Numero 348

 

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Bem, lá se foram as eleições na maior parte do país. Não vou discutir o que aconteceu nos demais estados, foge à minha competência. Mas me atrevo a comentar algumas coisas daqui de BH.

  1. 8 candidatos a vereador receberam apenas UM voto. 21 candidatos a vereador receberam ZERO votos! Minha questão para os leitores e leitoras: tirando o aspecto por demais cômico e surreal, há algum significado mais importante nesses números?
  2. A vitória de Márcio Lacerda, já no primeiro turno, não deve ser considerada algo inusitado. Publicidade milionária ao longo do primeiro mandato, o apoio de Aécio Neves e a visibilidade das obras voltadas para a copa do mundo, fizeram com que ele fosse apontado como um dos melhores prefeitos do país. A imprensa mineira, claro, totalmente do lado dele. Estar com Lacerda é estar com Aécio. Só o Fernando Pimentel não foi capaz de enxergar isso, ao entregar, de mão beijada, a prefeitura da capital para o secretário do Aécio, em nome de uma “new politic”. O resultado está ai: Aécio se fortalece na capital mineira em suas pretensões de chegar à presidência em 2014. O Partido dos Trabalhadores deve agradecer, penhorado, ao Pimentel.
  3. Claro que as pretensões de Aécio encontraram um complicador na capital paulista. Ele devia estar torcendo para o Russomano e o Haddad passarem para o segundo turno, pois isso eliminaria de vez o Serra de seu caminho. Não é atoa que ontem, Aécio já estava cobrando do PSDB a definição de quem será o candidato à presidência. Se o Serra ganhar, ele terá fôlego para, daqui a dois anos, largar a prefeitura de São Paulo de novo e tentar ser – de novo! – o candidato tucano.
  4. A briga vai ser boa. Aguardemos!

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ARTIGOS COMPLETOS

 

 Salário dos professores (publicado no blog da KikaCastro)

Texto escrito por José de Souza Castro:

Muito interessante o texto assinado por Jamil Chade, de Genebra, publicado pelo “Jornal da Tarde” de 5 de outubro, sob o título “Professor brasileiro é dos mais mal pagos do mundo”. Instrutivos também os comentários publicados pelo site do jornal. Em resumo, Chade informa o seguinte:

- Em 2011, economistas do banco suíço UBS constataram que professores do Ensino Fundamental em São Paulo ganham em média US$ 10,6 mil por ano, ou 10% de um colega de Zurique, que recebe em média US$ 104,6 mil por ano.

- São Paulo paga pior, por exemplo, que Nairobi (Quênia), Lima (Peru), Mumbai (Índia) e Cairo (Egito). Em praticamente toda a Europa, nos Estados Unidos e no Japão, os salários são pelo menos cinco vezes superiores aos do professor do Ensino Fundamental em São Paulo.

- A Organização Internacional do Trabalho (OIT) alerta que em vários países emergentes a profissão de professor está sob forte ameaça por causa dos salários baixos. Ela não consegue atrair pessoas qualificadas e como consequência, é baixo o nível do sistema de ensino, embora a educação devesse ser vista por governos como um dos pilares do crescimento econômico.

- Estudo liderado pela OIT e Unesco revelou que, numa lista de 38 países, docentes que começam a carreira no Brasil só ganham mais que os colegas do Peru e da Indonésia. O salário anual médio de um professor em início de carreira no Brasil é de apenas US$ 4,8 mil, contra US$ 30 mil na Alemanha.

- Segundo o Banco Mundial, o PIB per capita no Brasil chegou a US$ 11,6 mil por ano em 2011. Ou mil dólares mais que a renda média do professor do Ensino Fundamental.

- A OCDE, no entanto, informa que professores do Ensino Fundamental em países desenvolvidos recebem em média por ano uma renda 17% superior ao salário médio de seus países, como forma de incentivar a profissão. Na Coreia do Sul, uma das economias mais dinâmicas do mundo, os salários médios de professores desse nível são 121% superiores à média nacional.

 

A mercantilização do homem

 

            A história da humanidade está repleta de fatos que evidenciam a prática de escravização de certos segmentos sociais e etnias consideradas inferiores. Os africanos e os indígenas eram capturados e negociados como mercadoria, na mesma condição de animais de carga. A prostituição tanto masculina quanto feminina é uma das muitas formas de mercadejar a própria pessoa humana.  Mas o humanismo, a duras penas, vem conquistando espaço. Hoje, para a parte mais esclarecida da sociedade, a prática do usar e do abuso de seres humanos, bem como de animais é repugnante.

            Em setembro de 2012 o jornalista Eduardo Graça entrevistou em Harvard o Dr. Michael Sandel, o cientista social e filósofo mais respeitado no mundo atual. (Carta Capital n. 717) Basta dizer que seus livros batem recordes de venda nos EUA e na China. O seu livro “O que o dinheiro não compra” já é o mais vendido de 2012. Para Sandel a era iniciada por Margareth Thatcher e Ronald Reagan já não é somente uma economia de mercado, mas transformada em uma sociedade de mercado. Nos EUA o Estado paga crianças para ler livros em escolas públicas. Pessoas tatuam na testa o símbolo de determinadas marcas e se transformam em propagandas ambulantes. As vestes e os calçados são estampados com propaganda. Tudo está à venda, inclusive a democracia. Sandel faz referência à chamada decisão Citizen United, da suprema corte, na qual o judiciário colocou a democracia à venda, ao acabar com as restrições às contribuições privadas às campanhas eleitorais. Se há valores que o dinheiro não poderia e não deveria comprar, na cabeça da lista deveriam estar as instituições democráticas. Quando se permite corporações controlar e comprar campanhas eleitorais e serem efetivamente donas das candidaturas, a democracia entrou na categoria do “tudo está perdido”. Esse é um exemplo gritante do quão corrosivo os mercados podem ser para a vida democrática.

