilhões, a riqueza “offshore” não registrada para fins de tributação.

 

Segundo John Christensen, diretor da Tax Justice Network, organização que combate os paraísos fiscais, “no caso do Brasil, quando vejo os ricos brasileiros reclamando de impostos, só posso crer que estejam blefando. Porque eles remetem dinheiro para paraísos fiscais há muito tempo”.

 

Enquanto isso, o leão da Receita Federal corre atrás de trabalhadores assalariados e de médicos e dentistas…

 

 

 

Moçambique: a maldição da abundância?

 

A “maldição da abundância” é uma expressão usada para caracterizar os riscos que correm os países pobres onde se descobrem recursos naturais objeto de cobiça internacional. Volto da visita que acabo de fazer a Moçambique com uma inquietação sobre a “orgia dos recursos naturais” que impacta o país.

 

Boaventura de Sousa Santos (WWW.cartamaior.com.br)

 

A “maldição da abundância” é uma expressão usada para caracterizar os riscos que correm os países pobres onde se descobrem recursos naturais objeto de cobiça internacional. A promessa de abundância decorrente do imenso valor comercial dos recursos e dos investimentos necessários para o concretizar é tão convincente que passa a condicionar o padrão de desenvolvimento económico, social, político e cultural.

Os riscos desse condicionamento são, entre outros: crescimento do PIB em vez de desenvolvimento social; corrupção generalizada da classe política que, para defender os seus interesses privados, se torna crescentemente autoritária para se poder manter no poder, agora visto como fonte de acumulação primitiva de capital; aumento em vez de redução da pobreza; polarização crescente entre uma pequena minoria super-rica e uma imensa maioria de indigentes; destruição ambiental e sacrifícios incontáveis às populações onde se encontram os recursos em nome de um “progresso” que estas nunca conhecerão; criação de uma cultura consumista que é praticada apenas por uma pequena minoria urbana mas imposta como ideologia a toda a sociedade; supressão do pensamento e das práticas dissidentes da sociedade civil sob o pretexto de serem obstáculos ao desenvolvimento e profetas da desgraça. Em suma, os riscos são que, no final do ciclo da orgia dos recursos, o país esteja mais pobre econômica, social, política e culturalmente do que no seu início. Nisto consiste a maldição da abundância.

Depois das investigações que conduzi em Moçambique entre 1997 e 2003 visitei o país várias vezes. Da visita que acabo de fazer colho uma dupla impressão que a minha solidariedade com o povo moçambicano transforma em dupla inquietação. A primeira tem precisamente a ver com a orgia dos recursos naturais. As sucessivas descobertas (algumas antigas) de carvão (Moçambique é já o sexto maior produtor de carvão a nível mundial), gás natural, ferro, níquel, talvez petróleo anunciam um El Dorado de rendas extrativistas que podem ter um impacto no país semelhante ao que teve a independência. Fala-se numa segunda independência. Estarão os moçambicanos preparados para fugir à maldição da abundância? Duvido.

As grandes multinacionais, algumas bem conhecidas dos latino-americanos, como a Rio Tinto e a brasileira Vale do Rio Doce (Vale Moçambique) exercem as suas atividades com muito pouca regulação estatal, celebram contratos que lhe permitem o saque das riquezas moçambicanas com mínimas contribuições para o orçamento de estado (em 2010 a contribuição foi de 0,04%), violam impunemente os direitos humanos das populações onde existem recursos, procedendo ao seu reassentamento (por vezes mais de um num prazo de poucos anos) em condições indignas, com o desrespeito dos lugares sagrados, dos cemitérios, dos ecossistemas que têm organizado a sua vida desde há dezenas ou centenas de anos.

Sempre que as populações protestam são brutalmente reprimidas pelas forças policiais e militares. A Vale é hoje um alvo central das organizações ecológicas e de direitos humanos pela sua arrogância neo-colonial e pelas cumplicidades que estabeleceu com o governo. Tais cumplicidades assentam por vezes em perigosos conflitos de interesses, entre os interesses do país governado pelo Presidente Guebuza e os interesses das empresas do empresário Guebuza donde podem resultar graves violações dos direitos humanos como quando o ativista ambiental Jeremias Vunjane, que levava consigo para a Conferência da ONU, Rio+20, denúncias dos atropelos da Vale, foi arbitrariamente impedido de entrar no Brasil e deportado (e só regressou depois de muita pressão internacional), ou quando, às organizações sociais é pedida uma autorização do governo para visitar as populações reassentadas como se estas vivessem sob a alçada de um agente soberano estrangeiro.

São muitos os indícios de que as promessas dos recursos começam a corromper a classe política de alto a baixo e os conflitos no seio desta são entre os que “já comeram “ e os que “querem também comer”. Não é de esperar que nestas condições, os moçambicanos no seu conjunto beneficiem dos recursos. Pelo contrário, pode estar em curso a angolanização de Moçambique. Não será um processo linear porque Moçambique é muito diferente de Angola: a liberdade de imprensa é incomparavelmente superior; a sociedade civil está mais organizada; os novos-ricos têm medo da ostentação porque ela zurzida semanalmente na imprensa e também pelo medo dos sequestros; o sistema judicial, apesar de tudo, é mais independente para atuar; há uma massa crítica de acadêmicos moçambicanos credenciados internacionalmente capazes de fazer análises sérias que mostram que “o rei vai nu”.

A segunda impressão/inquietação, relacionada com a anterior, consiste em verificar que o impulso para a transição democrática que observara em estadias anteriores parece estancado ou estagnado. A legitimidade revolucionária da Frelimo sobrepõe-se cada vez mais à sua legitimidade democrática (que tem vindo a diminuir em recentes atos eleitorais) com a agravante de estar agora a ser usada para fins bem pouco revolucionários; a partidarização do aparelho de estado aumenta em vez de diminuir; a vigilância sobre a sociedade civil aperta-se sempre que nela se suspeita dissidência; a célula do partido continua a interferir com a liberdade acadêmica do ensino e investigação universitários; mesmo dentro da Frelimo, e, portanto, num contexto controlado, a discussão política é vista como distração ou obstáculo ante os benefícios indiscutidos e indiscutíveis do “desenvolvimento”. Um autoritarismo insidioso disfarçado de empreendorismo e de aversão à política (“não te metas em problemas”) germina na sociedade como erva daninha.

