Numero 335

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Um aviso preliminar: evitem acessar o site outraspalavras, que indico sempre aqui. Ele foi vitima de um ataque de hackers e ainda não está totalmente recuperado.

Li, no domingo passado, a noticia que reproduzo do portal do Yahoo em primeiro lugar.

E nada como lembrar dois autores que estudaram a fundo os fascismos. O brasileiro Alcir Lenharo afirmou, em um de seus livros, que para uma abordagem histórica do fenômeno nazista, faz-se primordial desvendá-lo não como uma obra de meia dúzia de endemoninhados; é preciso alcançar a dimensão social de uma experiência originária de sérios embates, fruto da crise porque passava o mundo capitalista. (LENHARO, Alcir. Nazismo: o triunfo da vontade. São Paulo: Ática, 1986, p.11)

E Félix Guattari nos lembra que o fenômeno fascista não se pode restringir às décadas de 1920 e 1930: dever-se-ia, portanto, renunciar definitivamente a fórmulas demasiado simplistas do gênero: “o fascismo não passará”. Ele não só já passou, como passa sem parar. Passa através da mais fina malha; ele está em constante evolução; parece vir de fora, mas encontra sua energia no coração do desejo de cada um de nós. Em situações aparentemente sem problemas, catástrofes podem aparecer de um dia para o outro. (GUATTARI, Felix. Revolução Molecular: pulsações políticas do desejo. 3.ed., São Paulo: Brasiliense, 1987,p. 189).

Que grupos neofascistas e neonazistas existiam desde há muito tempo, já era sabido. Só que agora a situação se torna mais densa e mais tensa, porque um partido político está sendo a salvaguarda de grupos armados (fasci) com idéias de xenofobia explícita… O que vem pela frente? Como disse o Alcir Lenharo, o fascismo foi e é fruto da crise porque passava o mundo capitalista. E nós estamos em plena crise!

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ARTIGOS COMPLETOS

 

Neonazistas gregos tomam as ruas após conquista no Parlamento

Andrés Mourenza.

Atenas, 7 jul (EFE).- Após convencer mais de 400 mil gregos com seu discurso xenófobo e conseguir uma histórica entrada no Parlamento de Atenas, o partido neonazista Aurora Dourada ampliou agora sua presença nas ruas, com ataques a estrangeiros e ameaças a comerciantes imigrantes.

“No sábado 23 de junho, chegaram uns 30 ou 35 neonazistas. Alguns vinham de moto e todos estavam armados com bastões e protegidos com capacetes. Entraram em minha loja e me disseram: “Não queremos você aqui. Este é nosso país e não o seu. Vá embora. Tem uma semana para fechar esta loja”, disse à Agência Efe o paquistanês Ahmet Nadim, que administra uma videolocadora no bairro ateniense de Nikea.

Seu caso não é único. Os estabelecimentos contíguos, uma barbearia e uma mercearia, administrados por imigrantes, também foram ameaçados, enquanto a polícia, situada a 30 metros de onde ocorria, não interveio.

“Tenho vários alunos que se queixaram do mesmo. Alguns foram ameaçados de atear fogo em seus estabelecimentos comerciais”, destaca Katerina, professora de grego em um centro social para imigrantes.

“Eu tenho os papéis certos, pago meu aluguel e meus impostos”, queixa-se Nadim, que vive na Grécia há dez de seus 35 anos.

A crise econômica, as medidas de austeridade, o elevado desemprego e a alta imigração legal e ilegal serviram de incentivo ao crescimento do Aurora Dourada, que ganhou influência com os bons resultados eleitorais: enquanto no pleito de 2009 a legenda tinha recebido 0,3% dos votos, dessa vez registrou quase 7%.

Nikea foi tradicionalmente um celeiro de votos comunistas, pois não esquece a batalha que seus habitantes travaram contra os ocupantes nazistas em 1944. A revolta foi reprimida pelas tropas alemãs e centenas de moradores foram executados.

