Numero 325

 

O Boletim hoje está meio extenso, mas justifica-se pela ótima entrevista dada por aquele que considero o mais competente historiador contemporâneo, Eric Hobsbawm.

Além dele,  a crise européia e as confusões políticas do Brasil ocupam a primeira parte. Na segunda, links para dezenas de artigos relevantes.

Gaste a semana toda, mas não deixe de ler!

 

  1. ARTIGOS COMPLETOS

 

PSDEMB

Se há um partido político que representa no Brasil de hoje não só uma visão de passado e de retrocesso político, mas um partido que junta o reacionarismo conservador ao discurso da modernidade neoliberalizante, ele atende pela obscena sigla de PSDEMB.

Izaías Almada

Enquanto a reforma política brasileira inspira a fantasia de inúmeros cidadãos e fica arquivada e esquecida em gavetas de Brasília, torna-se necessário, vez por outra, avaliarmos o quadro geral da República nessa área e nos debruçarmos sobre uma ou outra questão de inegável relevância.

Uma delas, em ano eleitoral, é a formação desse novo partido que, indicam as circunstâncias, se constituirá – mesmo diminuindo o número de seus representantes no Congresso a cada eleição – no arauto do atraso, profeta do passado, no exemplo da intolerância, no arrimo da imoralidade pública e privada. Trata-se do jovem Frankenstein dos nossos partidos, cujos remendos vão sendo costurados à medida que o país toma conhecimento da verdade sobre a grande conspiração entre bandidos da imprensa, bandidos do congresso nacional e bandidos de outras origens e atividades, também conhecidos por empresários de jogos ilegais.

Quando se pensa que chegamos ao fundo do poço da ignomínia e do deboche de honrados cidadãos, capazes que são de esticar a mão para dentro dos cofres públicos e recolhê-las para dentro dos próprios bolsos, os deuses da ética nos brindam com novas e patéticas novidades sobre o bloco dos bandidos do colarinho branco e de caráter bem sujo. Sobre o assunto, recomenda-se a leitura de “Privataria Tucana” e os relatórios da PF sobre a operação Monte Carlo.

Saber que há grupos e corporações embaralhando e dando as cartas no jogo político e econômico do capitalismo, no jogo do público e do privado, não é propriamente uma novidade. Que se disputa o poder político seja através de eleições democráticas ou mesmo de revoluções populares ou golpes de estado, consoante o interesse a ser contemplado ou imposto, também isso é tão antigo quanto o próprio sistema e a história do homem. Logo, não seria nada espantoso para a atual sociedade brasileira mais essa investigação da Polícia Federal que veio à tona nas últimas semanas.

Contudo, ainda é possível a muitos de nós o sentimento de indignação ou, o que é pior, o amargor de nos sentirmos impotentes diante da pusilanimidade e do deboche com que certos políticos denigrem não só a sua própria imagem e a dos partidos que representam, mas – sobretudo – a natureza da atividade a que se dedicam como homens públicos e (na teoria, pelo menos) o de serem os guardiães dos princípios éticos e democráticos.

A ditadura de 64/68 criou dois partidos políticos artificiais, Arena e MDB, apenas para dar ao país e talvez ao mundo a fugaz impressão de que a troca de generais e a existência de um congresso com dois partidos ali representados espalhassem a sensação de sermos uma ‘ditabranda’, segundo o neologismo criado por algum sociólogo de botequim…

De lá para cá o país foi governado dentro da cartilha neoliberal e a tal Aliança Renovadora Nacional, antes de se tornar PFL e agora DEM, deitou e rolou sob a proteção da força militar, com a ajuda de uma imprensa subjugada ou defensora de seus próprios interesses e do interesse de seus grandes anunciantes, da cooptação sistemática de acadêmicos e intelectuais, da destruição das garantias dos trabalhadores, da escravização para o trabalho no campo, do sucateamento do ensino e da saúde, da privatização de empresas públicas, a tal ponto que a eleição de um operário metalúrgico e uma ex-guerrilheira, com milhões e milhões de votos nas urnas, mesmo que com grande empenho da parte deles, ainda não foi capaz de quebrar a espinha dorsal de tal domínio.

Entre 1964 e 2012, duas novas gerações de brasileiros passaram dos bancos escolares à direção de empresas, de alunos a professores, de eleitores de primeira viagem ao conjunto de novos governantes nos níveis municipais, estaduais e federais, de filhos a pais, de pais a avós, de indiferentes a participantes ou vice e versa, juntando-se todos aos mais velhos com a sua experiência adquirida no pós guerra para uma caminhada cheia de esperanças e frustrações. Todos, absolutamente todos, a se informarem e a formarem opiniões a partir de jornais, revistas semanais e canais de televisão, de cujos editais escorre o veneno da injúria, mata-se a reputação de adversários políticos e concorrentes nos negócios privados e, sobretudo, públicos.

Nessa caminhada sobrecarregada de decepções nos campos da política partidária, onde o que menos importa em muitos casos é o interesse do país; no exercício da justiça, cujo palco é manchado pela vaidade e até pela corrupção de juízes apequenados; na correção mais implacável das mazelas sociais, com um grau nada desprezível de sucateamento na educação formal; na luta pela soberania do país contra a eterna falácia dos entreguistas, e com as ideologias se baralhando, programas de governo se distanciando dos seus objetivos, políticos a mudarem de partidos, partidos a mudaram de nomes, o país a mudar de fisionomia, sendo que nos últimos nove anos – sob alguns bons aspectos – até para melhor, mas ainda assim sem a convicção de que se pode mudar mais e com mais verticalização e segurança.