Ao partir de Moçambique, uma frase do grande escritor moçambicano Eduardo White cravou-se em mim e em mim ficou: “nós que não mudamos de medo por termos medo de o mudar” (Savana, 20-7-2012). Uma frase talvez tão válida para a sociedade moçambicana como para a sociedade portuguesa e para tantas outras acorrentadas às regras de um capitalismo global sem regras.

 

 Boaventura de Sousa Santos é sociólogo e professor catedrático da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra (Portugal).

 

 

 

 VALE A PENA LER

O general francês que veio ensinar a torturar no Brasil

O general francês Paul Aussaresses, promotor do uso da tortura na guerra colonial da Argélia, foi adido militar no Brasil entre 1973-1975 e instrutor no Centro de Instrução de Guerra na Selva (CIGS), em Manaus, criado por oficiais brasileiros formados na não menos famosa Escola das Américas. Amigo do ditador João Figueiredo e do delegado Sérgio Fleury, Aussaresses já admitiu em livros e entrevistas a morte de um mulher sob tortura em Manaus, que teria vindo ao Brasil para espionar Figueiredo, e que a ditadura brasileira participou ativamente do golpe contra Allende. O artigo é de Eduardo Febbro.
http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=20601&boletim_id=1293&componente_id=21123

 

 

 

Chesnais: ‘Estamos navegando águas nunca dantes navegadas’
Em nível mundial, não se avista nenhuma “saída da crise” num horizonte temporal previsível. Assim como eu, outros já explicaram a necessidade inevitável, absoluta, de preparar-se para a perspectiva de uma grande quebra financeira e para tomar os bancos. Outro mundo é possível, certamente, mas não se poderá desenhá-lo senão na medida em que a ação abra caminho ao pensamento, o qual, mais do que nunca, não pode ser senão coletivo. No Século XVI, os navegantes ingleses forjaram a expressão “uncharted Waters”: águas nunca dantes navegadas, para as quais não havia carta náutica nem mapa algum. Hoje estamos nesta situação. O artigo é de François Chesnais.
http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=20596&boletim_id=1293&componente_id=21129

 

 

 

José Serra é o mais novo alvo da CPMI do Cachoeira
O candidato pelo PSDB à prefeitura de São Paulo recebeu uma doação milionária da esposa de um empreiteiro com histórico de prática de corrupção e envolvimento com a Delta, empresa apontada como braço da organização criminosa do contraventor Carlinhos Cachoeira. Outros tucanos também estão na berlinda. Há novas denúncias contra o governador de Goiás, Marconi Perillo, e a recomendação da abertura de processo por quebra de decoro parlamentar contra o deputado Carlos Leréia.
http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=20590&boletim_id=1288&componente_id=21068

Image

Sobre a intolerância

PAULO ROBERTO DE ALMEIDA

 

Religiões são construções humanas, profundamente humanas (no sentido social ou “societal”, da palavra). Elas podem ter sido elaboradas por algum “profeta” individual, mas são mais exatamente uma construção envolvendo mais de um ator. Como resultado de seu processo de “fabricação”, elas guardam íntima relação com os valores e as crenças normalmente partilhados por uma dada sociedade num determinado momento histórico… LEIA NA ÍNTEGRA: http://espacoacademico.wordpress.com/2012/07/21/sobre-a-intolerancia/

 

 Biografias de Rosa Luxemburgo

 

ANTONIO OZAÍ DA SILVA

 

As imagens, diálogos e falas da personagem principal do filme Rosa Luxemburgo, dirigido por Margarethe von Trotta, nos oferecem um perfil biográfico dessa admirável mulher… LEIA NA ÍNTEGRA: http://espacoacademico.wordpress.com/2012/07/18/biografias-de-rosa-luxemburgo/

Image

 

Leia no WWW.outraspalavras.net

 

O que os professores, em greve, podem ensinar
Felizmente, já não faltam recursos ao governo Dilma. Falta, sim, uma visão menos convencional sobre o futuro do país e da democracia. Por Antonio Martins

Por que as universidades continuam paradas
Depois de 60 dias de greve, negociações foram abertas. Mas a primeira proposta do governo é pífia e ilusória.Por Laís Bellini

Dois meses de mobilização
Estratégia do governo parece ser protelar. Alastramento da greve para outros setores sugere que aposta pode ser de alto risco. Por Bruna Bernacchio

Universidade, trabalho e sociedade
Maiorias têm todo direito de reivindicar acesso ao ensino superior. Mas tal conquista será vã, se prosseguir descaracterização das instituições. Por Myriam Bahia Lopes

 

 Uma África além da miséria
Jornalistas brasileiros buscam financiamento alternativo para entender influência cultural do continente e superar noticiário baseado no sensacionalismo. Por Cauê Seigner Ameni

Maias manejavam abastecimento d’água há 2 mil anos
Novo estudo antropológico revela que rede, na atual Guatemala, incluía barragens, reservatórios, canais de distribuição e até mecanismos de filtragem. Por Daniela Frabasile

 

Image

MATÉRIA DO CAFÉ HISTÓRIA: A REVOLUÇÃO DAS FONTES DIGITALIZADAS 

Biblioteca Nacional digitaliza boa parte de sua hemeroteca e contribui de forma decisiva para a consolidação de uma verdadeira revolução no trabalho de pesquisa acadêmica no Brasil

Leia mais sobre o projeto: http://cafehistoria.ning.com/page/materia-do-cafe-historia-fontes-historicas-digitalizadas 

CAFÉ EXPRESSO NOTÍCIAS: OPERAÇÃO CONDOR

Historiador afirma que atividades da Operação Condor começaram cinco anos antes de sua instalação oficial

Leia mais sobre esta notícia em: http://cafehistoria.ning.com [Página Principal]


MURAL DO HISTORIADOR: OLIMPÍADA NACIONAL EM HISTÓRIA DO BRASIL

O Museu Exploratório de Ciências – Unicamp está recebendo desde o dia 01/06/2012, as inscrições para a 4ª Olimpíada Nacional em História do Brasil (ONHB)

Saiba mais sobre essa notícia: http://cafehistoria.ning.com [Página Principal]


DOCUMENTO HISTÓRICO:  REVISTA BRASILEIRA DE HISTÓRIA

Novo número do periódico já está disponível na internet

Saiba mais:
 http://cafehistoria.ning.com [Página Principal]


CONTEÚDO DA SEMANA: VIDEOCONFERÊNCIA COM CARLOS FICO

A gravação da videoconferência que o Café História transmitiu ao vivo, recentemente, com Carlos Fico está disponível

Saiba mais:
 http://cafehistoria.ning.com [Página Principal]


Visite Cafe Historia em: http://cafehistoria.ning.com/?xg_source=msg_mes_network

Publicado em Uncategorized | Publicar um comentário

Numero 336

Image

O boletim de hoje (antecipado, porque viajo amanhã), trata, principalmente, do escândalo financeiro dos juros (a tal taxa Libor). Mas temos também um artigo interessantíssimo a respeito de telegramas divulgados pelo Wikileaks e que dizem respeito ao Brasil.