            Para Sandel, um dos grandes desafios para o mundo ocidental é o de traduzir crescimento econômico em segurança social, que possa de fato afetar a vida dos que vivem na base da pirâmide social. Os benefícios do crescimento econômico reforçam a acumulação no topo da pirâmide, em prejuízo dos mais necessitados. O que é mais grave em toda essa situação é que as grandes empresas e os cidadãos detentores do poder político e das maiores fortunas impedem um debate sério sobre ética e mercado.

           

            Antônio de Paiva Moura – Belo Horizonte.

 

 

VALE A PENA LER

Eisenstein e o Cinema Soviético (III)

ALEXANDER MARTINS VIANNA

Nos dois ensaios anteriores, abordei a ambiência político-institucional na URSS de surgimento do cinema mudo de Sergei Eisenstein (1898-1948) e a sua transição para a fase sonora, considerando também as suas implicações estético-sociais e políticas em face da stalinização do projeto revolucionário bolchevique. Neste ensaio, pretendo analisar as formas e os sentidos do filme “Encouraçado Potemkin” (1925), sistematizando as ponderações de Eisenstein sobre o mesmo que aparecem dispersas em seus vários ensaios de reflexões sobre o cinema… LEIA NA ÍNTEGRA: http://espacoacademico.wordpress.com/2012/10/03/eisenstein-e-o-cinema-sovietico-iii/ 

 

Leia no WWW.outraspalavras.net:

Para desvendar as novas formas de Política
Pesquisadora da Escola do Futuro provoca: juventude é engajada, solidária e generosa; Educação é que parou na era industrial. Entrevista de Drica Guzzi a Jô Húngaro, na série Outra Política

O porquê do ódio a Chávez
Ele cumpriu promessa de governar para maiorias e mostrou que História não tinha terminado. Por isso (não por seus erros) oligarquias o detestam… Por Ignacio Ramonet e Jean-Luc Melenchon 

Coreias: do conflito a uma possível confederação
Eleições no Sul podem desencadear processo de entendimento que criaria grande polo geopolítico – e reforçaria emergência das antigas “periferias”. Por Immanuel Wallerstein

Mensalão”, hipocrisia e corrupção preservada

STF e mídia fingem resgatar ética, mas mantêm intactos mecanismos que subordinam candidatos ao dinheiro e interesse de grandes empresas. Por Ladislau Dowbor, em Carta Maior

 

Para que a escola não atrase o século 21

Grupo internacional pesquisa alternativas para adaptar educação às novas dinâmicas da vida. Entre exemplos, experiência sueca em que alunos desenvolvem, com ajuda de tutores, planos de estudo adequados a suas paixões e afinidades. No Porvir

 

Os dois motivos que podem levar à independência catalã

Precariamente acomodada no Estado espanhol há três décadas, região é vítima, agora, dos cortes de direitos exigidos pela “troika”. Possível secessão revela grau de irresponsabilidade a que chegaram dirigentes europeus. Por José Manuel Pureza, no Esquerda.net

A vitória de Chávez e seus significados
Oposição reconhece caráter democrático das eleições. Resultado referenda projeto do presidente, porém com ressalvas. Futuro parece depender de criatividade política. Por Antonio Martins

Os temas que Romney e Obama evitam: desastre ambiental e guerra nuclear
Agora que o espetáculo da eleição presidencial nos EUA está chegando ao ápice, é útil perguntar como as campanhas políticas estão abordando os temas mais cruciais que enfrentamos. A resposta é singela: estão abordando mal ou não estão, simplesmente. Esses são dois temas de suma importância, porque o destino das espécies está em jogo: desastre ambiental e guerra nuclear. O que podemos fazer a respeito? O artigo é de Noam Chomsky.

http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=21039&boletim_id=1404&componente_id=23477

 

 

INFORMAÇÕES

  1. Biblioteca comunitária.

No dia 10 de novembro, sábado, será inaugurada a Biblioteca Comunitária Miguel Burnier, num distrito de Ouro Preto. Esse equipamento cultural funcionava como estação ferroviária e estava bastante degradado. Graças à comunidade, ao Ministério Público Estadual e aos ferroviaristas, ele foi reformado e, como nunca mais cumprirá a sua missão inicial, volta à atividade fomentando o incentivo à leitura e à cultura.

Contatei algumas editoras e instituições para obter doações de livros para a Biblioteca e a resposta foi bastante satisfatória. Nesse empenho, contei com dedicada colaboração da Eliana Santanna e do Ricardo Faria. A eles, meus sinceros agradecimentos.

