Numero 339

 

 

ImageO assunto principal de hoje é o julgamento que se faz no STF sobre o “tal do mensalão”. Como nos mostra André Araujo, é um verdadeiro teatro de hipocrisia o que estamos assistindo. Ainda bem que nem todos assistem, afinal as Olimpíadas costumam ser algo um pouco mais sério do que essa farsa que se apresenta ante nossos olhos e ouvidos.

 

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ARTIGOS COMPLETOS

 

MENSALÃO, UM CASO DE HIPOCRISIA POLÍTICA –

Por André Araújo

 Movimentos para constituição de base de apoio parlamentar ao Governo existem no Brasil desde o Império sob diversas roupagens e formulas.

As Presidências de Getúlio Vargas em 1950, de Jânio Quadros em 1960 e de João Goulart em 1961 sofreram da mesma doença mortal da falta de base parlamentar que os levou a trágico fim.

A Presidência JK soube se compor com altos custos e sobreviveu, com dificuldades, ao processo de contestação parlamentar que nunca se deu em nenhum caso em torno de programas e ideias e sim em função de verbas e cargos. O ponto de partida é a desfuncionalidade do sistema politico brasileiro que vem desde muito tempo e é a causa de instabilidade quase que permanente, só sanável por mecanismo de cooptação, dos quais o “”mensalão”” é apenas um deles, sem o que o Presidente não governa o Pais e passa todo o seu mandato resolvendo crises sucessivas gerados pelos “”sócios””.

A partir da Nova República o nome desse movimento era “”Centrão”” ajustado em torno de cargos e verbas, no Governo FHC foi mais discreto mas requereu operação similar, no Governo do PT fez-se uma variante.

O problema é a imperfeição do sistema político e não o remédio tentando mantê-lo vivo.

É uma enorme hipocrisia combater o remédio que é o mecanismo de cooptação parlamentar e não a doença, que é a disfunção secular do sistema politico brasileiro que exige esse tipo de remédio que não cura a doença mas controla a febre.

A imprensa, o Ministério Público e a oposição não gastaram com a doença 1% do tempo, da energia e da indignação que gastaram com o remédio e com tentativas de imolação para aplacar os deuses.

A peça acusatória do MP prega um discurso moralista como se o Brasil fosse a Finlândia e os acontecimentos narrados fossem nunca dantes vistos. Todos fingem que o Brasil é um mosteiro de apóstolos e que a turma do Mensalão surgiu das profundezas do inferno para macular a pureza da política brasileira, chocada com tal desfaçatez, como se todos não fossem parceiros do butim.

É o apogeu da hipocrisia, a cooptação é uma necessidade do paciente, que é o Brasil, sem o qual esse Pais é ingovernável. Para evitar o remédio tem-se que curar a doença, que é o excesso de partidos, o caciquismo que vira dono de cada partido, a política como meio de vida desde os 18 anos, com netos e filhos de políticos perpetuando dinastias, é a profissionalização do uso de cargos para enriquecer, é a campanha política como negócio rendoso, um conjunto de práticas que pode-se denominar “”a comilança””, que suga metade da arrecadação fiscal, se não for mais, tal qual os nobres de Versalhes sugavam a França para manter seu ócio.

Os delitos do Mensalão, se os houve, não são corrupção para fins pessoais, foram mais um mecanismo de cooptação para tentar alguma governabilidade e devem ser analisados dentro desse contexto e não como crime de quadrilha, todos sabem disso e fingem que não sabem, é o velho espírito da Inquisição ibérica baixando de novo, queimava-se um qualquer, pego por alegado crime de bruxaria, para preservar mil outros iguais ou piores.

O ridículo é achar que o Brasil vai ser reformado ou passado a limpo com esse Auto-da-Fé.

Todos sabem que não vai, nem vai diminuir um milésimo a corrupção no varejo e no atacado, que é inerente do sistema político ai posto para isso mesmo e que ninguém propõe mudar para melhorar, não há nenhum projeto sequer cogitado para eliminar a aberração de vinte senadores sem um único voto, suplentes por parentesco, compadrio ou sociedade, um dos eixos da corrupta política brasileira.

O processo do Mensalão e sua acusação de cinco horas servem para isso mesmo, cenas de efeitos especiais para deixar tudo como está porque ninguém cogita mudar coisa alguma.

fonte: http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/a-historia-dos-movimentos-de-composicao-de-apoio-parlamentar

 

O escândalo que ninguém quer ver

http://maureliomello.blogspot.com.br/2012/08/o-escandalo-que-ninguem-quer-ver.html

A investigação mobilizou um conjunto de jornalistas experientes. A redação de Brasília não era grande o bastante para a abrangência pretendida. Tínhamos que estar representados simultaneamente no Rio Grande do Sul, no Paraná, no Rio de Janeiro, em São Paulo, no interior e no litoral do estado, em Minas, Goiás e na Capital Federal.