Não obstante, pesados os prós e os contras, não podemos perder de vista a estratégia do adversário, quando ela existe e, sobretudo, a do inimigo. A cultura do dinheiro e do sucesso a qualquer custo, a competição selvagem como alavanca para o progresso e para o desenvolvimento, a eliminação paulatina dos conceitos éticos, a mentira e a falácia como armas de convencimento e difusão de idéias, continuam a ser o manancial onde se abastecem a esperteza de maus políticos, da imprensa venal e da justiça de classe, esse triunvirato de imenso poder corrosivo sobre uma sociedade que ainda não conseguiu se descolar inteiramente do seu passado de país escravagista, monocultor, aculturado e dependente.

A educação formal no Brasil ainda não foi capaz, apesar de inúmeras tentativas, de criar mecanismos que apetrechem o cidadão, desde os primeiros bancos escolares, a refletir e entender os direitos e deveres do convívio social, de maior respeito ao coletivo, aos direitos do outro, do combate cotidiano ao princípio de ‘tirar vantagem em tudo’ e até de aceitar a corrupção dos amigos e combater a dos adversários ou mesmo inimigos. A cultura do ‘farinha pouca meu pirão primeiro’… Ainda há um caminho a percorrer, difícil, cheio de armadilhas, que requer paciência e perseverança no dia a dia, nas semanas e meses que passam, inexoráveis. As eleições municipais de 2012 vão retomar esperanças e oferecer ao Brasil nova oportunidade de outro passo à frente, de outra batalha contra os que insistem em olhar para um país que quer abandonar o lado mais escuro do seu passado.

E se há um partido político que representa no Brasil de hoje não só uma visão de passado e de retrocesso político, a que devemos todos estar bem atentos para não retroagirmos nesse pouquinho de democracia conquistada, nos avanços na área econômica e na defesa de nossa soberania, esse partido que junta o reacionarismo conservador ao discurso da modernidade neoliberalizante, atende no momento pela obscena sigla de PSDEMB.

 Escritor e dramaturgo. Autor da peça “Uma Questão de Imagem” (Prêmio Vladimir Herzog de Direitos Humanos) e do livro “Teatro de Arena: Uma Estética de Resistência”, Editora Boitempo.

(Artigo publicado em WWW.cartamaior.com.br)

 

Como oligarquia financeira mantém Europa submissa

Estudo revela complexo mecanismo usado para impor, “democraticamente”, medidas condenadas por ampla maioria das sociedades

Na Europa, não faltam recursos financeiros contra a crise: Banco Central Europeu (BCE) e Comissão Europeia (CE) estão agindo desde a virada do ano para transferir, ao sistema bancário privado, cerca de 3 trilhões de euros, a juros negativos. A atitude é outra em relação aos Estados ameaçados por fuga maciça de divisas. Negam-se recursos. Exige-se, para liberá-los, corte de direitos sociais, privatizações, redução drástica das proteções previdenciárias. Tais medidas são rechaçadas, revelam as sondagens, pela vasta maioria da opinião pública, em todos os países. No entanto, os Parlamentos as adotam sem resistir. Como é possível esta democracia contra as sociedades?

Acaba de sair um texto revelador a respeito. O original, em francês, foi publicado no site Memoire des Lutes, dirigido por Ignacio Ramonet e Bernard Cassen O autor é Christophe Ventura, um jovem colaborador destes antigos editores do Le Monde Diplomatique. Ele descreve os meandros institucionais do processo de chantagem política que garantiu até agora a submissão do continente aos projetos da oligarquia financeira.

Ventura demonstra que o artifício principal usado para impor políticas muito impopulares é evitar a todo custo o debate político. A teoria política ensina que os Parlamentos são, desde a Revolução Francesa, o espaço em que os representantes do povo analisam os distintos projetos para o futuro coletivo, e tomam decisões. No entanto, nenhum dos legislativos da Europa está examinando o que fazer diante da crise. BCE e CE não precisam, por exemplo, de autorização para oferecer fundos trilionários aos bancos privados. Fazem-no por medidas administrativas banais, resguardados da opinião pública por uma mídia que apresenta as transferências de fundos como ações necessárias a evitar a “quebra da economia”.

Mesmo as medidas que afetam centenas de milhões de pessoas não são, em sua grande maioria, apresentadas de forma clara. O que os parlamentos estão votando é a retificação de dois acordos internacionais, firmados entre 25 de janeiro e 1º de março: O “Pacto Orçamentário” (TECG, ou Tratado Intergovernamental sobre Estabilidade, Coordenação e Governança) e o Mecanismo de Estabilidade Financeira (MES).

Ainda assim, por enquanto, só duas nações os firmaram: Grécia e (em 13 de abril) Portugal. Nos demais, a ratificação tramita lentamente. A aprovação definitiva é deixada para os momentos de crise. O MES dispõe de até 800 bilhões de euros, para “salvar” os Estados que sofrem ataques especulativos. Os países que necessitem empregar os recursos, contudo, são obrigados a firmar o Pacto Orçamentário (TECG). Além de Grécia e Portugal, lideram a fila a Espanha, Itália, Hungria, Irlanda e Romênia — mas ninguém assegura que a própria França, segunda economia do bloco, esteja imune.