Haverá uma grande programação cultural nos dias 10 e 11 e, como simpatizante da causa e escritora, estarei lá. Quero convidá-los para o evento.

 

  1. 2.       Novo livro

O novo título acadêmico da Balão Editorial foi lançado no dia 04 de outubro, durante o Seminário A Censura em Debate. Tendo como tema a pesquisa sobre a censura nas Artes, principalmente no Teatro, o livro Seminários sobre Censura – Núcleo de Pesquisa em Comunicação e Censura (NPCC/ECA/USP), organizado pela Profa. Dra. Cristina Costa, com apoio Fapesp, é uma coletânea de ensaios produzidos a partir das diferentes atividades do Núcleo de Pesquisas em Comunicação e Censura (NPCC) – seminários internos, seminários abertos ao público e participação em congressos.

 O NPCC reúne pesquisadores nos mais diversos níveis acadêmicos, de alunos de pré-iniciação científica até pós-doutorandos. Ele iniciou suas atividades em torno dos processos de censura teatral pertencentes ao antigo Departamento de Diversões Públicas do Estado de São Paulo, reunidos no Arquivo Miroel Silveira, alocado na ECA/USP. Iniciadas em 2002, as pesquisas avançaram além do período coberto pelo arquivo – de 1930 a 1970 – e hoje se direcionam a outras formas de controle da produção cultural brasileira.

A publicação é resultado desse esforço de pesquisa e de interpretação dos mecanismos censórios empregados ao longo da história, analisando suas várias dimensões e impactos na sociedade e na cultura.

 O livro traz também artigos produzidos especialmente para a publicação, com o intuito de expandir o debate, alinhado com o propósito da obra, que é levar ao público as diferentes dimensões da pesquisa em torno da censura e tornar públicas as memórias que estão sendo recuperadas.

Obra: Seminários sobre censura – Autor: Cristina Costa (org.)

 Nº de páginas: 304 – Preço sugerido: R$ 40,00

  1. Videos

Dois vídeos interessantes, sobre a escola e a criatividade.

Vejam aqui:

Esta e em 2006:

http://www.ted.com/talks/ken_robinson_says_schools_kill_creativity.html

e a continuação em 2010…. veja na ordem….

http://www.ted.com/talks/sir_ken_robinson_bring_on_the_revolution.html

Logo abaixo da tela, você encontra um retângulo que permite escolher a língua para as legendas.

CAFÉ HISTORIA

 

 

MURAL DO HISTORIADOR: HISTÓRIA DO CÂNCER NO BRASIL 

 

Em 2007, a Casa de Oswaldo Cruz deu início aos estudos sobre o câncer a partir de um projeto em parceria com o Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (Inca). A iniciativa culminou com a produção do livro “De doença desconhecida a problema de saúde pública: o INCA e o controle do câncer no Brasil”, em comemoração aos 70 anos de criação do Instituto. Confira a publicação e leia mais sobre o projeto. [Leia mais]

 

CAFÉ EXPRESSO NOTÍCIAS:  NOTA DA ANPUH SOBRE CRÍTICA DA VEJA A HOBSBAWM

 

A Associação Nacional de História publicou uma nota de repúdio a matéria da revista Veja sobre o historiador Eric Hobsbawm, falecido no início do mês. Segundo a ANPUH, Veja teria reduzido o historiador a um “idiota moral”. Confira a resposta da ANPUH na íntegra. [Leia mais]

 

CINE HISTÓRIA: COSMÓPOLIS

 

Está em cartaz nos cinemas brasileiros o novo filme do diretor David Cronenberg, “Comsmópolis”. O livro é baseado em livro do mesmo nome, do celebrado escritor Don DeLillo. [Leia mais]

 

DOCUMENTO HISTÓRICO: CARTAZ DA CAMPANHA DO GENERAL LOTT

 

Propaganda eleitoral do marechal Henrique Lott, um dos candidatos a presidente em 1960. O militar ficou com 32,93% dos votos, perdendo a eleição para Jânio Quadros. [Saiba mais]

 

CONTEÚDO DA SEMANA:  FOTOS DOS “THE BEATLES” EM 1957, AOS 16 ANOS!

 

“The Beatles” em 1957. George Harrison com 14 anos, John Lennon com 16, e Paul McCartney com 15. Na verdade, o grupo ainda se chamava nesta época “The Quarrymen”, primeiro nome da banda que viria em 1959/1960 se chamar The Beatles. [Leia mais]

 

Visite Cafe Historia em: http://cafehistoria.ning.com/?xg_source=msg_mes_network

 

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O XXVII Simpósio Nacional de História será realizado no período de 22 a 26 de julho de 2013 na cidade do Natal, nas dependências da Universidade Federal do Rio Grande do Norte – UFRN. O tema que nos norteia nesse evento será “Conhecimento histórico e diálogo social”. Com a abertura das inscrições para a apresentação de propostas de Simpósios Temáticos e Minicursos iniciamos as atividades deste que é o mais importante evento da área de História realizado no país e que a ANPUH Brasil tem como o ápice das atividades de cada gestão a cada dois anos.