Ainda neste sábado, mais de 60% dos votos do bairro vão à esquerda (Syriza e Partido Comunista, especialmente), mas o Aurora Dourada foi o terceiro partido mais votado nas últimas eleições, com quase 9%, e desde  a inauguração do escritório local do partido neonazista, em maio, os ataques aumentaram no bairro.

Segundo Javet Aslam, presidente da comunidade paquistanesa na Grécia, cerca de 300 imigrantes ficaram feridos em agressões racistas nos últimos três meses.

Um dia de meados de junho, às 6h da manhã, o paquistanês Ghuldam Murtza estava a caminho do trabalho quando foi visto por quatro motoqueiros. Eles mudaram o sentido para persegui-lo e o espancaram até que sofreu severas contusões na cabeça e teve o nariz quebrado.

“Se os membros do Aurora Dourada encontram um imigrante sozinho, sobretudo de noite, o enviam para o hospital. E isso ocorre diariamente”, denuncia Mohammed, que trabalha no mercado do bairro.

Por isso, na quinta-feira passada, a União de Trabalhadores Imigrantes e o Movimento Unido Contra o Racismo e a Ameaça Fascista convocou em Nikea uma manifestação de apoio aos imigrantes, exigindo o fim da violência e o fechamento da sede do partido neonazista no bairro.

Cerca de mil pessoas, em sua maioria imigrantes paquistaneses, se reuniram sob o lema: “Aurora Dourada é uma gangue neonazista. Nem no Parlamento nem em nenhum lugar, fora os fascistas dos bairros”.

Cerca de 200 militantes do Aurora Dourada isolaram a rua de sua sede e, armados com bastões e escudos pintados com o símbolo da antiga Esparta, se apertavam em formação.

“Estamos aqui para proteger nossa sede. É ridículo e inaceitável que paquistaneses, indianos e árabes se manifestem pedindo a ilegalização de um partido que está no Parlamento”, critica Ioannis Lagos, um dos homens no comando da legenda e guarda-costas habitual do líder neonazista, o ex-militar Nikolaos Michaloliakos.

Outro porta-voz local do partido, Giorgos Patelis, acusa os imigrantes de cometerem roubos e protagonizarem episódios de violência “diariamente” no bairro e que seus homens se limitam a “comparecer em ajuda dos cidadãos gregos quando estes o pedem”, o que implica patrulhar as ruas.

Patelis nega ter ameaçado os paquistaneses e afirma que seu partido utiliza meios “legais” para suas ações. Além disso, ele menciona que o principal dos objetivos do grupo é “que todos os imigrantes vão embora”, pois, para os neonazistas, “nenhum é legal”.

“Não é verdade! Os que nos ameaçaram se apresentaram abertamente como membros do Aurora Dourada. O problema é que fomos denunciá-lo à Polícia e nos disseram que eles não podiam fazer nada”, protesta Aslam.

 

Enviado pela amiga e leitora Sandra Araujo:

Câmara analisa projeto de lei que pune violência contra o professor

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A Câmara dos Deputados analisa o Projeto de Lei 267/11, da deputada Cida Borghetti (PP-PR), que estabelece punições para estudantes que desrespeitarem professores ou violarem regras éticas e de comportamento de instituições de ensino.

 Em caso de descumprimento, o estudante infrator ficará sujeito a suspensão e, na hipótese de reincidência grave, encaminhamento à autoridade judiciária competente.

 A proposta muda o Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei 8.069/90) para incluir o respeito aos códigos de ética e de conduta como responsabilidade e dever da criança e do adolescente na condição de estudante.

 Indisciplina

De acordo com a autora, a indisciplina em sala de aula tornou-se algo rotineiro nas escolas brasileiras e o número de casos de violência contra professores aumenta assustadoramente. Ela diz que, além dos episódios de violência física contra os educadores, há casos de agressões verbais, que, em muitos casos, acabam sem punição.

