Numero 330

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Ontem foi o Dia do Meio Ambiente e eu recebi um email da amiga Ivona Castro, que por sua vez já o repassava, pois recebera de outra amiga. Achei legal o vídeo que acompanha, e mesmo é legal o que a amiga da minha amiga escreveu. Reproduzo:

Eu ainda gostaria de entender as razões que nos levam a utilizar tantas embalagens descartáveis ao invés daquelas retornáveis, como antigamente – não tem nem 20 anos que o leiteiro passava aqui na porta com suas velhas leiteiras de ferro…

Poderia pensar em algumas respostas: alto consumo individual…multiplicidade de produtos…. lucro a qualquer custo….

no entanto, nesta altura da vida, onde as informações nos chegam na velocidade de um piscar de olhos, creio que cabe a nós, eternos consumidores, passarmos a pensar duas vezes quando decidimos por um ou outro produto, retirando da indústria o poder de decisão.

 

Ai sim, obrigaria a essa mesma indústria  – que para um mesmo produto, produz de três a quatro tipos de embalagens – vejam, por exemplo, quando se compra uma caixa de cerveja: temos o metal da latinha, que embala a cerveja; o papel que embala a latinha; o plástico que embala o papel; e o outro plástico que embala tudo – a repensar seu modelo de produção, provocando um recuo nessa demência, e quem sabe, retornaríamos ao velho e sábio modelo da troca.

Vejam o video.

Bem bacana e esclarecedor.

Siga o link : http://www.midwayfilm.com/

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ARTIGOS COMPLETOS

A aventura de ser professor(a)

Em 1969 eu entrei para a universidade. E naquele mesmo ano comecei a lecionar. Era um curso de Madureza (que depois passou a ser Supletivo e hoje é EJA- Educação de Jovens e Adultos). Lembro-me direitinho da primeira aula que dei: era sobre os hebreus. Eu ainda não estudara isso na universidade, então, tratei de procurar todos os livros possíveis. Fiz resumos, enchi páginas e mais páginas de um caderno. Achei que aquele material daria para as aulas da semana inteira.

Meu primeiro susto: com 20 minutos, tudo o que eu preparara já estava dito. Comecei a suar frio e o desastre só não foi maior porque um aluno começou a me fazer perguntas sobre a Biblia e ai o papo rolou solto, até que a bendita campainha me libertou do suplício.

35 anos depois eu parei de lecionar. Olhando em retrospectiva, vejo que colecionei sucessos e fracassos, e creio que todo professor que se aposenta pode fazer o mesmo balanço.

Nesses 35 anos, a escola mudou, os alunos mudaram, eu mudei. Já tinha pensado em escrever alguma coisa a respeito. Quem sabe as experiências poderiam servir a alguém? Em alguns momentos desses 35 anos, eu lecionei (na UFMG e no UNI-BH) a disciplina de Prática de ensino de História. Acreditava que os futuros professores precisavam conhecer as várias teorias a respeito do ensino. E quando me encontrava com algum ex-aluno que estava realmente na profissão, me assustava ver que eles continuavam tradicionalíssimos, repetindo o mesmo tipo de aula que haviam tido quando eram adolescentes. Claro que havia as exceções, sempre encontrava alguém que conseguira superar e inovava.

E comecei a pensar de que serviam tantas teorias que nós apresentamos nas nossas aulas de formação de professores… e que são totalmente inaplicáveis na realidade que temos, principalmente das escolas públicas.

Que problemas enfrentamos quando começamos a lecionar? Como resolver o eterno problema da indisciplina? Como fazer os alunos gostarem de História? Como avaliar? Como são as relações com os colegas das outras disciplinas? O que vamos encontrar nos Conselhos de Classe? E por que existem tantas reuniões, absolutamente improdutivas?

Eu pensara em tudo isso, e talvez em outras coisas também, mas ainda não tivera tempo de sentar, colocar no papel tudo o que eu queria falar.

Um amigo me libertou da angústia. Acabei de ler o “Conversas com um jovem professor”, escrito pelo Leandro Karnal. Eu havia recebido o informe da editora Contexto, dando conta do lançamento. No site, estava disponível o primeiro capítulo. Li, avidamente, e mandei um recado para o Leandro na comunidade História do Orkut:

A propósito, já tô sabendo que o novo livro saiu. Por gentileza, como você está mais perto da editora, peça ao Pinsky para me mandar um exemplar e espero te encontrar na Bienal para ganhar um autógrafo.