Ao ratificar, sob enorme pressão, o Pacto Orçamentário, cada pais compromete-se a uma redução maciça e acelerada da dívida pública. Ela terá de recuar a 60% do PIB — um patamar muito abaixo dos hoje registrados não apenas na Grécia (144%) mas também na Itália (118%), Bélgica (98%), França (83,5%) ou mesmo Alemanha (79%) [para comparação, no Brasil o índice é de 60%].

Em princípio, reduzir o endividamento é positivo. Mas se esta fosse realmente a meta, haveria sentido em abrir as torneiras do Banco Central Europeu para o sistema financeiro privado? Por que diminuir a dívida por meio de cortes de direitos e serviços — e não, por exemplo, de impostos sobre os mais ricos?

Este não é o tema de Ventura: está tratado em detalhes num outro texto, de Patrick Viveret, publicado por Outras Palavras. A importância do novo estudo é outra. Ele revela as acrobacias notáveis executadas pelos dirigentes europeus para dar alguma aparência democrática a medidas que, se submetidas a decisão popular, seriam certamente derrotadas. Ao fazê-lo confirma uma antiga profecia de José Saramago. A democracia foi cercada pelo capital; enquanto não for reinventada, declinará cada vez mais à condição de uma “missa laica”, uma fachada que esconde, ao invés de revelar, os mecanismos usados pelo poder para impor seus desígnios.  

(Transcrito do WWW.outraspalavras.net)

 

Eric Hobsbawn: Ninguém fez tanto pelos pobres…

por Martin Granovsky (*)

Em junho ele completa 92 anos. Lúcido e ativo, o historiador que escreveu “Rebeldes Primitivos”, “A Era da Revolução” e a “História do Século XX”, entre outros livros, aceitou falar de sua própria vida, da crise de 30, do fascismo e do antifascismo e da crise atual. Segundo ele, uma crise da economia do fundamentalismo de mercado é o que a queda do Muro de Berlim foi para a lógica soviética do socialismo.

Hobsbawm aparece na porta da embaixada da Alemanha, em Londres. São pouco mais de três da tarde na bela Belgrave Square e se enxergam as bandeiras das embaixadas por trás das copas das árvores. De óculos, chapéu na cabeça e um casaco muito pesado, cumprimenta. Tem mãos grandes e ossudas, mas não parecem as mãos de um velho. Nenhuma deformação de artrite as atacou. Rapidamente uma pequena prova demonstra que as pernas de Hobsbawm também estão em boa forma. Com agilidade desce três degraus que levam do corrimão a calçada. Parece enxergar bem. Tem uma bengala na mão direita. Não se apóia nela, mas talvez a use como segurança, em caso de tropeçar, ou como um sensor de alerta rápido que detecta degraus, poças e, de imediato, o meio-fio da calçada. Hobsbawm é alto e magro. Uns oitenta e bicos. Não pede ajuda. O motorista do Foreign Office lhe abre a porta esquerda do jaguar preto. Entra no carro com facilidade. O carro é grande, por sorte, e cabe, mas a viagem é curta.

– Acabo de me encontrar com um historiador alemão, por isso estou na embaixada, e devo voltar – avisa. Ele chegou de visita a Londres e quis conversar com alguns de nós. Sei que vamos a Canning House. Está bem. Poucas voltas, não?

O carro dá meia volta na Belgrave Square e pára na frente de outro palacete branco de três andares, com uma varanda rodeada de colunas e a porta de madeira pesada. Por algum motivo mágico o motorista de cabelos brancos com uma mecha sobre o rosto, traje azul e sorridente como um ajudante do inspetor Morse de Oxford, já abre a porta a Hobsbawm. Entre essas construções tão parecidas, a elegância do Jaguar o assemelha a uma carruagem recém polida. O motorista sorri quando Hobsbawm desce. O professor lhe devolve a simpatia enquanto sobe com facilidade num hall obscuro. Já entrou em Canning House e à direita vê uma enorme imagem de José de San Martin. À esquerda do corredor, uma grande sala. O chá está servido. Quer dizer, o chá, os pães e uma torta. Outro quadro do mesmo tamanho que o de San Martin. É Simon Bolívar. E também é Bolívar o cavalheiro do busto sobre o aparador.

Quanto chá tomaram Bolívar e San Martin antes de saírem de Londres para a América do Sul, em princípios do século XIX, para cumprir seus planos de independência?

Hobsbawm pega a primeira taça e quer ser quem faz a primeira pergunta.

– Como está a Argentina? – interroga mas não muito, porque não espera e comenta – No ano passado Cristina esteve para vir a Londres para uma reunião de presidentes progressistas e pediu para me ver. Eu disse sim, mas ela não veio. Não foi sua culpa. Estava no meio do confronto com a Sociedade Rural.

Hobsbawm fala um inglês sem afetação nem os trejeitos de alguns acadêmicos do Reino Unido. Mas acaba de pronunciar “Sociedade Rural” em castellhano.

– O que aconteceu com esse conflito?

Durante a explicação, o professor inclina a cabeça, mais curioso que antes, enquanto com a mão direita seu garfo tenta cortar a torta de maçã. É uma tarefa difícil. Então se desconcentra da torta e fixa o olhar esperando, agora sim, alguma pergunta.