Não deixem de ler! Vale muito a pena! E não se esqueçam de comentar, afinal:

Image

Image

ARTIGOS COMPLETOS

 

Mauro Santayana: O crime organizado pelos banqueiros

A invenção da moeda, contemporânea à do Estado, foi um dos maiores lampejos da inteligência humana. A primeira raiz indoeuropéia de moeda é “men”, associada aos movimentos da alma na mente, que chegou às línguas modernas pelo verbo sânscrito mányate (ele pensa). Sem essa invenção, que permite a troca de bens de natureza e valores diferentes, não teria havido a civilização que conhecemos.

Por Mauro Santayana, em seu blog

A construção das sociedades e sua organização em estados se fizeram sobre essa convenção, que se funda estritamente na boa fé de todos que dela se servem. Os estados, sempre foram os principais emissores de moeda. A moeda, em si mesma, é neutra, mas, desde que surgiu, passou a ser também servidora dos maiores vícios humanos. Com a moeda, vale repetir o lugar comum, cresceram a cobiça, a luxúria, a avareza – e os banqueiros.

A moeda, ou os valores monetários, mal ou bem, estavam sob o controle dos Estados emitentes, que se responsabilizavam pelo seu valor de face, mediante metais nobres ou estoques de grãos. Nos tempos modernos, no entanto, a sua garantia é apenas virtual. Os convênios internacionais se amarram a um pacto já desfeito, o Acordo de Bretton Woods, de 1944. A ruptura do contrato foi ato unilateral dos Estados Unidos, sob a presidência Nixon, ao negar a conversibilidade em ouro do dólar, moeda de referência internacional pelo Acordo.

Essa decisão marca o surgimento de uma nova era, em que o valor da moeda não se relaciona com nada de sólido. Os bancos, ao administrá-la, deveriam conduzir-se de forma a merecer a confiança absoluta dos depositantes e dos acionistas, e assegurar essa mesma confiabilidade às suas operações de crédito. O papel social dos bancos é o de afastar os usurários e agiotas do mercado do dinheiro. Mas não é desta forma que têm agido, sobretudo nestes nossos tempos de desmantelamento dos estados.Hoje, não há diferença entre um Shylock shakespereano e qualquer dirigente dos grandes bancos.

Na Inglaterra, o escândalo do Barclays, que se confessou o primeiro banco responsável pela manipulação da taxa Libor, provocou o espanto da opinião pública, mas não dos meios financeiros que não só conheciam o deslize, como dele se beneficiavam.

Segundo noticiou ontem El Pais, os dois grandes executivos da Novagalícia, surgida da incorporação de duas instituições oficiais da província galega – a NovaCaixa e a Caixa Galícia – e colocada sob o controle de Madri em setembro do ano passado, pediram desculpas aos seus clientes, por ter a instituição agido mal. Entre outros de seus malfeitos, esteve o de enganar pequenos investidores mal informados, entre eles alguns analfabetos, com aplicações de alto risco, ou seja, ancoradas em débitos podres, as famosas subprimes, adquiridas dos bancos maiores que operam no mercado imobiliário do mundo inteiro.

Além disso, os antigos responsáveis por esses desvios, deixaram seus cargos percebendo indenizações altíssimas. E os novos administradores tiveram sua remuneração reduzida, por serem as antigas absolutamente irracionais. Com todas essas desculpas, a Novagalícia quer uma injeção de seis bilhões de euros, a fim de regularizar a sua situação.

Este jornal reproduziu, ontem, artigo de The Economist, a propósito da manipulação da taxa Libor, por parte do Barclays, e disse, com a autoridade de uma revista que sempre esteve associada à City, que não há mais confiança nos maiores bancos, do mundo, como o Citigroup, o J.P.Morgan, a União de Bancos Suíços, o Deutschebank e o HSBC. Executivos desses bancos, de Wall Street a Tóquio, estão envolvidos na grande manipulação sobre uma movimentação financeira total de 800 trilhões de dólares.

Para entender a extensão da falcatrua, o PIB mundial do ano passado foi calculado em cerca de 70 trilhões de dólares, menos de dez por cento do dinheiro que circulou escorado na taxa manipulada pelos grandes bancos. A Libor, sendo a taxa usada nas operações interbancárias, serve de referência para todas as operações do mercado financeiro.

O mundo se tornou propriedade dos banqueiros. Os trabalhadores produzem para os banqueiros, que controlam os governos. E quando, no desvario de sua carência de ética, e falta de inteligência, os bancos investem na ganância dos derivativos e outras operações de saqueio, são os que trabalham, como empregados ou empreendedores honrados, que pagam. É assim que estão pagando os povos da Grécia, da Espanha, de Portugal, da Grã Bretanha, e do mundo inteiro, mediante o arrocho e o corte das despesas sociais, pelos governos vassalos, alem do desemprego, dos despejos inesperados, das doenças e do desespero, a fim de que os bancos e os banqueiros se safem.

Se os governantes do mundo inteiro fossem realmente honrados, seria a hora de decidirem, sumariamente, pela estatização dos bancos e o indiciamento dos principais executivos da banca mundial. Eles são os grandes terroristas de nosso tempo. É de se esperar que venham a conhecer a cadeia, como a está conhecendo Bernard Madoff. Entre o criador do índice Nasdaq e os dirigentes do Goldman Sachs e seus pares, não há qualquer diferença moral.

Os terroristas comuns matam dezenas ou centenas de cada vez. Os banqueiros são responsáveis pela morte de milhões de seres humanos, todos os anos, sem correr qualquer risco pessoal. E ainda recebem bônus milionários.