Mas quero ler (já li o primeiro capítulo no site) e comentar no Boletim de Historia.

E com toda a sinceridade do mundo, te digo: se os demais capítulos forem como o primeiro, você escreveu o livro que eu gostaria de ter escrito!

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Pois bem, o livro chegou e eu o li todinho. Só tenho uma palavra para descrever: Admirável! O Leandro tocou no ponto chave: os professores que estão se formando precisam saber o que os espera numa escola. Ah… e o livro é para professores de todas as disciplinas, não é só para os de História não! Ele comenta, a partir de sua experiência de 30 anos de magistério, as relações entre professor e alunos, como se deve pensar a aula, como ser criativo. Fornece, em tom bem humorado, um “manual de instruções” para a relação do professor com pais, colegas e diretores. Discute como deve ser uma prova, como aplicá-la, como corrigi-la. O que fazer num Conselho de Classe onde fofocas de professores sobre alunos dão o tom (é…isso existe!), como usar a tecnologia, o eterno problema da disciplina.

Outro trecho, divertidíssimo, por sinal, diz respeito às reuniões. Eu tenho de reproduzir aqui:

Preciso dizer a você, caro e jovem professor: você passará horas sentado e ouvindo bobagens. E, quando uma decisão importante for tomada, saiba, cada um vai fazer do seu jeito. Tenho uma teoria. Coordenadores e a direção precisam cumprir horário em geral. Não são regulados pela obrigação da hora-aula. Normalmente, chegam antes dos professores retornarem das férias e cumprem plantões durante o recesso escolar. Na minha teoria conspiratória, esses chefes, coordenadores, supervisores e diretores têm raiva de tudo isto e… convocam reuniões. Reunião só pode ser uma forma de punir professores. Só isso explicaria o motivo da maioria absoluta ser mal preparada, longa, sem pauta e com decisões que não obrigam a ninguém…

E, na conclusão, ele se pergunta por que continua sendo professor. Eu me permito reproduzir um parágrafo dele:

O brilho de ser professor é a nossa relevância. Não existe sociedade sem aulas. Não é possível fazer nada no mundo sem professores. Todos os médicos, engenheiros, políticos, operários especializados foram, por alguns ou muitos anos, alunos. Todos tiveram professores. É um exército invisível. Vemos as obras prontas: o paciente curado, a máquina construída, o texto escrito e esquecemos que atrás de cada autor há um professor. Somos a malha invisível que dá coesão social. (p. 131)

Por isso, faço questão absoluta de recomendar o livro do Leandro.

E reforço a primeira impressão que tive: este é o livro que eu gostaria de ter escrito!

 

A aristocracia universitária e as cotas

Dois projetos que instituem cotas nas instituições estaduais de ensino superior em São Paulo (USP, Unicamp, Unesp. Fatec’s) tramitam na Assembléia Legislativa de São Paulo. O primeiro, é o PL 530 de 17 de agosto de 2004, de autoria de vários deputados estaduais do PT, PC do B, PP, PSB, PL, PPS e PP que decreta a reserva de 50% das vagas das universidades estaduais a alunos oriundos da rede pública de ensino, sendo que, destas, 30% destinadas a afrodescendentes. Além disto, o PL destina ainda 15% a estudantes afrodescendentes e indígenas com renda per capita de até 2 salários mínimos. O restante, 35%, são consideradas vagas de livre concorrência.

Outro projeto é o 321/2012, de autoria do deputado Luiz Cláudio Marcolino (PT), que determina a reserva de 15% das vagas para alunos oriundos de escolas públicas, 15% para afrodescendentes e indígenas e 5% para portadores de deficiência física por um período de 10 anos, quando haveria uma avaliação do impacto da medida. O projeto do deputado Marcolino ainda prevê que as instituições estaduais podem elevar as cotas caso avaliem ser necessário, desde que não superem 50% do total de vagas oferecidas.

Os dois projetos enfrentam muitas dificuldades de aprovação pela presença majoritária da bancada governista na Assembleia. As direções das universidades, em particular a USP, já demonstraram que são contrárias à instituição de sistema de reserva de vagas, apesar dos números demonstrarem a exclusão social e racial dos processos seletivos. Em uma matéria publicada pelo próprio Jornal da USP de 2003 há um dado preocupante: a população afrodescendente em São Paulo é 34,3% do total, mas há apenas 9,34% de alunos negros na universidade, concentrados nos cursos de humanas (9,6%) contra 7,2% em exatas e apenas 6,2% nas biológicas.