É nossa intenção envidar todos os esforços para que os quase 700 cursos de História que existem no Brasil estejam representados em Natal, bem como os professores de História da Educação Básica e profissionais que atuam em áreas correlatas como museus e arquivos. Conclamamos os sócios para divulgarem o evento e apresentarem suas propostas de Simpósios Temáticos e Minicursos que qualificarão ainda mais nosso conclave e solicitamos especial atenção para o cumprimento dos prazos que foram estabelecidos e que estão disponíveis no site do evento.

Cronograma

Até 02/12/12: Período de inscrições de propostas de simpósios temáticos e minicursos

De 03/12/12 a 16/12/12: Avaliação das propostas

A partir de 17/12/12: Divulgação dos resultados

De 01/01/2013 a 31/03/2013: Inscrições de trabalhos para os simpósios temáticos

De 01/04/13 a 30/04/13: Consolidação das inscrições nos simpósios temáticos

Até 30/04/13: Envio pelas secções regionais dos projetos diferenciados dos professores

A partir de 01/05/13: Envio das cartas de aceite

Até 22/07/13: Inscrições para assistência nos minicursos

Acessem o site do Simpósio: www.snh2013.anpuh.org

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CICLO DE EVENTOS: HISTORIADOR – PERFIS PROFISSIONAIS

Data: 6 e 7 de dezembro

Local: Arquivo Público do Estado de São Paulo

O “Ciclo de Eventos: Historiador – Perfis Profissionais” é uma promoção da ANPUH-Brasil que propõe a discussão sobre o perfil profissional do historiador atuante em diversos espaços para além do ensino e da pesquisa acadêmica strictu sensu. Nesta primeira edição, priorizemos o âmbito dos arquivos.

“O perfil profissional dos historiadores atuantes em Arquivos” ocorrerá nos dias 6 e 7 de dezembro, no Arquivo Público do Estado de São Paulo. Contará, no primeiro dia, com uma mesa de abertura seguida de debate sobre o tema geral do evento. No dia seguinte, cinco grupos de trabalho discutirão aspectos específicos da questão:

• A formação do historiador para atuar em arquivos

• Os historiadores e a difusão cultural em arquivos

• Os historiadores e a gestão documental

• A pesquisa feita por historiadores que trabalham em arquivos

• Os historiadores e o atendimento aos consulentes

A ANPUH-Brasil partirá dessa discussão para elaborar um documento sobre o perfil profissional dos historiadores atuantes em arquivos que servirá de base à política da entidade nesta área.

Cabe salientar que a dinâmica do evento não inclui a apresentação de trabalhos, mas sim o debate e a elaboração coletiva de uma reflexão sobre tal perfil profissional. A inscrição prévia é necessária para que os organizadores e os coordenadores de GTs possam conhecer melhor a audiência e para que, posteriormente, seja possível constituir uma efetiva rede articuladora dos historiadores atuantes em arquivos.

As inscrições são gratuitas e podem ser feitas acessando o site da ANPUH-Brasil (www.anpuh.org/perfisprofissionais/) ou do Arquivo Público do Estado de São Paulo (www.arquivoestado.sp.gov.br) a partir do dia 8 de outubro.

 

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Numero 347

 

 

 

A nota triste desta semana foi o falecimento do historiador Eric Hobsbawm. Com 95 anos ele ainda produzia textos e dava entrevistas mostrando uma lucidez rara em pessoas quase centenárias. Ainda que se possa discordar dele, não há como negar a sua importância. Seu poder de síntese era extraordinário, nos mostrando os séculos XIX e XX em quatro volumes que são leitura obrigatória, penso eu. Posso, talvez, estar exagerando, mas tenho de reconhecer minha dívida pessoal para com ele. Suas obras influenciaram de forma duradoura a minha visão de História.

Recomendo que você, leitor, você, leitora, confiram mais sobre ele nos links iniciais da segunda parte deste boletim, assim como a nota publicada no Café História.

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ARTIGOS COMPLETOS

O efeito das armas sujas

Isso você não vai ver na televisão, porque as agências de notícia internacionais, que abastecem o Brasil simplesmente não trarão esta notícia até você.

Falluja: Uma Geração Perdida? (2011) from Malandro on Vimeo.

1. Tudo começou na Bósnia, em 1991;
2. Mas foram nos bombardeios a Falluja, no Iraque, em 2004, o verdadeiro laboratório;
3. EUA usam lixo atômico clandestinamente em seu armamento;
4. Oficialmente, o Pentágono diz que usa “metais pesados”;
5. As armas termobáricas (hellfires) colabam os pulmões e queimam os corpos de dentro para fora;
6. E o fósforo branco – proibido – causa danos aos bebês;
7. Hoje, em Falluja, nascem de 2 a 3 crianças todos os dias vítimas da radioatividade;
8. A grande maioria delas vive apenas algumas horas;
9. O documentário acima traz este relato sóbrio e triste.
10. Não deixe de assistir, porque informação é poder de decidir!

(do blog DoLaDoDeLa)

 

BBB no STF: Qual a importância do relator?

Nada mais triste do que comparar um julgamento feito pela Corte Constitucional de um país com um reality show. É triste para os operadores do direito e apavorante para o jurisdicionado, o povo brasileiro. Se nos debates televisionados para todo o país tem se visto uma linguagem pouco urbana do ministro relator da AP 470 para com seus pares, principalmente, em face do ministro revisor, imagina-se o que deve ocorrer nos bastidores. Ao vivo, houve acusações de hipocrisia, falta de transparência, falta de lealdade, distorção de fatos e outros tipos de condutas que não cabem em qualquer julgador. Editorial da Carta Maior.