– O mundo está complicado – afirma ainda mantendo a iniciativa. Não quero cair em slogans, mas é indubitável que o Consenso de Washington morreu. A desregulação selvagem já não é somente má: é impossível. Há que se reorganizar o sistema financeiro internacional. Minha esperança é que os líderes do mundo se dêem conta de que não se pode renegociar a situação para voltar atrás, senão que há que se redesenhar tudo em direção ao futuro.

A Argentina experimentou várias crises, a última forte em 2001. Em 2005 o presidente Néstor Kirchner, de acordo com o governo brasileiro, que também o fez, pagou ao FMI e desvinculou a Argentina do organismo para que o país não continuasse submetido a suas condicionalidades.

– É que a esta altura se necessita de um FMI absolutamente distinto, com outros princípios que não dependam apenas dos países mais desenvolvidos e em que uma ou duas pessoas tomam as decisões. É muito importante o que o Brasil e a Argentina estão propondo, para mudar o sistema atual. Como estão as relações de vocês?

– Muito bem

– Isso é muito importante. Mantenham-nas assim. As boas relações entre governos como os de vocês são muito importantes em meio a uma crise que também implica riscos políticos. Para os padrões estadunidenses, o país está girando à esquerda e não à extrema direita. Isso também é bom. A Grande Depressão levou politicamente o mundo para a extrema direita em quase todo o planeta, com exceção dos países escandinavos e dos Estados Unidos de Roosevelt. Inclusive o Reino Unido chegou a ter membros do Parlamento que eram de extrema direita [e começa a entrevista propriamente].

– E que alternativa aparece? 

– Não sei. Sabe qual é o drama? O giro à direita teve onde se apoiar: nos conservadores. O giro à esquerda também teve em quem descansar: nos trabalhistas.

– Os trabalhistas governam o Reino Unido.

– Sim, mas eu gostaria de considerar um quadro mais geral. Já não existe esquerda tal como era.

– Isso lhe é estranho?

– Faço apenas o registro.

– A quê se refere quando diz “a esquerda tal como era”?

– Às distintas variantes da esquerda clássica. Aos comunistas, naturalmente. E aos socialdemocratas. Mas, sabe o que acontece? Todas as variantes da esquerda precisam do Estado. E durante décadas de giro à direita conservadora, o controle do Estado se tornou impossível.

– Por que?

– Muito simples. Como você controla o estado em condições de globalização? Convém recordar que, em princípios dos anos 80 não só triunfaram Ronald Reagan e Margareth Thatcher. Na França, François Miterrand não obteve uma vitória.

– Havia vencido para a presidência dem 1974 e repetiu a vitória em 1981.

– Sim. Mas quando tentou uma unidade das esquerdas para nacionalizar um setor maior da economia, não teve poder suficiente para fazê-lo. Fracassou completamente. A esquerda e os partidos socialdemocratas se retiraram de cena, derrotados, convencidos de que nada se podia fazer. E, então, não só na França como em todo mundo ficou claro que o único modelo que se podia impor com poder real era o capitalismo absolutamente livre.

– Livre, sim. Por que diz “absolutamente”?

– Porque com liberdade absoluta para o mercado, quem atende aos pobres? Essa política, ou a política da não-política, é a que se desenvolveu com Margareth Thatcher e Ronald Reagan. E funcionou – dentro de sua lógica, claro, que não compartilho – até a crise que começou em 2008. Frente à situação anterior a esquerda não tinha alternativa. E frente a esta? Prestemos atenção, por exemplo, à esquerda mais clássica da Europa. É muito débil na Europa. Ou está fragmentada. Ou desapareceu. A Refundação Comunista na Itália é débil e os outros ramos do ex Partido Comunista Italiano estão muito mal. A Esquerda Unida na Espanha também está descendo ladeira abaixo. Algo permaneceu na Alemanha. Algo na França, como Partido Comunista. Nem essas forças, nem menos ainda a extrema esquerda, como os trotskistas, e nem sequer uma socialdemocracia como a que descrevi antes alcançam uma resposta a esta crise a seus perigos, contudo. A mesma debilidade da esquerda aumenta os riscos.

– Que riscos?

– Em períodos de grande descontentamento como o que começamos a viver, o grande perigo é a xenofobia, que alimentará e será por sua vez alimentada pela extrema direita. E quem essa extrema direita buscará? Buscará atrair os “estúpidos” cidadãos que se preocupam com seu trabalho e têm medo de perdê-lo. E digo estúpidos ironicamente, quero deixar claro. Porque aí reside outro fracasso evidente do fundamentalismo de mercado. Deu liberdade para todos, e a verdadeira liberdade de trabalho? A de mudá-lo e melhorar em todos os aspectos? Essa liberdade não foi respeitada porque, para o fundamentalismo de mercado isso tinha se tornado intolerável. Também teriam sido politicamente intoleráveis a liberdade absoluta e a desregulação absoluta em matéria laboral, ao menos na Europa. Eu temo uma era de depressão.

– Você ainda tem dúvidas de que entraremos em depressão?

– Se você quiser posso falar tecnicamente, como os economistas, e quantificar trimestres. Mas isso não é necessário. Que outra palavra pode se usar para denominar um tempo em que muito velozmente milhões de pessoas perdem seu emprego? De qualquer maneira, até o momento no vejo um cenário de uma extrema direita ganhando maioria em eleições, como ocorreu em 1933, quando a Alemanha elegeu Adolf Hitler. É paradoxal, mas com um mundo muito globalizado um fator impedirá a imigração, que por sua vez aparece como a desculpa para a xenofobia e para o giro à extrema direita. E esse fator é que as pessoas emigrarão menos – falo em termos de emigração em massa – ao verem que nos países desenvolvidos a crise é tão grave. Voltando à xenofobia, o problema é que, ainda que a extrema direita não ganhe, poderia ser muito importante na fixação da agenda pública de temas e terminaria por imprimir uma face muito feia na política.