(http://maureliomello.blogspot.com.br/2012/07/banqueiros-os-verdadeiros-terroristas.html )

 

Taxa Libor ou o ouro dos tolos

Texto de José de Souza Castro (blog da Kikacastro)

A história do explosivo endividamento externo brasileiro, ocorrido nos últimos 30 anos, tem ligação estreita, mas ainda não conhecida em profundidade, com a fraude que acaba de ser descoberta na Inglaterra: o escândalo da Taxa Libor. Interessa ao Brasil, profundamente. Pois, à luz das descobertas, o governo poderá recorrer a tribunais internacionais para rever os termos dos contratos que continuam escorchando os contribuintes brasileiros.

O Brasil já havia descoberto que estava sendo espoliado por banqueiros internacionais ainda na década de 1980, como relata Stephen Kanitz em artigo recente, mas na época não teve condições para resolver o problema. A situação agora é outra, com o assunto já sendo discutido em tribunais no exterior. Mas continuamos pagando caro pelos pecados pós-golpe militar de 1964. Segundo esse mestre em Administração de Empresas pela Harvard University e ex-professor titular da USP, “desde 1964, dezenas de ministros e secretários da Fazenda assinaram sem pestanejar” contratos cujos juros “irão flutuar após a assinatura do contrato e os números revelados a posteriori”.

Uma maluquice, mas seus efeitos não seriam tão perversos, se 16 bancos ingleses que dão as informações diárias para estabelecer o valor de uma dessas taxas – a Libor – dessem informações corretas. Se não manipulassem a taxa para ganhar mais e prejudicar os devedores que assinaram os contratos. “A cláusula de juros da famosa dívida externa brasileira – e interna, por sinal – reza que o Governo do Brasil pagará a taxa Libor ou Selic, qualquer que venha a ser essa taxa no futuro”, escreveu Kanitz.

O endividamento externo brasileiro aumentou durante o chamado “milagre econômico” dos anos 70. No começo da década seguinte, ocorreu o choque financeiro decorrente da política do governo Reagan de elevação das taxas de juros, redução de impostos e rígido controle monetário. As medidas foram acompanhadas por outros países ricos e resultaram, de imediato, num aumento geral das taxas de juros cobradas nos empréstimos internacionais ao Brasil. A Prime-Rate, taxa americana, passou de 11,8% em 1978 para 21,5% em 1980. A Libor subiu de 12,3% para 17,5% no mesmo período. E os juros da dívida brasileira aumentaram de US$ 2,69 bilhões em 1978 para US$ 11,35 bilhões em 1982. Nesse intervalo, o que o governo gastava para honrar seus compromissos com a dívida passou de US$ 7,9 bilhões anuais para US$ 18,3 bilhões.

Começava a década perdida (não para os banqueiros internacionais) da história brasileira. E a situação piorou no começo deste século. “Em 2000, economistas da escola nominalista de FHC pioraram a situação lançando o Global Bond 40, com juros nominais fixos de 13% ao ano por quarenta anos, meses antes de a taxa Libor começar a cair para o atual patamar de 1,8%. Que lógica é essa? Não seria melhor lançar títulos com juros reais fixos, como incentivou a Euromoney vinte anos atrás, medida posteriormente adotada pelo governo americano, o que lhe permitiu lançar títulos com juros reais de 3%, os famosos TIPS?” – questiona Kanitz.

Voltando ao presente: para se defender, agora que foi pego com a boca na botija, o Barclays alega que está sendo vítima de perseguição, pois outros bancos mentiram ainda mais que ele, ao informar sobre o que estavam pagando para tomar empréstimos interbancários. Ou seja, a manipulação das taxas de juros foi geral – e nunca em favor do contribuinte brasileiro. Ou de seu governo, que recorria ao mercado internacional em busca de ouro, e trouxe de volta o ouro dos tolos.

Há quem ache que não será fácil encontrar todos os que ludibriavam nossos tolos sentados em postos importantes dos governos.

  

Por Marco Antonio L.

Do Opensante

Wikileaks: Revela gravíssima sabotagem dos EUA contra Brasil com aval de FHC e morte de um Brasileiro

Por Brasil um Pais de Todos

Telegramas revelam intenções de veto e ações dos EUA contra o desenvolvimento tecnológico brasileiro com interesses de diversos agentes que ocupam ou ocuparam o poder em ambos os países

Os telegramas da diplomacia dos EUA revelados pelo Wikileaks revelaram que a Casa Branca toma ações concretas para impedir, dificultar e sabotar o desenvolvimento tecnológico brasileiro em duas áreas estratégicas: energia nuclear e tecnologia espacial. Em ambos os casos, observa-se o papel anti-nacional da grande mídia brasileira, bem como escancara-se, também sem surpresa, a função desempenhada pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, colhido em uma exuberante sintonia com os interesses estratégicos do Departamento de Estado dos EUA, ao tempo em que exibe problemática posição em relação à independência tecnológica brasileira. Segue o artigo do jornalista Beto Almeida.

 O primeiro dos telegramas divulgados, datado de 2009, conta que o governo dos EUA pressionou autoridades ucranianas para emperrar o desenvolvimento do projeto conjunto Brasil-Ucrânia de implantação da plataforma de lançamento dos foguetes Cyclone-4 – de fabricação ucraniana – no Centro de Lançamentos de Alcântara , no Maranhão.

Veto imperial

O telegrama do diplomata americano no Brasil, Clifford Sobel, enviado aos EUA em fevereiro daquele ano, relata que os representantes ucranianos, através de sua embaixada no Brasil, fizeram gestões para que o governo americano revisse a posição de boicote ao uso de Alcântara para o lançamento de qualquer satélite fabricado nos EUA. A resposta americana foi clara. A missão em Brasília deveria comunicar ao embaixador ucraniano, Volodymyr Lakomov, que os EUA “não quer” nenhuma transferência de tecnologia espacial para o Brasil.

“Queremos lembrar às autoridades ucranianas que os EUA não se opõem ao estabelecimento de uma plataforma de lançamentos em Alcântara, contanto que tal atividade não resulte na transferência de tecnologias de foguetes ao Brasil”, diz um trecho do telegrama.

Em outra parte do documento, o representante americano é ainda mais explícito com Lokomov: “Embora os EUA estejam preparados para apoiar o projeto conjunto ucraniano-brasileiro, uma vez que o TSA (acordo de salvaguardas Brasil-EUA) entre em vigor, não apoiamos o programa nativo dos veículos de lançamento espacial do Brasil”.