Produtores, repórteres e editores, entre eles, este aqui, foram à campo. Objetivo: puxar cada ponta do novelo apelidado de Mensalão. A palavra mensalão tinha não apenas o poder de síntese, mas um apelo popular magnífico. Nossa tarefa era provar a existência da suposta ação sistemática do Governo para comprar votos no parlamento.

Naquele tempo corriam em paralelo várias CPIs. A sensação, para os que viam o país a partir dos noticiários, era a de que o Brasil tinha parado. Uma delas até foi apelidada de “Fim do Mundo”. Que ilusão a nossa… O Brasil seguia seu curso, silenciosamente, distribuindo renda e minorando a dor dos excluídos, bem longe das capitais e do centro-sul. Basta levantar dados comércio no Natal de 2005.

Ao cruzar tantas informações sobre banco de sangue, ambulâncias, genéricos, loterias, seguros e resseguros, conselhos administrativos de estatais, verbas publicitárias, correios, sistema bancário “alternativo”, caixas paralelos de campanha e embate político, chegamos à conclusão de que, apesar da corrupção disseminada, não era possível diferenciar réu, vítima e algoz.

Todos, repito, todos faziam parte da mesma lógica. Não havia um só partido político, à exceção dos nanicos, que não tivesse “as mãos sujas”. Numa das sessões, por exemplo, o então deputado Roberto Jefferson, atacado pela senadora Heloísa Helena, respondeu: vossa excelência pode até não ter participado, ainda. Quando disputar uma campanha majoritária isso vai acontecer…

Ao descobrirmos (em 2005!) via Marcos Valério, que a lógica era a mesma desde a campanha de 1998, em Minas, levamos ao conhecimento de nossa chefia de que tratava-se de uma cultura política, um “modus operandi” disseminado pelo Brasil afora, indiscriminadamente…

Responderam-nos que não haveria censura. Era para investigarmos a todos, indistintamente. Se houvesse indícios fortes o bastante as reportagens iriam ao ar. Que ingenuidade a nossa… Produzíamos reportagens contextualizando e elas eram cortadas. Demonstrávamos a lógica, mas o que se referia aos partidos “amigos”, tudo era arquivado.

Eventualmente, uma ou outra história era exibida num dos telejornais de menor alcance. Como havia um bombardeio de novas informações a cada dia, parte do material ficava à deriva na programação.

O escândalo do mensalão, agora em letra minúscula, foi o Imageescândalo da partidarização explícita da imprensa. Nunca ficou tão claro para nós onde queriam chegar e do que eram capazes os inimigos ferozes de Lula, Zé Dirceu e Palocci.

O mal estar foi até as eleições de 2006, quando a imprensa em coro tentou eleger seu candidato sem escrúpulos. Inventaram pesquisas de opinião, tramaram dossiês, omitiram, quebraram sigilo dos adversários, intimidaram e perseguiram. Sobre tudo isso fui testemunha ocular e posso garantir: foi o maior escândalo midiático da história do país.

Ou vocês acham que, se tudo tivesse corrido na base da legalidade e do bom jornalismo teríamos nomes como Carlos Dorneles, Luiz Carlos Azenha, Luiz Malavolta, Rodrigo Vianna, Luiz Nassif, Paulo Henrique Amorim, Heródoto Barbeiro e tantos outros, hoje, do lado de lá do front?

Mas por que José Alencar na ilustração do post? Foi ele o primeiro a farejar o golpe e cerrar fileiras ao lado de Lula. José Alencar também era alvo de ataques em 2005, porque participou da compra do apoio do PL, nas eleições municipais de 2002.

Curiosamente, depois de morrer, foi bajulado pela imprensa, a mesma imprensa que tramou o golpe anunciado. Talvez por isso a família dele sempre preferiu distância dos políticos, dos bajuladores e principalmente dos abutres da imprensa.