– Deixemos de lado a economia, por um momento. Pensando em política, o que diminuiria o risco da xenofobia?

– Me parece bem, vamos à prática. O perigo diminuiria com governos que gozem de confiança política suficiente por parte do povo em virtude de sua capacidade de restaurar o bem-estar econômico. As pessoas devem ver os políticos como gente capaz de garantir a democracia, os direitos individuais e ao mesmo tempo coordenar planos eficazes para se sair da crise. Agora que falamos deste tema, sabe que vejo os países da América Latina surpreendentemente imunes à xenofobia?

– Por que? 

– Eu lhe pergunto se é assim. É assim?

– É possível. Não diria que são imunes, se pensamos, por exemplo, no tratamento racista de um setor da Bolívia frente a Evo Morales, mas ao menos nos últimos 25 anos de democracia, para tomar a idade da democracia argentina, a xenofobia e o racismo nunca foram massivos nem nutriram partidos de extrema direita, que são muito pequenos. Nem sequer com a crise de 2001, que culminou o processo de destruição de milhões de empregos, apesar de que a imigração boliviana já era muito importante em número. Agora, não falamos dos cantos das torcidas de futebol, não é?

– Não, eu penso em termos massivos.

– Então as coisas parecem ser como você pensa, professor. E, como em outros lugares do mundo, o pensamento da extrema direita aparece, por exemplo, com a crispação sobre a segurança e a insegurança das ruas.

– Sim, a América Latina é interessante. Tenho essa intuição. Pense num país maior, o Brasil. Lula manteve algumas idéias de estabilidade econômica de Fernando Henrique Cardoso, mas ampliou enormemente os serviços sociais e a distribuição. Alguns dizem que não é suficiente…

– E você, o que diz?

– Que não é suficiente. Mas que Lula fez, fez. E é muito significativo. Lula é o verdadeiro introdutor da democracia no Brasil. E ninguém o havia feito nunca na história desse país. Por isso hoje tem 70% de popularidade, apesar dos problemas prévios às últimas eleições. Porque no Brasil há muitos pobres e ninguém jamais fez tantas coisas concretas por eles, desenvolvendo ao mesmo tempo a indústria e a exportação de produtos manufaturados. A desigualdade ainda assim segue sendo horrorosa. Mas ainda faltam muitos anos para mudar as coisas. Muitos.

– E você pensa que serão de anos de depressão mundial?

– Sim. Lamento dizê-lo, mas apostaria que haverá depressão e que durará alguns anos. Estamos entrando em depressão. Sabem como se pode dar conta disso? Falando com gente de negócios. Bom, eles estão mais deprimidos que os economistas e os políticos. E, por sua vez, esta depressão é uma grande mudança para a economia capitalista global.

– Por que está tão seguro desse diagnóstico?

– Porque não há volta atrás para o mercado absoluto que regeu os últimos 40 anos, desde a década de 70. Já não é mais uma questão de ciclos. O sistema deve ser reestruturado.

– Posso lhe perguntar de novo por que está tão seguro?

– Porque esse modelo não é apenas injusto: agora é impossível. As noções básicas segundo as quais as políticas públicas deviam ser abandonadas, agora estão sendo deixadas de lado. Pense no que fazem e às vezes dizem, dirigentes importantes de países desenvolvidos. Estão querendo reestruturar as economias para sair da crise. Não estou elogiando. Estou descrevendo um fenômeno. E esse fenômeno tem um elemento central: ninguém mais se anima a pensar que o Estado pode não ser necessário ao desenvolvimento econômico. Ninguém mais diz que bastará deixar que o mercado flua, com sua liberdade total. Não vê que o sistema financeiro internacional já nem funciona mais? Num sentido, essa crise é pior do que a de 1929-1933, porque é absolutamente global. Nem os bancos funcionam.

– Onde você vivia nesse momento, no começo dos anos 30?

– Nada menos que em Viena e Berlim. Era um menino. Que momento horroroso. Falemos de coisas melhores, como Franklin Delano Roosevelt.

– Numa entrevista para a BBC no começo da crise você o resgatou.

– Sim, e resgato os motivos políticos de Roosevelt. Na política ele aplicou o princípio do “Nunca mais”. Com tantos pobres, com tantos famintos nos Estados Unidos, nunca mais o mercado como fator exclusivo de obtenção de recursos. Por isso decidiu realizar sua política do pleno emprego. E desse modo não somente atenuou os efeitos sociais da crise como seus eventuais efeitos políticos de fascistização com base no medo massivo. O sistema de pleno emprego não modificou a raiz da sociedade, mas funcionou durante décadas. Funcionou razoavelmente bem nos Estados Unidos, funcionou na França, produziu a inclusão social de muita gente, baseou-se no bem-estar combinado com uma economia mista que teve resultados muito razoáveis no mundo do pós-Segunda Guerra. Alguns estados foram mais sistemáticos, como a França, que implantou o capitalismo dirigido, mas em geral as economias eram mistas e o Estado estava presente de um modo ou de outro. Poderemos fazê-lo de novo? Não sei. O que sei é que a solução não estará só na tecnologia e no desenvolvimento econômico. Roosevelt levou em conta o custo humano da situação de crise.