A discrepância da USP se verifica também em relação à origem dos estudantes em termos do ensino. No estado de São Paulo, 75% dos alunos concluintes do ensino médio vem do sistema público. Com o Programa Inclusp (sistema que dá pequenos bônus no vestibular para alunos vindos da escola pública), a USP chegou, este ano, a um percentual recorde de presença de alunos de escola pública: 28%, boa parte deles vindas das ETECs, escolas públicas diferenciadas cujo acesso depende de processos seletivos.

Para além do argumento da injustiça social deste sistema, agregue-se o fato das universidades estaduais paulistas serem mantidas com uma cota-parte do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços), tributo sobre bens de consumo e serviços, uma natureza de taxação que acaba incidindo muito mais sobre os assalariados. Em última instância, quem banca as universidades estaduais são os trabalhadores e consumidores. Um bom exercício a ser feito é verificar quantos alunos os moradores da zona leste de São Paulo bancam com o ICMS pago nas contas de energia elétrica, telefone, alimentos, entre outros – e quantos efetivamente estão nas universidades paulistas.

O argumento das direções das universidades contra as cotas se baseia única e exclusivamente na questão do mérito. O equívoco desta argumentação é que o desempenho no vestibular não é um indicador de mérito. Não há nenhum estudo comprobatório de que o desempenho acadêmico dos alunos na universidade e mesmo profissional, pós-universidade, tenha relação direta com o desempenho no vestibular. Os primeiros colocados nos processos seletivos são os melhores alunos e depois os melhores profissionais? Além disto, os dados das instituições de ensino superior que adotaram as cotas mostram que não há diferenças significativas de desempenho entre cotistas e não cotistas.

Assim, ser contra as cotas é defender privilégios mantidos com dinheiro público. Uma postura nem classista (no sentido republicano), mas aristocrática – a sociedade no seu conjunto tendo que manter o privilégio de alguns. Por isto, o argumento da “autonomia universitária” também utilizado pelas direções das universidades estaduais se transfigura em “soberania institucional”, à medida que os que estão encastelados nestas estruturas julgam poder utilizar o dinheiro público para si sem prestar contas a ninguém, sob o argumento de possuírem o sangue “azul” da “nobreza intelectual”.

http://www.revistaforum.com.br/dennisdeoliveira/2012/05/29/a-aristocracia-universitaria-e-as-cotas/

 

 VALE A PENA LER

Relatório da OIT aponta que cerca 75 milhões de jovens estão sem emprego

http://www.adital.com.br/site//noticia.asp?boletim=1&cod=67551&lang=PT

 

Corrupção: crime contra a sociedade

(Leonardo Boff)

http://www.adital.com.br/site//noticia.asp?boletim=1&cod=66111&lang=PT

 

 

Especial:  A toga, a língua e o caçador de blogs

Escudado na proteção republicana da toga, o ministro Gilmar Mendes desnudou uma controversa agenda política pessoal na última semana de maio. Onipresente na obsequiosa passarela da mídia amiga, lacrou seu caminho na 6ª feira declarando-se um caçador de blogs adversários de suas ideias e das ideias de seus amigos. Em preocupante equiparação entre a autoridade da toga e a arbitrariedade da língua, Gilmar decretou serem inimigos das instituições republicanas todos aqueles que contestam os seus malabarismos discursivos, a adequar denúncias a cada 24 horas, num exercício de convencimento à falta de testemunhas e fatos que as comprovem.

Vejam as várias matérias que compõem este especial aqui: http://www.cartamaior.com.br/templates/index.cfm

 

Um dos comentários mais lúcidos a respeito da “denúncia” do Gilmar Dantas (é isso mesmo!) na Veja.

http://maureliomello.blogspot.com.br/2012/05/bob-fernandes-tabelinha-gilmar-veja.html?utm_source=feedburner&utm_medium=email&utm_campaign=Feed:+blogspot/khZEQ+(DoLaDoDeL%C3%A1)

 Bob Fernandes: A tabelinha Gilmar-Veja

 

 Economia da Espanha afunda, responsáveis recebem indenizações milionárias
A economia de Espanha afunda-se com uma taxa de desemprego superior a 25% e com o número de desempregados a superar os 5 milhões de pessoas. O austeritarismo imposto pela UE e pelo FMI não resolve e aprofunda a crise bancária, provocada pelo estouro da bolha da especulação imobiliária. A dívida de Espanha atinge uma situação próxima da que levou aos pedidos de resgate de Grécia, Irlanda e Portugal. Porém, o país é muito grande para ser resgatado.
http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=20257&boletim_id=1213&componente_id=19548