Editorial Carta Maior

A Suprema Corte Norte-Americana tem os debates de seus Ministros em salas fechadas. Se eles se estapeiam, brigam ou cospem uns nos outros ninguém sabe. Imagina-se, contudo, um ambiente condizente com a enorme responsabilidade de que são investidos esses julgadores.

O Supremo Tribunal Federal brasileiro, ao contrário, tem seus julgamentos televisionados ao vivo para todo o país, aliás único do mundo.

Os órgãos colegiados nos tribunais brasileiros costumam ter debates bem acesos. É da natureza do colegiado. Sempre que há divergências, os desembargadores ou os ministros procuram defender os seus pontos de vista com enorme cuidado. E, quando se diz cuidado, é porque essa palavra revela o que de fato deve (ou deveria) ocorrer.

O voto de um magistrado, no órgão colegiado, nada mais é do que a fração de um todo que será o fruto do debate entre os seus pares. Podem ser três desembargadores, em uma Câmara de um tribunal estadual, cinco ministros em uma Turma do Superior Tribunal de Justiça, ou onze ministros no Pleno do Supremo Tribunal Federal. Cada voto, ainda que seja do relator ou do revisor, fará parte do todo que é a decisão colegiada.

Aliás, a figura do relator, tão falada e levada ao ponto da adoração no julgamento da AP 470, no STF, nada mais é do que o resultado de um sorteio. A escolha desse chamado juiz natural ocorre por meio de um programa de computador que, levando em consideração inúmeras variáveis, escolhe um ou outro magistrado. Não há luz divina se deitando sobre esse momento. Não há nada de especial nele.

E o relator de qualquer processo, em órgão colegiado, só permanece nessa condição se o seu voto representar a maioria do entendimento dos membros da Corte. Se o relator for vencido, isto é, se o voto de outro magistrado (ou de outros magistrados) arrebanhar a maioria de votantes, a figura do relator original será substituída por aquele que inaugurou a divergência.

Pay per view?
Se nos debates televisionados para todo o país se tem visto uma linguagem pouco urbana do ministro relator da AP 470 para com seus pares, principalmente, em face do ministro revisor, imagina-se o que deve ocorrer nos bastidores.

Ao vivo, houve acusações de hipocrisia, falta de transparência, falta de lealdade, distorção de fatos e outros tipos de condutas que não cabem em qualquer julgador.

O que ocorre nos bastidores, então?

E o poder supremo?

Só quem acompanha o BBB sabe o que é isso. Como o leitor da Carta Maior não deve estar muito conectado com esse tipo de entretenimento, explica-se o que é o poder supremo. Trata-se de um superpoder que um participante pode ter: ele pode vetar, modificar ou decidir o destino de um participante do programa. E não é que o relator da AP 470 parece achar que tem esse poder? Ele não perde uma oportunidade de colocar o revisor no temido “paredão”.

Está tudo tão parecido com um reality show que tem até um participante de fora esperando para entrar. “Ele vai poder votar? É injusto, nos aqui confinados há tanto tempo e vem alguém de fora?”

Falando sério

Agora, falando bem sério, nada mais triste do que comparar um julgamento, feito pela Corte Constitucional de um país, com um reality show. É triste para os operadores do direito e apavorante para o jurisdicionado, o povo brasileiro.

O maior julgamento da história da república, como querem alguns editores desse BBB, não passa de um julgamento de trinta e tantas pessoas acusadas de crimes de colarinho branco. O país pouco vai mudar depois da decisão. Alguns serão punidos, outros não. Um ou outro deve ir preso. E para por aí.

O que preocupa e deve estar aquecendo os bancos das academias de direito são as construções que estão sendo feitas para a condenação dessas pessoas. O que tira o sono é a falta de serenidade de um membro da Corte Suprema, em clara infração ao disposto na Lei Orgânica da Magistratura Nacional: “Art. 35 – São deveres do magistrado: I – Cumprir e fazer cumprir, com independência, serenidade e exatidão, as disposições legais e os atos de ofício” (grifo do editor).

Certas ou erradas (ao STF cabe, inclusive, errar por último – como bem apontou o Ministro Marco Aurélio) terão reflexos em julgamentos futuros.

E quem deve se preocupar com os reflexos jurisprudenciais do julgamento que está ocorrendo ao vivo? Essa é a parte mais divertida e que poucos se deram conta. São os editores desse BBB, os mensaleiros de outro partido e muita gente bem rica, com longos braços políticos, e cheia de “domínio dos fatos”, sem falar no caso do famoso BV, Bônus de Volume, que vai dar pano para muita manga e até quem sabe milhares de processos civis e criminais, tendo em vista a ilegalidade, agora trazida à baila, no julgamento da AP 470.

Este é o momento para abrirmos um grande debate sobre essa questão do BV no Brasil, principalmente para apurarmos quem são os verdadeiros beneficiados por essa prática. O volume de recursos públicos envolvidos nessa matéria deve ser cem vezes maior que os envolvidos na AP 470.

Com a palavra o Ministério Público Federal e a sociedade civil brasileira.