– Quer dizer que para você as sociedades não se suicidam. 

(Pensa) – Não deliberadamente. Sim, podem ir cometendo erros que as levam a catástrofes terríveis. Ou ao desastre. Com que razoabilidade, durante esses anos, se podia acreditar que o crescimento com tamanho nível de uma bolha seria ilimitado? Cedo ou tarde isso terminaria e algo deveria ser feito.

– De maneira que não haverá catástrofe.

– Não me interessam as previsões. Observe, se acontece, acontece. Mas se há algo que se possa fazer, façamos-no. Não se pode perdoar alguém por não ter feito nada. Pelo menos uma tentativa. O desastre sobrevirá se permanecermos quietos. A sociedade não pode basear-se numa concepção automática dos processos políticos. Minha geração não ficou quieta nos anos 30 nem nos 40. Na Inglaterra eu cresci, participei ativamente da política, fui acadêmico estudando em Cambridge. E todos éramos muito politizados. A Guerra Civil espanhola nos tocou muito. Por isso fomos firmemente antifascistas.

– Tocou a esquerda de todo o mundo. Também na América Latina

– Claro, foi um tema muito forte para todos. E nós, em Cambridge, víamos que os governos não faziam nada para defender a República. Por isso reagimos contra as velhas gerações e os governos que as representavam. Anos depois entendi a lógica de por quê o governo do Reino Unido, onde nós estávamos, não fez nada contra Francisco Franco. Já tinha a lucidez de se saber um império em decadência e tinha consciência de sua debilidade. A Espanha funcionou como uma distração. E os governos não deviam tê-la tomado assim. Equivocaram-se. O levante contra a República foi um dos feitos mais importantes do século XX. Logo depois, na Segunda Guerra…

– Pouco depois, não? Porque o fim da Guerra Civil Espanhola e a invasão alemã da Tchecoslováquia ocorreu no mesmo ano. 

– É verdade. Dizia-lhe que logo depois o liberalismo e o comunismo tiveram uma causa comum. Se deram conta de que, assim não fosse, eram débeis frente ao nazismo. E no caso da América Latina o modelo de Franco influenciou mais que o de Benito Mussolini, com suas idéias conspiratórias da sinarquia, por exemplo. Não tome isso como uma desculpa para Mussolini, por favor. O fascismo europeu em geral é uma ideologia inaceitável, oposta a valores universais.

– Você fala da América Latina…

– Mas não me pergunte da Argentina. Não sei o suficiente de seu país. Todos me perguntam do peronismo. Para mim está claro que não pode ser tomado como um movimento de extrema direita. Foi um movimento popular que organizou os trabalhadores e isso talvez explique sua permanência no tempo. Nem os socialistas nem os comunistas puderam estabelecer uma base forte no movimento sindical. Sei das crises que a Argentina sofreu e sei algo de sua história, do peso da classe média, de sua sociedade avançada culturalmente dentro da América Latina, fenômeno que creio ainda se mantém. Sei da idade de ouro dos anos 20 e sei dos exemplos obscenos de desigualdade comuns a toda a América Latina.

– Você sempre se definiu com um homem de esquerda. Também segue tendo confiança nela?

– Sigo na esquerda, sem dúvida com mais interesse em Marx do que em Lênin. Porque sejamos sinceros, o socialismo soviético fracassou. Foi uma forma extrema de aplicar a lógica do socialismo, assimo como o fundamentalismo de mercado foi uma forma extrema de aplicação da lógica do liberalismo econômico. E também fracassou. A crise global que começou no ano passado é, para a economia de mercado, equivalente ao que foi a queda do Muro de Berlim em 1989. Por isso Marx segue me interessando. Como o capitalismo segue existindo, a análise marxista ainda é uma boa ferramenta para analisá-lo. Ao mesmo tempo, está claro que não só não é possível como não é desejável uma economia socialista sem mercado nem uma economia em geral sem Estado.

– Por que não? 

– Se se mira a história e o presente, não há dúvida alguma de que os problemas principais, sobretudo no meio de uma crise profunda, devem e podem ser solucionados pela ação política. O mercado não tem condições de fazê-lo.

(*) Martin Granovsky é analista internacional e presidente da agência de notícias Télam.

(Publicado no blog DoLaDoDeLá – http://maureliomello.blogspot.com.br/2012/04/eric-hobsbawn-ninguem-fez-tanto-pelos.html)

 

2.  VALE A PENA LER

 

Colômbia: da arte de vender um país
Apesar de ser o aliado mais leal e servil aos interesses dos Estados Unidos na América do Sul, a Colômbia carece – e muito – de recursos. Agora, ele trata de atrair mais dinheiro da Espanha, que já é o terceiro maior investidor estrangeiro no país. Em um fórum de investimentos e cooperação empresarial Espanha-Colômbia, o presidente Juan Manuel Santos deu uma estocada na Argentina e disse: “Se for bom para os empresários, será bom para nós. Aqui, nós não expropriamos”. O artigo é de Eric Nepomuceno, direto de Bogotá.

http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=20042&boletim_id=1178&componente_id=18866

 