 O projeto, que tramita em caráter conclusivo, será analisado pelas comissões de Seguridade Social e Família; de Educação e Cultura; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.

 Quando eu era estudante do ensino médio, os meus professores me serviam de referência, era possível ser amiga deles. Ao mesmo tempo em que podíamos brincar com eles, havia um respeito enorme por aqueles que nos ensinavam um pouco mais dia a dia. É muito triste perceber que o desrespeito e a violência ao professor imperam no dia de hoje.

Amannda Oliveira

http://www.blogfalandofrancamente.com/2011/04/camara-analisa-projeto-de-lei-que-pune.html

 

VALE A PENA LER

 

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O ensino de História e a construção da identidade nacional brasileira na Era Vargas (1930-1945) – Márcio Fagundes Alves;

Formação de professores de história: sujeitos de saberes e conhecimentos – Valéria Alves Guimarães;

Sentidos do passado: o ensino da história nacional nas galerias do Museu Mariano Procópio – Carina Martins Costa e Robert Daibert Junior;

Arquivos, memória e história local – a experiência educativa do Arquivo Histórico de Juiz de Fora – Elione Silva Guimarães;

“Hoje tem aula de leitura de imagem?” Cultura Visual e Ensino de História – Anderson Ferrari;

Admirável mundo novo (?) As tic e o ensino de história – Rosilãna Aparecida Dias.

Estes são os temas e os autores dos capítulos que compõem este belo livro recentemente editado em Juiz de Fora pela Secretaria de Educação daquele município.

São seis capítulos que se interpenetram, oferecendo um painel bem amplo para os professores de História e os estudantes também. Desde o histórico da utilização da História para se tentar construir a identidade nacional, que, evidentemente, não se limitou à Era Vargas, mas que teve nela seu primeiro e claro objetivo, passando pela identificação dos saberes e conhecimentos que os professores mobilizam no espaço escolar, e chegando aos museus, entendidos como instrumentos pedagógicos ainda pouco utilizados. Também a utilização dos Arquivos pode contribuir para dinamizar o ensino da história, da mesma forma que as imagens e as tecnologias de informação e comunicação.

Recomendo. Vale a pena ler e refletir!

O melhor de tudo: o livro é grátis, conforme nos diz o autor:

“não há venda, mas doação, pois foi financiado pelo Fundo de Apoio à Pesquisa da Educação Básica, política de fomento à formação de professores da Secretaria de Educação da Prefeitura de Juiz de Fora. Caso alguém tenha interesse, entre em contato pelo meu e-mail – fagundes18@yahoo.com.br  – que posso enviar a obra.”

  

Escândalo da taxa libor pode ser um “golpe devastador”
O escândalo envolve cerca de 20 grandes bancos internacionais e um mercado de cerca de 500 trilhões de dólares, quatro vezes o PIB dos Estados Unidos. Em entrevista à Carta Maior, o professor de Economia do Centro de Investigação de Mudança Sócio-Cultural (CRESC), da Universidade de Manchester, Michael Moran, assinalou que este escândalo pode ser um golpe devastador na frágil credibilidade do sistema financeiro internacional. A reportagem é de Marcelo Justo, direto de Londres.
http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=20542&boletim_id=1273&componente_id=20755

Décadas depois, Operação Condor ainda gera polêmica
Considerada a maior operação de terrorismo de estado praticada contra a população da América Latina, a Operação Condor ainda está envolta em controvérsia. Os pontos mais obscuros são a data efetiva do início da operação, o grau de participação dos EUA. O consenso é que a operação foi oficializada em reunião realizada no Chile, em 1975. Assinam sua ata de fundação representantes dos governos de Argentina, Paraguai, Uruguai, Bolívia e Chile.
http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=20539&boletim_id=1272&componente_id=20736