Guinada na política externa

O Acordo de Salvaguardas Brasil-EUA (TSA) foi firmado em 2000 por Fernando Henrique Cardoso, mas foi rejeitado pelo Senado Brasileiro após a chegada de Lula ao Planalto e a guinada registrada na política externa brasileira, a mesma que muito contribuiu para enterrar a ALCA. Na sua rejeição o parlamento brasileiro considerou que seus termos constituíam uma “afronta à Soberania Nacional”. Pelo documento, o Brasil cederia áreas de Alcântara para uso exclusivo dos EUA sem permitir nenhum acesso de brasileiros. Além da ocupação da área e da proibição de qualquer engenheiro ou técnico brasileiro nas áreas de lançamento, o tratado previa inspeções americanas à base sem aviso prévio.

 Os telegramas diplomáticos divulgados pelo Wikileaks falam do veto norte-americano ao desenvolvimento de tecnologia brasileira para foguetes, bem como indicam a cândida esperança mantida ainda pela Casa Branca, de que o TSA seja, finalmente, implementado como pretendia o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Mas, não apenas a Casa Branca e o antigo mandatário esforçaram-se pela grave limitação do Programa Espacial Brasileiro, pois neste esforço algumas ONGs, normalmente financiadas por programas internacionais dirigidos por mentalidade colonizadora, atuaram para travar o indispensável salto tecnológico brasileiro para entrar no seleto e fechadíssimo clube dos países com capacidade para a exploração econômica do espaço sideral e para o lançamento de satélites. Junte-se a eles, a mídia nacional que não destacou a gravíssima confissão de sabotagem norte-americana contra o Brasil, provavelmente porque tal atitude contraria sua linha editorial historicamente refratária aos esforços nacionais para a conquista de independência tecnológica, em qualquer área que seja. Especialmente naquelas em que mais desagradam as metrópoles.

Bomba! Bomba!

O outro telegrama da diplomacia norte-americana divulgado pelo Wikileaks e que também revela intenções de veto e ações contra o desenvolvimento tecnológico brasileiro veio a tona de forma torta pela Revista Veja, e fala da preocupação gringa sobre o trabalho de um físico brasileiro, o cearense Dalton Girão Barroso, do Instituto Militar de Engenharia, do Exército. Giráo publicou um livro com simulações por ele mesmo desenvolvidas, que teriam decifrado os mecanismos da mais potente bomba nuclear dos EUA, a W87, cuja tecnologia é guardada a 7 chaves.

A primeira suspeita revelada nos telegramas diplomáticos era de espionagem. E também, face à precisão dos cálculos de Girão, de que haveria no Brasil um programa nuclear secreto, contrariando, segundo a ótica dos EUA, endossada pela revista, o Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares, firmado pelo Brasil em 1998, Tal como o Acordo de Salvaguardas Brasil-EUA, sobre o uso da Base de Alcântara, o TNP foi firmado por Fernando Henrique. Baseado apenas em uma imperial desconfiança de que as fórmulas usadas pelo cientista brasileiro poderiam ser utilizadas por terroristas , os EUA, pressionaram a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) que exigiu explicações do governo Brasil , chegando mesmo a propor o recolhimento-censura do livro “A física dos explosivos nucleares”. Exigência considerada pelas autoridades militares brasileiras como “intromissão indevida da AIEA em atividades acadêmicas de uma instituição subordinada ao Exército Brasileiro”.

Como é conhecido, o Ministro da Defesa, Nelson Jobim, vocalizando posição do setor militar contrária a ingerências indevidas, opõe-se a assinatura do protocolo adicional do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares, que daria à AIEA, controlada pelas potências nucleares, o direito de acesso irrestrito às instalações nucleares brasileiras. Acesso que não permitem às suas próprias instalações, mesmo sendo claro o descumprimento, há anos, de uma meta central do TNP, que não determina apenas a não proliferação, mas também o desarmamento nuclear dos países que estão armados, o que não está ocorrendo.

Desarmamento unilateral

A revista publica providencial declaração do físico José Goldemberg, obviamente, em sustentação à sua linha editorial de desarmamento unilateral e de renúncia ao desenvolvimento tecnológico nuclear soberano, tal como vem sendo alcançado por outros países, entre eles Israel, jamais alvo de sanções por parte da AIEA ou da ONU, como se faz contra o Irã. Segundo Goldemberg, que já foi secretário de ciência e tecnologia, é quase impossível que o Brasil não tenha em andamento algum projeto que poderia ser facilmente direcionado para a produção de uma bomba atômica. Tudo o que os EUA querem ouvir para reforçar a linha de vetos e constrangimentos tecnológicos ao Brasil, como mostram os telegramas divulgados pelo Wikileaks. Por outro lado, tudo o que os EUA querem esconder do mundo é a proposta que Mahmud Ajmadinejad , presidente do Irà, apresentou à Assembléia Geral da ONU, para que fosse levada a debate e implementação: “Energia nuclear para todos, armas nucleares para ninguém”. Até agora, rigorosamente sonegada à opinião pública mundial.

Intervencionismo crescente

O semanário também publica franca e reveladora declaração do ex-presidente Cardoso : “Não havendo inimigos externos nuclearizados, nem o Brasil pretendendo assumir uma política regional belicosa, para que a bomba?” Com o tesouro energético que possui no fundo do mar, ou na biodiversidade, com os minerais estratégicos abundantes que possui no subsolo e diante do crescimento dos orçamentos bélicos das grandes potências, seguido do intervencionismo imperial em várias partes do mundo, desconhecendo leis ou fronteiras, a declaração do ex-presidente é, digamos, de um candura formidável.

São conhecidas as sintonias entre a política externa da década anterior e a linha editorial da grande mídia em sustentação às diretrizes emanadas pela Casa Branca. Por isso esses pólos midiáticos do unilateralismo em processo de desencanto e crise se encontram tão embaraçados diante da nova política externa brasileira que adquire, a cada dia, forte dose de justeza e razoabilidade quanto mais telegramas da diplomacia imperial como os acima mencionados são divulgados pelo Wikileaks.