Anistia denuncia discriminação contra muçulmanos na Europa
O relatório que a Anistia Internacional acaba de publicar sobre a discriminação da qual são objeto os muçulmanos na Europa é uma radiografia límpida de um processo de exclusão que se amplia com a influência crescente dos partidos de extrema-direita populistas que pululam no Velho Continente. A prova mais delirante dessa política é o famoso referendo organizado na Suíça em 2009 (foi aprovado por 57% dos votantes), mediante o qual se aprovou a proibição de construir novas mesquitas no país.

http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=20038&boletim_id=1178&componente_id=18885

 

Economia da Inglaterra entra em recessão
A economia britânica contraiu-se 0,2% nos três primeiros meses do ano, após ter registrado uma queda de 0,3% entre outubro e dezembro de 2011. É a segunda recessão em três anos, algo que não ocorria desde 1975, mas, sobretudo, é um golpe para a estratégia de ajuste fiscal impulsionada pela coalizão conservadora-liberal democrata que governa o país. O primeiro ministro David Cameron lamentou os números, mas assinalou que seguirá com o programa de austeridade. O artigo é de Marcelo Justo.

http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=20031&boletim_id=1177&componente_id=18846

 

leia no WWW.outraspalavras.net

Três milhões de passageiros em trens fantasmas
Há uma razão para os constantes acidentes ferroviários em São Paulo. Governo comprou carros novos, mas manteve estrutura da rede em pandarecos. Reportagem de Tadeu Breda

Portugal lembra os Cravos com saudades
Há 38 anos, revolução varria ditadura salazarista prometendo liberdade e vida digna. Agora, crise e decadência reacendem desejo de mudanças. Por Antonio Barbosa Filho, correspondente na Europa

O que foi a Revolução Portuguesa
Disparada por uma canção, liderada por jovens militares, ela conquistou sociedade, radicalizou-se e depois sucumbiu, em quatro décadas de diluição (A.B.Fº)

Especulações sobre a China, à beira de nova transição
Ousado e ambicioso, Bo Xilai caiu em desgraça no PC. Mas como partido lidará com reformas que ele procurava simbolizar? Por Ian Johnson

Por onde anda Marianne?
Crônica meio indignada, meio romântica e otimista sobre as eleições francesas e as perspectivas do segundo turno. Por Marilza de Mello Foucher, correspondente em Paris.

Da Grécia ao Reino Unido, Velho Continente volta a andar para trás
Dados confirmam que “austeridade” deprime União Europeia, mas governantes insistem em prolongar sacrifícios (A.M.)

Noam Chomsky escreve – e fala – sobre o Occupy
Entrevistado ao lançar novo livro, ele debate perspectivas do movimento, Primavera Árabe, crise da democracia, internet e como os EUA produziram seu próprio declínio. Entrevista a Joshua Holland, do Alternet

Por que o Brasil precisa das cotas
Políticas anti-discriminatórias vão muito além de reparar injustiças. Libertam país de laços que nos prendem a segregação, violência e privilégios. Por Luiz Felipe de Alencastro

Desenvolvimentismo inglês, muito antes de Keynes

José Luís Fiori escreve: a partir do século XVII, protecionismo, sistema financeiro muito avançado e expansão militar fizeram da Inglaterra primeira grande potência capitalista 

Festa num país dividido
Comemoração da Revolução dos Cravos, em Portugal, escancarou o descompasso entre discurso oficial e sentimento popular: tensão está no ar. Por Antonio Barbosa Filho, correspondente na Europa

 

 

Miro Teixeira perde tempo ao defender silêncio de Policarpo e Veja. Interessa é o que está nos grampos da PF.

Se verdadeira uma nota publicada na coluna Painel da Folha de ontem, o deputado Miro Teixeira é o ponta de lança de uma estocada da mídia corporativa em defesa da tese de que jornalistas não podem falar na CPI, sob pena de perda da garantia do sigilo da fonte.

http://blogdomello.blogspot.com.br/2012/04/miro-teixeira-perde-tempo-ao-defender.html

 

INFORMAÇÃO & SIGILO

O sistema Echelon de vigilância global

http://www.observatoriodaimprensa.com.br/news/view/_ed691_o_sistema_echelon_de_vigilancia_global

 

A nova Guerra Fria, agora na internet

Por Carlos Castilho

 Os Estados Unidos ganharam a Guerra Fria nuclear sem disparar um tiro, mas podem estar perdendo a versão cibernética do conflito pela supremacia mundial. E acredite quem quiser: a nova superpotência virtual  é a China, apontada pelos especialistas ocidentais em segurança cibernética como a maior incógnita contemporânea no que se refere a políticas de uso da internet.

Leia o artigo completo aqui: http://www.observatoriodaimprensa.com.br/posts/view/a_nova_guerra_fria_agora_na_internet

 

Retrato de um país de contrastes

Por Luciano Martins Costa

“O Brasil não é para amadores.” A frase, atribuída ao maestro Tom Jobim, teve nos últimos dias sua mais completa tradução. Notícias sobre o Brasil, publicadas desde o fim de semana, mostram um painel que vai da euforia com a situação econômica e os novos indicadores sociais ao desalento com a revelação das profundidades a que pode chegar a corrupção e, ao mesmo tempo, com fatos estarrecedores como a chacina brutal de sete pessoas numa fazenda de Goiás.