 

 

MEMÓRIA & HISTÓRIA

Telejornais na Biblioteca Nacional

(do Observatório da Imprensa)

Esta semana, duas matérias sobre arquivos jornalísticos, internet e bibliotecas me chamara a atenção. Gostaria de fazer uma conexão entre enfoques totalmente diversos para a solução do mesmo problema: preservação e acesso a documentos históricos.

A primeira matéria, “Site reúne todas as notícias de TV desde 2009”, descreve, neste Observatório,proposta inovadora de um norte-americano, Brewster Kahle. Ele utiliza a internet para preservar informações e dados importantes disponíveis na rede ameaçados de desaparecer no futuro:

“Inspirado numa referência da Antiguidade, a Biblioteca de Alexandria, Brewster Kahle tem uma visão majestosa do gigante agregador e digitalizador de informações Internet Archive que fundou e dirige… Queremos coletar todos os livros, músicas e vídeos que tenham sido produzidos por humanos ao longo do tempo”.

Em relação ao telejornalismo, o projeto tem uma proposta ainda mais ousada, que pode mudar de forma radical a maneira como assistimos e pesquisamos os noticiários de TV:

“…a coleção online do arquivo irá incluir todos os trechos de notícias produzidos nos últimos três anos por 20 canais diferentes dos EUA, abrangendo mais de mil noticiários que resultaram em mais de 350 mil programas distintos de informação… O Internet Archive vem gravando lentamente material de informação desses veículos, o que significa coletar não apenas todas as edições de 60 Minutes na CBS, mas também cada minuto, todos os dias, da CNN”.

No entanto, a questão mais importante e relevante desta matéria, para nós brasileiros, é a forma de financiamento da proposta:

“O projeto para noticiários de TV, como seus outros projetos para o arquivo, é basicamente financiado por bolsas, embora inicialmente Kahle tenha posto seu próprio dinheiro”

Seu próprio dinheiro? Somente este trecho já seria considerado inusitado e surpreendente para todos nós. Por aqui, sempre aguardamos e exigimos verbas do governo para tudo, inclusive para a implantação de ideias inovadoras ou restauração de prédios históricos.

Mas Kahle faz questão de acrescentar que seu projeto também conta com apoio de verbas públicas:

“…bolsas dos Arquivos Nacionais, da Biblioteca do Congresso e de outras agências governamentais que respondem pela maior parte do projeto… o orçamento anual do projeto que gira em torno de US$ 12 milhões (cerca de R$ 24 milhões) e emprega 150 pessoas”.

Como? Somente R$ 24 milhões e 150 pessoas para garantir a preservação e o acesso público e gratuito aos telejornais norte-americano utilizando a internet? No mínimo, intrigante.

Por último, Kahle revela a proposta final e muito ambiciosa do projeto:

“Por maior que seja esta coleta de informações jornalísticas é apenas o começo. O plano é voltar, ano a ano, e lentamente adicionar vídeos de notícias até o início da televisão”.

Hemeroteca

Agora, vamos citar a outra matéria publicada em O Globo,sobre a Biblioteca Nacional: “Marta anuncia R$ 70 milhões para Biblioteca Nacional”:

“Em sua primeira visita oficial ao Rio como ministra da Cultura, Marta Suplicy anunciou um pacote de R$ 70 milhões para a Biblioteca Nacional. A verba será usada para obras de engenharia e restauração no prédio sede, no Centro, e no anexo, na Zona Portuária, onde será implantada a futura Hemeroteca Brasileira”.

Até aqui, tudo bem. Caso você tenha dúvidas sobre o que seja uma hemeroteca, explicamos com auxílio do Dicionário Michaelis. Trata-se de “lugar onde se arquivam jornais e outras publicações periódicas”.

Talvez os “telejornais brasileiros” sejam finalmente considerados “jornais” ou “publicações periódicas” pela Biblioteca Nacional. Talvez a futura Hemeroteca da Biblioteca Nacional possa preservar os nossos telejornais.

Mais adiante, o texto do Globo parece indicar que a prioridade, no entanto, será a “preservação do prédio histórico da Biblioteca Nacional”:

“Desde os anos 1980, a Biblioteca não recebia uma grande reforma. Em 60 dias, está previsto o início do restauro do telhado, das claraboias e dos vitrais, além da troca dos elevadores dos armazéns da sede e da primeira etapa da reforma do anexo.Na semana que vem, haverá edital para recondicionamento dos banheiros, manutenção da sede, entre outras obras, e para o projeto da Hemeroteca.”

Perceberam a conexão?

Só depois de “recondicionamento dos banheiros, manutenção da sede, entre outras obras” é que a nova administração pensará no futuro digital da Biblioteca Nacional. Ou seja, na instalação da tal hemeroteca – “lugar onde se arquivam jornais e outras publicações periódicas”.

Em verdade, só o futuro vai garantir os projetos da BN e a permanência da ministra no governo. Se sobrarem verbas, e dependendo de delicadas negociações com os donos das emissoras brasileiras, talvez, um dia, lembrem-se dos telejornais.