 NOTA

 Abaixo segue uma nota comentada pelo amigo Vladimir G. que também é muito interessante tratando se de possíveis sabotagens EUA x Brasil:

Em setembro de 2006, esse acidente se tornou a maior tragédia da história da aviação no Brasil, com 154 mortos. Aparentemente, uma colisão entre a ponta da asa de um jatinho Embraer com a fuselagem do 737 da Gol causou a queda do avião maior. Além de todas as notícias especulando as causas do acidente, a procura por corpos e destroços na floresta, os erros dos pilotos, as falhas dos radares… circulou na época um e-mail muito curioso, pra dizer o mínimo…

O autor do texto falava sobre uma equipe de cientistas brasileiros a bordo do avião. Segundo o texto, esses cientistas realizavam pesquisas sobre o uso de microorganismos em baterias elétricas, uma tecnologia revolucionária que permitiria a produção de baterias mais eficientes que as modernas baterias de lítio usadas em notebooks e celulares. Essa bateria de vírus seria mais potente, produzindo mais energia, em uma bateria menor e mais leve que as de lítio. Existem outras pesquisas sobre esse tipo de bateria, especialmente nos Estados Unidos, onde há um grande projeto sobre essas baterias. Porém, segundo o texto, o projeto brasileiro era ainda mais avançado e superava o americano. Infelizmente, a equipe de cientistas que trabalhava nesse projeto morreu no acidente.

Postado por Celio Roseno

 

VALE A PENA LER

Estados Unidos, Venezuela e Paraguai
A política externa norte-americana na América do Sul sofreu as consequências totalmente inesperadas da pressa dos neogolpistas paraguaios em assumir o poder, com tamanha voracidade que não podiam aguardar até abril de 2013, quando serão realizadas as eleições, e agora articula todos os seus aliados para fazer reverter a decisão de ingresso da Venezuela. A questão do Paraguai é a questão da Venezuela, da disputa por influência econômica e política na América do Sul. O artigo é de Samuel Pinheiro Guimarães.
http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=20570&boletim_id=1282&componente_id=20940

 

Ditadura brasileira soube do golpe contra Allende um mês antes
Documentos secretos do Itamaraty comprovam que a ditadura brasileira sabia do golpe de estado no Chile mais de um mês antes do presidente Salvador Allende (foto) ser deposto, reforçam a tese de que o Brasil foi, ao lado dos Estados Unidos, o principal articulador do golpe que derrubou o primeiro presidente socialista eleito pelo voto popular no mundo, e ainda demonstram o intenso monitoramento das atividades dos exilados brasileiros que viviam naquele país. A reportagem é de Najla Passos.
http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=20577&boletim_id=1284&componente_id=20970

 

Para bom entendedor, meia escultura basta

Monumento de guerra no coração de uma das cidades mais progressistas dos Estados Unidos inspira reflexão e a coluna de julho da historiadora Keila Grinberg. Em questão: a vitória da democracia ou a celebração da supremacia norte-americana?

http://cienciahoje.uol.com.br/colunas/em-tempo/para-bom-entendedor-meia-escultura-basta

Image

 

Leia no WWW.outraspalavras.net

Por que a Espanha vai ferver
Cresce onda de protestos contra corte radical de direitos, imposto pela troika. Sindicatos e M-15 convocam manifestação nacional. Por Pep Valenzuela, correspondente em Barcelona

Medicamentos, muito dinheiro, fraudes infinitas
Nos EUA, novos escândalos expõem comportamento antiético dos laboratórios e revelam: multas por fraudes já estão incluídas no preço dos remédios. Por Terry Macalister

Quem fraudou a eleição mexicana
Em 2006, houve até sumiço generalizado de cédulas. Agora, os fatores decisivos foram mídia e manipulação do medo. Por Mark Weisbrot

Letônia: aqui o Fundo Monetário expõe seu projeto
Após “austeridade”, 1/3 dos jovens emigrou, PIB caiu 23%, serviços públicos estão destruídos. Diretora-gerente do FMI elogia: “vocês ensinaram caminho”. Por Andy Robinson

Publicado em Uncategorized | Publicar um comentário

Numero 335

Image

Um aviso preliminar: evitem acessar o site outraspalavras, que indico sempre aqui. Ele foi vitima de um ataque de hackers e ainda não está totalmente recuperado.

Li, no domingo passado, a noticia que reproduzo do portal do Yahoo em primeiro lugar.

E nada como lembrar dois autores que estudaram a fundo os fascismos. O brasileiro Alcir Lenharo afirmou, em um de seus livros, que para uma abordagem histórica do fenômeno nazista, faz-se primordial desvendá-lo não como uma obra de meia dúzia de endemoninhados; é preciso alcançar a dimensão social de uma experiência originária de sérios embates, fruto da crise porque passava o mundo capitalista. (LENHARO, Alcir. Nazismo: o triunfo da vontade. São Paulo: Ática, 1986, p.11)

E Félix Guattari nos lembra que o fenômeno fascista não se pode restringir às décadas de 1920 e 1930: dever-se-ia, portanto, renunciar definitivamente a fórmulas demasiado simplistas do gênero: “o fascismo não passará”. Ele não só já passou, como passa sem parar. Passa através da mais fina malha; ele está em constante evolução; parece vir de fora, mas encontra sua energia no coração do desejo de cada um de nós. Em situações aparentemente sem problemas, catástrofes podem aparecer de um dia para o outro. (GUATTARI, Felix. Revolução Molecular: pulsações políticas do desejo. 3.ed., São Paulo: Brasiliense, 1987,p. 189).

Que grupos neofascistas e neonazistas existiam desde há muito tempo, já era sabido. Só que agora a situação se torna mais densa e mais tensa, porque um partido político está sendo a salvaguarda de grupos armados (fasci) com idéias de xenofobia explícita… O que vem pela frente? Como disse o Alcir Lenharo, o fascismo foi e é fruto da crise porque passava o mundo capitalista. E nós estamos em plena crise!

Image

ARTIGOS COMPLETOS

 

Neonazistas gregos tomam as ruas após conquista no Parlamento

Andrés Mourenza.

Atenas, 7 jul (EFE).- Após convencer mais de 400 mil gregos com seu discurso xenófobo e conseguir uma histórica entrada no Parlamento de Atenas, o partido neonazista Aurora Dourada ampliou agora sua presença nas ruas, com ataques a estrangeiros e ameaças a comerciantes imigrantes.

“No sábado 23 de junho, chegaram uns 30 ou 35 neonazistas. Alguns vinham de moto e todos estavam armados com bastões e protegidos com capacetes. Entraram em minha loja e me disseram: “Não queremos você aqui. Este é nosso país e não o seu. Vá embora. Tem uma semana para fechar esta loja”, disse à Agência Efe o paquistanês Ahmet Nadim, que administra uma videolocadora no bairro ateniense de Nikea.