 O novo rosto da esquerda paraguaia
Depois do golpe parlamentar que destituiu Fernando Lugo da presidência paraguaia, Mario Ferreiro (foto), apresentador de televisão muito conhecido no país, mantém a sua candidatura pela coalizão de esquerda e pede pragmatismo e rapidez frente a um novo cenário político. Se for eleito candidato pela Frente Guazú, Ferreiro deverá competir com o mais provável vencedor das eleições primárias liberais, Blas Llano (presidente do partido), e o homem que mais ressoa entre os colorados, o pecuarista Horacio Cartes. A reportagem é de Mercedes López San Miguel, do Página/12 http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=20551&boletim_id=1274&componente_id=20781

Mudanças na economia estão no rumo certo, defende economista
Em entrevista à Carta Maior, José Gabriel Palma, economista da Universidade de Cambridge e especialista em economia comparada, defende as mudanças que vêm sendo implementadas pelo governo Dilma Rousseff. Segundo ele, o Brasil está fazendo a coisa certa ao mudar sua política de juros altos e sua política cambial para um modelo baseado na redução dos juros e em um ajuste da taxa de câmbio acompanhados de um programa de estímulo fiscal e de política industrial. “É uma retificação necessária”, afirma. A reportagem é de Marcelo Justo.
http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=20561&boletim_id=1277&componente_id=20864

 A luta de classes na Europa e as raízes da crise econômica mundial (I)
A situação europeia não pode ser compreendida sem considerar a situação da economia mundial em sua totalidade. Hoje, após a reintegração da China e a plena incorporação da Índia na economia capitalista mundial, a densidade das relações de interconexão e a velocidade de interações no mercado alcançaram um nível jamais visto anteriormente. O que prevalece hoje na arena mundial é o que Marx chama de “anarquia da produção”. Alguns Estados, os que ainda têm meios para isso, são cada vez mais os agentes ativos dessa competição. E único Estado que conserva esses meios na Europa continental é a Alemanha. O artigo é de François Chesnais.
http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=20557&boletim_id=1277&componente_id=20853     

 Sobre a “neutralidade ética” nas Ciências Sociais e a Fundação Ford, com pequena fábula de caráter ilustrativo ou talvez elucidativo

SILVIA BEATRIZ ADOUE

A principal referência teórica do nosso cientista é, sem dúvida, Max Weber – para quem não cabe ao sociólogo julgar os valores dos grupos sociais que estiver analisando. De fato, a “neutralidade axiológica” foi uma tomada de posição fundamental para retirar as Ciências Sociais do domínio da moral teológica. Ainda assim, Weber não pretendia que o sociólogo devesse eximir-se da responsabilidade ética em relação ao seu lugar de cientista e ao seu trabalho como sociólogo pois é ela que impede a redução do fazer científico ao exercício de uma razão instrumental que se limitasse a valorizar procedimentos eficazes independentemente dos fins aos quais serve (WEBER, 1974)… LEIA NA ÍNTEGRA: http://espacoacademico.wordpress.com/2012/07/07/sobre-a-neutralidade-etica-nas-ciencias-sociais-e-a-fundacao-ford-com-pequena-fabula-de-carater-ilustrativo-ou-talvez-elucidativo/

 

A REA 134, Julho de 2012, ANO XII, está on-line.

Acesse a revista diretamente pelo site: http://www.periodicos.uem.br/ojs/index.php/EspacoAcademico/issue/current

Destacamos nesta edição o

DOSSIÊ – FILOSOFIA & EDUCAÇÃO (Orgs.: Raimundo Rajobac & Cristiano Eduardo Wendt)

 São Paulo entre 5 e 9 de julho
As comemorações de 9 de julho em São Paulo exaltam uma rebelião oligárquica de oito décadas atrás. Curiosamente, outra revolta, deflagrada em 5 de julho de 1924, que contou com forte componente popular, passa em brancas nuvens nos calendários oficiais.

http://www.cartamaior.com.br/templates/colunaMostrar.cfm?coluna_id=5672&boletim_id=1275&componente_id=20819

 

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