Nada contra gastar milhões na preservação de um belo prédio centenário e histórico. Afinal, a última reforma foi realizada em 1980, segundo O Globo. No mundo ideal, deveríamos ter recursos para preservação das nossas “pirâmides” e para investir na multiplicação dos acervos. Mas a questão principal é decidir pelas “prioridades”.

Mas a proposta do presente artigo não é tratar de construção ou reformas de prédios públicos. É, sim, discutir uma questão importante e relevante: em pleno século 21, para que serve uma Biblioteca Nacional? Como utilizar as novas tecnologias para preservar e garantir acesso a documentos históricos fundamentais, como os noticiários de TV?

Gostaria, então, de discutir duas propostas diversas para investir dinheiro público. De um lado, temos a opção pelo investimento em “pirâmides”: grandes obras que se tornam patrimônio público e garantem dividendos políticos para os nossos gestores, os “faraós modernos”. Afinal, no passado utilizamos grandes somas de recursos públicos para a construção de novíssima capital federal, em Brasília, da gigantesca “Cidade da Música”, no Rio de Janeiro, e hoje investimos milhões em estádios de futebol em todo o Brasil. São as nossas “pirâmides” modernas. Nada contra. Todas essas obras ou reformas podem ser facilmente justificadas. A questão é decidir as prioridades.

De outro lado, temos a opção de investir na consolidação de ideias ou inovações. Colocar dinheiro público em acervos digitais na internet que preservem a nossa história do futuro, por exemplo.

Investir recursos públicos em obras faraônicas é melhor e mais justificável do que investir em ideias inovadoras? Vocês decidem.

Mentiras

Há muitos anos tenho me dedicado a lutar pelo livre acesso aos arquivos de telejornais brasileiros. Tem sido um luta solitária e inglória. Pelo jeito, poucos demonstram interesse para enfrentar as resistências das emissoras de TV brasileiras que guardam esses documentos históricos.

Ao contrário do acesso livre a documentos históricos – como jornais impressos preservados em nossas bibliotecas públicas –, caso você queira consultar os noticiários brasileiros do passado é necessário enfrentar uma verdadeira via crucis deentraves burocráticos e dificuldades técnicas. As decisões sobre o acesso aos telejornais são tomadas por poucos, com critérios indefinidos e nebulosos. É preciso ter muita persistência. O acesso é concretizado somente após longas averiguações, que incluem os propósitos das pesquisas.

Seria o equivalente a justificar o empréstimo de um livro em uma biblioteca qualquer.

Tente fazer, por exemplo, uma pesquisa sobre a participação ou omissão de determinada rede de televisão durante os primórdios da maior mobilização popular da história recente do país, o movimento pelas Diretas Já e veja os resultados.

O jornalista Mario Sergio Conti tentou. Em outubro de 2003, durante um embate público com o jornalista Ali Kamel, diretor de jornalismo da Rede Globo, ele relatou as dificuldades para ter acesso ao acervo da emissora (ver aqui):

“Você acusa todos que criticaram a cobertura do Jornal Nacional daquele comício de não terem feito a pesquisa necessária: ‘Bastava uma visita ao Centro de Documentação da TV Globo, onde todas as reportagens estão arquivadas, para que acusações tão graves simplesmente não existissem’. Perfeito. Mas eu fui, diversas vezes, ao Centro de Documentação da Globo quando fiz a pesquisa para Notícias do Planalto. E pedi a fita do JN de 24 de janeiro de 1984. As fitas daquele ano, explicaram-me, foram gravadas no sistema X, e estavam em processo de transcodificação para o sistema Y. Pedi para ver aquele telejornal específico lá mesmo, numa máquina qualquer, da maneira que fosse. Não dava, foi a resposta. Ao longo de quase dois anos de trabalho no livro, de vez em quando telefonava para o Centro de Documentação e perguntava se dava para ver o raio do JN do comício das diretas na Praça da Sé. Nunca deu.”

Perceberam a importância dos arquivos de telejornais para que outros pesquisadores possam escrever ou reescrever a história recente de nosso país?

Mario Conti não teria qualquer problema para suas pesquisas sobre questão tão importante e relevante caso a Biblioteca Nacional se preocupasse com a preservação de seu prédio histórico e centenário, mas também dedicasse recursos para a preservação e difusão dos telejornais brasileiros do presente e do passado.

O caminho indicado pelo projeto Internet Archive,com a utilização das novas tecnologias, podem ajudar a resolver o problema de acesso aos nossos telejornais. Afinal, como costumo advertir, “o acesso livre à nossa memória televisiva é questão fundamental e estratégica para a preservação da história e da democracia no Brasil. Neles, talvez jamais encontremos a ‘verdade’, mas certamente evitaremos a divulgação de mentiras” (ver “Pelo livre acesso aos arquivos de telejornais”).