Leia aqui: http://www.observatoriodaimprensa.com.br/news/view/retrato_de_um_pais_de_contrastes 

 

A Universidade pública e o vírus do privatismo

MARCOS DEL ROIO

A Universidade pública viveu grande momento de expansão no decorrer da ditadura militar e isso por dois motivos principais: havia uma forte demanda reprimida de acesso a Universidade e havia também a necessidade de formação da força de trabalho segundo as exigências do desenvolvimento do capitalismo no Brasil, o qual precisava de intelectuais técnicos e cientistas em condições de manejar o aparato produtivo implantado pelas grandes empresas imperialistas e seus associados brasileiros… LEIA NA ÍNTEGRA: http://espacoacademico.wordpress.com/2012/04/28/a-universidade-publica-e-o-virus-do-privatismo/

 

Modelo de austeridade de Merkel está em crise na Europa
As eleições na França e na Grécia, a queda do governo holandês e romeno, a recessão no Reino Unido, na Espanha e na Bélgica são sinais de um modelo econômico contra as cordas. Na reta final da campanha presidencial francesa, Angela Merkel se converteu na melhor aliada do candidato socialista François Hollande. A chanceler alemã rechaçou energicamente a proposta de Hollande de renegociar o pacto fiscal. “A Alemanha não decide o destino da Europa”, respondeu Hollande. O artigo é de Marcelo Justo, direto de Londres.

http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=20054&boletim_id=1179&componente_id=18889

 

3. INFORMAÇÕES

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INFORMAÇÕES ÚTEIS:

Estacionamento na Rua Itajubá, 415 (entre a Rua Pouso Alegre e a Avenida Contorno).

Os serviços de bar e de livraria não aceitarão cartão de crédito ou débito.

 

No Nethistória: WWW.nethistoria.com.br

Desafio NetHistória:

Afie os seus instrumentais de pesquisa. Testes as suas ferramentas e recursos no Desafio NetHistória.

::Transcrição Paleográfica

Publicações em Destaque:

Verifique os textos em destaque.

::Novum Organum ou verdadeiras indicações acerca da interpretação da natureza

::Os vikings na história e na arte ocidental

Release:

Releases das principais publicações editoriais do seguimento histórico.

::O infante de Parma – A educação de um príncipe iluminista

  

4.  CAFÉ HISTÓRIA

MATÉRIA CAFÉ HISTÓRIA: MÚSICA E HISTÓRIA COM ERNESTO NAZARETH

Site disponibiliza diversificado acervo do músico Ernesto Nazareth. Um dos objetivos é apresentar ao grande público a obra de um dos mais talentosos e importantes pianistas e compositores brasileiros.

Leia esta matéria em: http://cafehistoria.ning.com/ernestonazareth

CINE HISTÓRIA: UM MÉTODO PERIGOSO

Novo filme de David Cronenberg explora os princípios da psicanálise a partir da relação entre Jung, Freud e Spielrein.

Leia sobre o filme e veja o trilher: http://cafehistoria.ning.com [Página Principal]

CONTEÚDO DA SEMANA: GUERRILHA DO ARAGUAIA

Participe do fórum sobre a polêmica “Guerrilha do Araguaia”: qual a sua importância para o processo de redemocratização do Brasil?

Veja a imagem em: http://cafehistoria.ning.com/forum/topics/guerrilha-do-araguaia-qual-sua

CAFÉ EXPRESSO NOTÍCIAS: TSUNAMI SALVOU CIDADE GREGA HÁ 2500 ANOS

Quando ondas tomaram tamanhos quase titânicos e salvaram uma cidade grega das garras de um exército persa há aproximadamente 2.500 anos, o renomado historiador grego Heródoto registrou o evento como um ato de misericórdia do deus dos mares, Poseidon. No entanto, o que os Gregos estavam enfrentando era uma Tsunami. 

Confira esta notícia em: http://cafehistoria.ning.com [Página Principal]

DOCUMENTO HISTÓRICO: SELO COMEMORATIVO DO GOL 1000 DE PELÉ

Gol recebeu homenagem dos correios após ser marcado no Maracanã, em 1969.

Clique ver a capa e descobrir: http://cafehistoria.ning.com [Página Principal]

DESCONTO EM LIVRO: CUPOM DE DESCONTO DE 20% PARA LEITORES DO CAFÉ

E aí, o que acha de comprar vários livros no site da Editora Contexto e usar um cupom de 20% de desconto?

Descubra qual é o cupom: http://cafehistoria.ning.com/descontoemlivros

MURAL DO HISTORIADOR: REVISTA LOCUS: DOSSIÊ “HISTÓRIA E GÊNERO”

Acaba de ser lançado o volume 17 da revista “Locus”, da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF).

Leia na íntegra a revista: http://cafehistoria.ning.com [Página Principal]

 

SEMINÁRIO TRAUMA, MEMÓRIA E REPARAÇÃO: EM MAIO, NA UFRJ

Entre os dias 9 e 11 de maio, ocorre na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o “I Simpósio Internacional de História Contemporânea: Memória, Trauma e Reparação”. Mas corra! Vagas limitadas!

Leia mais sobre o evento: http://cafehistoria.ning.com/page/evento-em-destaque-memoria-trauma-e-reparacao

Visite Cafe Historia em: http://cafehistoria.ning.com/?xg_source=msg_mes_network

 

 

 

 

Sobre boletimdehistoriaricardo

Este Boletim é voltado, principal mas não exclusivamente, para historiadores e estudantes. Seu propósito é fornecer informações, notícias, links. Contribuições são bem-vindas. As opiniões exaradas em artigos assinados não são, necessariamente, as do editor. Mas o espaço é plural.
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