 

VALE A PENA LER

 

Como a Carta Magna se tornou uma carta menor (I)
Em algumas gerações chegaremos ao milênio da Carta Magna, um dos grandes acontecimentos no estabelecimento dos direitos civis e humanos. Não está claro ainda se haverá motivo para celebração. E isso deveria ser objeto de grave e imediata preocupação. Não é uma perspectiva atraente caso persistam as atuais tendências de ataque e destruição de direitos. O certo é que ainda há um longo caminho para se realizar a promessa da Carta Magna. O artigo é de Noam Chomsky.
http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=20675&boletim_id=1315&componente_id=21606

 

Banco JP Morgan, presságio de novo Apocalipse
A economia mundial enfrenta o risco de uma nova queda. A crise atual poderá ser apenas o preâmbulo de novo Apocalipse. O exemplo mais recente é o das perdas de mais de 2 bilhões de dólares do JP Morgan em maio, por ter cometido erros flagrantes, segundo as palavras do seu arrogante chefe Jamie Dimon. O poderia do mercado financeiro segue impedindo a adoção de regras para conter a especulação. O artigo é de Alejandro Nadal.
http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=20669&boletim_id=1314&componente_id=21563

 

“Houve extermínio sistemático de aldeias indígenas na ditadura”
Perseguido pela ditadura, José Humberto Costa do Nascimento, o Tiuré Potiguara, abandonou seu trabalho na Funai, viveu escondido na floresta amazônica e, após conseguir deixar o Brasil, foi reconhecido como refugiado pelo governo do Canadá. Agora, de volta ao país, ele aguarda a Comissão de Anistia julgar seu pedido de reconhecimento como vítima do regime e quer a ajudar a Comissão Nacional da Verdade a resgatar a história do que classifica como “genocídio indígena praticado pela ditadura”.
http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=20650&boletim_id=1309&componente_id=21449

 

Não há verdade que se esconda para sempre
No dia 11 de junho de 2012, uns meninos que brincavam num terreno do subúrbio de San Fernando, vizinho a Buenos Aires, acharam três tonéis. Estavam cheios de cimento. Os meninos viram ossos misturados ao cimento. Ossos humanos. A polícia descobriu que nos outros dois tonéis também havia cimento e ossadas humanas. Depois das análises dos médicos legistas, confirmou-se que uma das ossadas pertencia a um cubano sequestrado e morto 36 anos antes, durante a ditadura encabeçada pelo general Jorge Videla. O artigo é de Eric Nepomuceno.

http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=20662&boletim_id=1311&componente_id=21501

 

O que vai salvar o euro?
O mercado financeiro está acreditando que o Banco Central Europeu pode salvar o euro? O problema é que não há plano B sobre a mesa. Com um endividamento de 82% sobre o PIB, com uma economia que começa a desaquecer e que desde a criação do euro só cresceu 1,4%, em média (menos que a França, Holanda e o conjunto da zona do euro), com uma chanceler democrata cristã, Angela Merkel, casada com o credo conservador, a Alemanha parece decidida ao não dar passo novo algum. O artigo é de Marcelo Justo.
http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=20665&boletim_id=1311&componente_id=21502

A “caça às bruxas”: uma interpretação feminista

ROSÂNGELA ANGELIN

A “caça às bruxas é um elemento histórico da Idade Média. Entre os séculos XV e XVI o “teocentrismo” – Deus como o centro de tudo – decai dando lugar ao “antropocentrismo“, onde o ser humano passa a ocupar o centro. Assim, a arte, a ciência e a filosofia desvincularam-se cada vez mais da teologia cristã, conduzindo, com isso a uma instabilidade e descentralização do poder da Igreja. Como uma forma de reconquistar o centro das atenções e o poder perdido, a Igreja Católica instaurou os “Tribunais da Inquisição”, efetivando-se assim a “caça às bruxas“. Mas quem eram, enfim, estas mulheres que fizeram parte de um capítulo tão horrendo da história da humanidade, e por que o feminismo retoma as bruxas como um dos seus principais símbolos?… LEIA NA ÍNTEGRA: http://espacoacademico.wordpress.com/2012/08/04/a-caca-as-bruxas-uma-interpretacao-feminista/

 

Leia no WWW.outraspalavras.net

Castells quer tecer alternativas
Às vésperas de lançar novo livro, sociólogo aposta numa articulação entre internet e praças reocupadas, pode reinventar democracia e sociedades. Entrevista a Francisco Guaita

O primeiro impasse da nova política brasileira de lixo
Maioria dos estados e municípios parece despreparada para aplicar lei que pode revolucionar coleta e reciclagem no país. Por Laís Bellini

 

INFORMAÇÕES

Revista Espaço Acadêmico acaba de publicar o número mais recente em

http://www.periodicos.uem.br/ojs/index.php/EspacoAcademico.  Convidamos a

navegar no sumário da revista para acessar os artigos e itens de interesse.

v. 11, n. 135 (2012): Revista Espaço Acadêmico, nº 135, agosto de 2012

Sumário

http://www.periodicos.uem.br/ojs/index.php/EspacoAcademico/issue/view/655

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