Seu caso não é único. Os estabelecimentos contíguos, uma barbearia e uma mercearia, administrados por imigrantes, também foram ameaçados, enquanto a polícia, situada a 30 metros de onde ocorria, não interveio.

“Tenho vários alunos que se queixaram do mesmo. Alguns foram ameaçados de atear fogo em seus estabelecimentos comerciais”, destaca Katerina, professora de grego em um centro social para imigrantes.

“Eu tenho os papéis certos, pago meu aluguel e meus impostos”, queixa-se Nadim, que vive na Grécia há dez de seus 35 anos.

A crise econômica, as medidas de austeridade, o elevado desemprego e a alta imigração legal e ilegal serviram de incentivo ao crescimento do Aurora Dourada, que ganhou influência com os bons resultados eleitorais: enquanto no pleito de 2009 a legenda tinha recebido 0,3% dos votos, dessa vez registrou quase 7%.

Nikea foi tradicionalmente um celeiro de votos comunistas, pois não esquece a batalha que seus habitantes travaram contra os ocupantes nazistas em 1944. A revolta foi reprimida pelas tropas alemãs e centenas de moradores foram executados.

Ainda neste sábado, mais de 60% dos votos do bairro vão à esquerda (Syriza e Partido Comunista, especialmente), mas o Aurora Dourada foi o terceiro partido mais votado nas últimas eleições, com quase 9%, e desde  a inauguração do escritório local do partido neonazista, em maio, os ataques aumentaram no bairro.

Segundo Javet Aslam, presidente da comunidade paquistanesa na Grécia, cerca de 300 imigrantes ficaram feridos em agressões racistas nos últimos três meses.

Um dia de meados de junho, às 6h da manhã, o paquistanês Ghuldam Murtza estava a caminho do trabalho quando foi visto por quatro motoqueiros. Eles mudaram o sentido para persegui-lo e o espancaram até que sofreu severas contusões na cabeça e teve o nariz quebrado.

“Se os membros do Aurora Dourada encontram um imigrante sozinho, sobretudo de noite, o enviam para o hospital. E isso ocorre diariamente”, denuncia Mohammed, que trabalha no mercado do bairro.

Por isso, na quinta-feira passada, a União de Trabalhadores Imigrantes e o Movimento Unido Contra o Racismo e a Ameaça Fascista convocou em Nikea uma manifestação de apoio aos imigrantes, exigindo o fim da violência e o fechamento da sede do partido neonazista no bairro.

Cerca de mil pessoas, em sua maioria imigrantes paquistaneses, se reuniram sob o lema: “Aurora Dourada é uma gangue neonazista. Nem no Parlamento nem em nenhum lugar, fora os fascistas dos bairros”.

Cerca de 200 militantes do Aurora Dourada isolaram a rua de sua sede e, armados com bastões e escudos pintados com o símbolo da antiga Esparta, se apertavam em formação.

“Estamos aqui para proteger nossa sede. É ridículo e inaceitável que paquistaneses, indianos e árabes se manifestem pedindo a ilegalização de um partido que está no Parlamento”, critica Ioannis Lagos, um dos homens no comando da legenda e guarda-costas habitual do líder neonazista, o ex-militar Nikolaos Michaloliakos.

Outro porta-voz local do partido, Giorgos Patelis, acusa os imigrantes de cometerem roubos e protagonizarem episódios de violência “diariamente” no bairro e que seus homens se limitam a “comparecer em ajuda dos cidadãos gregos quando estes o pedem”, o que implica patrulhar as ruas.

Patelis nega ter ameaçado os paquistaneses e afirma que seu partido utiliza meios “legais” para suas ações. Além disso, ele menciona que o principal dos objetivos do grupo é “que todos os imigrantes vão embora”, pois, para os neonazistas, “nenhum é legal”.

“Não é verdade! Os que nos ameaçaram se apresentaram abertamente como membros do Aurora Dourada. O problema é que fomos denunciá-lo à Polícia e nos disseram que eles não podiam fazer nada”, protesta Aslam.

 

Enviado pela amiga e leitora Sandra Araujo:

Câmara analisa projeto de lei que pune violência contra o professor

Image

A Câmara dos Deputados analisa o Projeto de Lei 267/11, da deputada Cida Borghetti (PP-PR), que estabelece punições para estudantes que desrespeitarem professores ou violarem regras éticas e de comportamento de instituições de ensino.

 Em caso de descumprimento, o estudante infrator ficará sujeito a suspensão e, na hipótese de reincidência grave, encaminhamento à autoridade judiciária competente.

 A proposta muda o Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei 8.069/90) para incluir o respeito aos códigos de ética e de conduta como responsabilidade e dever da criança e do adolescente na condição de estudante.

 Indisciplina

De acordo com a autora, a indisciplina em sala de aula tornou-se algo rotineiro nas escolas brasileiras e o número de casos de violência contra professores aumenta assustadoramente. Ela diz que, além dos episódios de violência física contra os educadores, há casos de agressões verbais, que, em muitos casos, acabam sem punição.

 O projeto, que tramita em caráter conclusivo, será analisado pelas comissões de Seguridade Social e Família; de Educação e Cultura; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.

 Quando eu era estudante do ensino médio, os meus professores me serviam de referência, era possível ser amiga deles. Ao mesmo tempo em que podíamos brincar com eles, havia um respeito enorme por aqueles que nos ensinavam um pouco mais dia a dia. É muito triste perceber que o desrespeito e a violência ao professor imperam no dia de hoje.

Amannda Oliveira

http://www.blogfalandofrancamente.com/2011/04/camara-analisa-projeto-de-lei-que-pune.html

 

VALE A PENA LER

 

Image

O ensino de História e a construção da identidade nacional brasileira na Era Vargas (1930-1945) – Márcio Fagundes Alves;

Formação de professores de história: sujeitos de saberes e conhecimentos – Valéria Alves Guimarães;

Sentidos do passado: o ensino da história nacional nas galerias do Museu Mariano Procópio – Carina Martins Costa e Robert Daibert Junior;

Arquivos, memória e história local – a experiência educativa do Arquivo Histórico de Juiz de Fora – Elione Silva Guimarães;

“Hoje tem aula de leitura de imagem?” Cultura Visual e Ensino de História – Anderson Ferrari;

Admirável mundo novo (?) As tic e o ensino de história – Rosilãna Aparecida Dias.