 

Ex-governador admite que “suicídio” de Herzog foi maquiado
Em entrevista à Globonews. Paulo Egydio Martins, governador de São Paulo entre 1975 e 1979 afirma que suicídio do jornalista Vladmir Herzog foi maquiado e que, de fato, ele foi assassinado dentro das dependências do II Exército, na rua Tutóia, em São Paulo. Paulo Egydio Martins também afirmou que está disposto a depor à Comissão da Verdade. “Irei a qualquer hora, a qualquer instante. Não temos de temer nada. É hora de botar para fora tudo o que for para botar para fora”.

http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=20272&boletim_id=1218&componente_id=19658

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Avaliação discente no Ensino Superior

por ANTONIO OZAÍ DA SILVA

Os alunos questionam os abusos dos instrumentos de avaliação, podem até mesmo preferir uns a outros, elogiam os professores que utilizam eficazmente esse ou aquele meio avaliativo, mas, em seu conjunto, concebem a avaliação como um fato em si, naturalizam e não questionam os pressupostos. Aliás, não só os alunos, seus professores também! LEIA NA ÍNTEGRA: http://antoniozai.wordpress.com/2012/06/02/avaliacao-discente-no-ensino-superior/

 

Leia no WWW.outraspalavras.net

Pré-Sal, cobiça e poder global
Que interesses escondem-se atrás da “internacionalização” das jazidas brasileiras. Como ela está em andamento e quais os meios para revertê-la. Por Paulo Metri

Espanha à beira de crise bancária
Políticas da troika provocam novo desastre e colocam 12ª economia do planeta diante do risco devastador de corrida aos bancos. Por Antonio Barbosa Neto, correspondente na Europa

 

CAFÉ HISTORIA

CAFÉ EXPRESSO NOTÍCIAS: BIBLIOTECA DIGITAL DE HARVARD NA WEB

De passagem pelo Brasil, Robert Darnton revelou que vai disponibilizar na internet o acervo da Biblioteca de Harvard

Leia esta esta notícia em: http://cafehistoria.ning.com [Página Principal]


Saiba mais sobre esta oportunidade:
 http://cafehistoria.ning.com/anuncios

SUPER TRUNFO: DOIS CLÁSSICOS DE PETER BURKE 

Na seção “Super Trunfo”, você poderá votar toda semana no clássico da história que é mais importante para você.

Nesta nova rodada, “A Fabricação do Rei”  e “A Escola dos Annales”, ambos do historiador Peter Burke.


Qual leitura lhe é mais importante: http://cafehistoria.ning.com/page/super-trunfo-cafe-historia-parte-4

MURAL DA SEMANA: ENCONTRO DE HISTÓRIA: RJ E SP

I Encontro de História da Universidade Gama Filho (RJ) e Evento Comemorativo da Editora Contexto (SP)

Saiba mais sobre esses dois eventos: http://cafehistoria.ning.com [Página Principal]


FÓRUM EM DESTAQUE: INTERNET E HISTÓRIA

Como a internet vem lhe ajudando na pesquisa histórica?

Participe:
 http://cafehistoria.ning.com/forum/topics/como-a-internet-vem-lhe-ajudando-na-pesquisa-historica

DOCUMENTO HISTÓRICO: COMANDANTE NAZISTA NO ESTADÃO

“Açougueiro de Lyon”. Há 40 anos, ex-Comandante nazista concedia entrevista exclusiva ao Estadão

Leia na íntegra essa entrevista: http://cafehistoria.ning.com [Página Principal]


VÍDEOS IMPERDÍVEIS: 10 ANOS DO 11 DE SETEMBRO de 2001

Especialistas comentam os 10 anos dos atentados terroristas de 11 de Setembro de 2001

Vídeo 1: http://cafehistoria.ning.com/video/multiponto-11-de-setembro-dez-anos-depois

Vídeo 2: http://cafehistoria.ning.com/video/10-anos-do-11-de-setembro-entrevista-com-peter-demant-usp

Visite Cafe Historia em: http://cafehistoria.ning.com/?xg_source=msg_mes_network

Sobre boletimdehistoriaricardo

Este Boletim é voltado, principal mas não exclusivamente, para historiadores e estudantes. Seu propósito é fornecer informações, notícias, links. Contribuições são bem-vindas. As opiniões exaradas em artigos assinados não são, necessariamente, as do editor. Mas o espaço é plural.
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