Estes são os temas e os autores dos capítulos que compõem este belo livro recentemente editado em Juiz de Fora pela Secretaria de Educação daquele município.

São seis capítulos que se interpenetram, oferecendo um painel bem amplo para os professores de História e os estudantes também. Desde o histórico da utilização da História para se tentar construir a identidade nacional, que, evidentemente, não se limitou à Era Vargas, mas que teve nela seu primeiro e claro objetivo, passando pela identificação dos saberes e conhecimentos que os professores mobilizam no espaço escolar, e chegando aos museus, entendidos como instrumentos pedagógicos ainda pouco utilizados. Também a utilização dos Arquivos pode contribuir para dinamizar o ensino da história, da mesma forma que as imagens e as tecnologias de informação e comunicação.

Recomendo. Vale a pena ler e refletir!

O melhor de tudo: o livro é grátis, conforme nos diz o autor:

“não há venda, mas doação, pois foi financiado pelo Fundo de Apoio à Pesquisa da Educação Básica, política de fomento à formação de professores da Secretaria de Educação da Prefeitura de Juiz de Fora. Caso alguém tenha interesse, entre em contato pelo meu e-mail – fagundes18@yahoo.com.br  – que posso enviar a obra.”

  

Escândalo da taxa libor pode ser um “golpe devastador”
O escândalo envolve cerca de 20 grandes bancos internacionais e um mercado de cerca de 500 trilhões de dólares, quatro vezes o PIB dos Estados Unidos. Em entrevista à Carta Maior, o professor de Economia do Centro de Investigação de Mudança Sócio-Cultural (CRESC), da Universidade de Manchester, Michael Moran, assinalou que este escândalo pode ser um golpe devastador na frágil credibilidade do sistema financeiro internacional. A reportagem é de Marcelo Justo, direto de Londres.
http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=20542&boletim_id=1273&componente_id=20755

Décadas depois, Operação Condor ainda gera polêmica
Considerada a maior operação de terrorismo de estado praticada contra a população da América Latina, a Operação Condor ainda está envolta em controvérsia. Os pontos mais obscuros são a data efetiva do início da operação, o grau de participação dos EUA. O consenso é que a operação foi oficializada em reunião realizada no Chile, em 1975. Assinam sua ata de fundação representantes dos governos de Argentina, Paraguai, Uruguai, Bolívia e Chile.
http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=20539&boletim_id=1272&componente_id=20736

 O novo rosto da esquerda paraguaia
Depois do golpe parlamentar que destituiu Fernando Lugo da presidência paraguaia, Mario Ferreiro (foto), apresentador de televisão muito conhecido no país, mantém a sua candidatura pela coalizão de esquerda e pede pragmatismo e rapidez frente a um novo cenário político. Se for eleito candidato pela Frente Guazú, Ferreiro deverá competir com o mais provável vencedor das eleições primárias liberais, Blas Llano (presidente do partido), e o homem que mais ressoa entre os colorados, o pecuarista Horacio Cartes. A reportagem é de Mercedes López San Miguel, do Página/12 http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=20551&boletim_id=1274&componente_id=20781

Mudanças na economia estão no rumo certo, defende economista
Em entrevista à Carta Maior, José Gabriel Palma, economista da Universidade de Cambridge e especialista em economia comparada, defende as mudanças que vêm sendo implementadas pelo governo Dilma Rousseff. Segundo ele, o Brasil está fazendo a coisa certa ao mudar sua política de juros altos e sua política cambial para um modelo baseado na redução dos juros e em um ajuste da taxa de câmbio acompanhados de um programa de estímulo fiscal e de política industrial. “É uma retificação necessária”, afirma. A reportagem é de Marcelo Justo.
http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=20561&boletim_id=1277&componente_id=20864

 A luta de classes na Europa e as raízes da crise econômica mundial (I)
A situação europeia não pode ser compreendida sem considerar a situação da economia mundial em sua totalidade. Hoje, após a reintegração da China e a plena incorporação da Índia na economia capitalista mundial, a densidade das relações de interconexão e a velocidade de interações no mercado alcançaram um nível jamais visto anteriormente. O que prevalece hoje na arena mundial é o que Marx chama de “anarquia da produção”. Alguns Estados, os que ainda têm meios para isso, são cada vez mais os agentes ativos dessa competição. E único Estado que conserva esses meios na Europa continental é a Alemanha. O artigo é de François Chesnais.
http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=20557&boletim_id=1277&componente_id=20853     

 Sobre a “neutralidade ética” nas Ciências Sociais e a Fundação Ford, com pequena fábula de caráter ilustrativo ou talvez elucidativo

SILVIA BEATRIZ ADOUE

A principal referência teórica do nosso cientista é, sem dúvida, Max Weber – para quem não cabe ao sociólogo julgar os valores dos grupos sociais que estiver analisando. De fato, a “neutralidade axiológica” foi uma tomada de posição fundamental para retirar as Ciências Sociais do domínio da moral teológica. Ainda assim, Weber não pretendia que o sociólogo devesse eximir-se da responsabilidade ética em relação ao seu lugar de cientista e ao seu trabalho como sociólogo pois é ela que impede a redução do fazer científico ao exercício de uma razão instrumental que se limitasse a valorizar procedimentos eficazes independentemente dos fins aos quais serve (WEBER, 1974)… LEIA NA ÍNTEGRA: http://espacoacademico.wordpress.com/2012/07/07/sobre-a-neutralidade-etica-nas-ciencias-sociais-e-a-fundacao-ford-com-pequena-fabula-de-carater-ilustrativo-ou-talvez-elucidativo/

 

A REA 134, Julho de 2012, ANO XII, está on-line.

Acesse a revista diretamente pelo site: http://www.periodicos.uem.br/ojs/index.php/EspacoAcademico/issue/current

Destacamos nesta edição o

DOSSIÊ – FILOSOFIA & EDUCAÇÃO (Orgs.: Raimundo Rajobac & Cristiano Eduardo Wendt)

 São Paulo entre 5 e 9 de julho
As comemorações de 9 de julho em São Paulo exaltam uma rebelião oligárquica de oito décadas atrás. Curiosamente, outra revolta, deflagrada em 5 de julho de 1924, que contou com forte componente popular, passa em brancas nuvens nos calendários oficiais.

http://www.cartamaior.com.br/templates/colunaMostrar.cfm?coluna_id=5672&boletim_id=1275&componente_id=20819

 

Image

Publicado em Uncategorized | Publicar um comentário