***

[Antonio Brasil é jornalista e professor da Universidade Federal de Santa Catarina]

 

VALE A PENA LER

 

A lição de método de Marx e o legado de Hobsbawm
Paul Valéry, no início de sua “Introdução ao Método de Leonardo da Vinci”, disse que “o que fica de um homem é o que nos leva a pensar seu nome e as obras que fazem desse nome um signo de admiração, de ódio ou de indiferença”. A obra de Eric Hobsbawm é um signo de admiração e de lições para o século XXI. Em um de seus últimos trabalhos, reafirmou sua confiança política e metodológica na obra de Marx: “o liberalismo econômico e o liberalismo político, sozinhos ou combinados, não conseguem oferecer uma solução para os problemas do século XX. Mais uma vez chegou a hora de levar Marx a sério”.
http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=21008&boletim_id=1396&componente_id=23314

Francisco Carlos Teixeira
Eric Hobsbawm: uma obra insuperável
Poliglota, viajante incansável, marxista desde sua juventude, profundamente humanista, amante da música e das artes, escritor combativo e aguerrido. Amigo do Brasil, apreciador do “chorinho” carioca, perdemos um grande intelectual, um dos poucos homens com o “coração no lado certo do peito”.02/10/2012

http://www.cartamaior.com.br/templates/colunaMostrar.cfm?coluna_id=5797&boletim_id=1396&componente_id=23325

Lembrança e legado de Eric Hobsbawn
Um historiador com poder de síntese incomparável. Um marxista crítico e inquieto, sem deixar jamais de acreditar na transformação social. Por Martin Kettle Dorothy Wedderburn

http://www.outraspalavras.net/2012/10/02/lembranca-e-legado-de-eric-hobsbawn/

Como mudar o mundo”
Última obra  de Eric Hobsbawm debateu Marx — que via na arte, mais que no trabalho, essência da atividade humana. Por Terry Eagleton

http://www.outraspalavras.net/2011/02/24/o-inexaurivel-marx/

 

As agências subordinadoras da universidade

JOSÉ MARIA ALVES DA SILVA

É paradoxal constatar que a Capes esteja, de fato, contribuindo para a alienação da classe que deveria estar pensando criticamente o País. O clima de alienação no meio acadêmico é visível na falta de debates, na ausência de conferências indignadas, e mesmo de panfletagem nos meios de comunicação de massa, como era comum em outros tempos de luta pelas liberdades democráticas. Tanto barulho por nada. Os painéis temáticos dos congressos nas áreas de humanidades no Brasil hoje são de uma pobreza assustadora. O que mais se vê são discussões de métodos e assuntos especializados de baixa relevância, por grupos restritos de especialistas que só se comunicam entre si… LEIA NA ÍNTEGRA: http://espacoacademico.wordpress.com/2012/09/29/as-agencias-subordinadoras-da-universidade/

França: orçamento socialista taxa mais ricos e empresas
O presidente François Hollande apresentou um projeto de orçamento para 2013 marcado por um nível de arrocho jamais visto nos últimos 30 anos e por um aumento dos impostos que, globalmente, recairá sobre os bolsos das famílias de maior renda e das empresas com maiores lucros. O primeiro orçamento socialista modifica o que foi realizado até agora pela direita: dois terços das arrecadações virão do aumento dos impostos para os ricos e as empresas, o que implica o fim de numerosas isenções fiscais. O artigo é de Eduardo Febbro, direto de Paris.

http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=20996&boletim_id=1393&componente_id=23237

As aves de rapina aplaudem a Espanha moribunda
Lá fora, nas ruas e nas praças, todos parecem saber o que não sabe Mariano Rajoy, não sabe seu governo, não sabem os defensores dessa política suicida aplicada a ferro e fogo com o pseudônimo de austeridade e o aplauso dos matadores do futuro: que quanto mais de aplica essa receita, mais se mata o enfermo. Que enquanto se salvam bancos e especuladores, num ciclo tão vicioso como obsceno, enterram-se gerações. O artigo é de Eric Nepomuceno.
http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=20997&boletim_id=1393&componente_id=23238

Os descaminhos do dinheiro: a compra das eleições
A grande corrupção é aquela que é tão grande que se torna legal. Trata-se do financiamento de campanhas. A empresa que financia um candidato – um assento de deputado federal tipicamente custa 2,5 milhões de reais – tem interesses. Estes interesses se manifestam do lado das políticas que serão aprovadas mais tarde. Do lado do candidato, apenas assentado, já lhe aparece a preocupação com a dívida de campanha que ficou pendurada, e a necessidade de pensar na reeleição. O custo da campanha é cada vez mais descontrolado. O artigo é de Ladislau Dowbor.
http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=21000&boletim_id=1394&componente_id=23268

Leia no WWW.outraspalavras.net

A direita e a mídia sonham com 1964
Não há condições para golpe. Mas os conservadores, incomodados e sem projeto, buscam algo que rompa a pressão da maioria por mudanças e mais democracia. Por Luis Nassif, em seu blog

Tariq Ali tenta desvendar quebra-cabeças sírio
Para escritor e ativista, regime de Assad precisa cair, mas guinada pró-Ocidente pode ser trágica, como na Líbia. Talvez única alternativa aceitável seja transição negociada. No Esquerda.net

Argentina (ao contrário do Brasil…) enfrenta oligopólio da mídia
Com base em nova lei, governo fixa prazo para grupo Clarín transferir parte de suas emissoras e abrir mão para democratização das comunicações. No Sul21

O fim de semana em que a Europa pôs-se em pé
Manifestações gigantescas tomam Madri, Lisboa, Atenas e Paris, denunciam sequestro da democraciae abrem outono de lutas contra oligarquia financeira. Por Antonio Martins

No princípio era Portugal

José Luís Fiori: como pequeno feudo, rebelado contra castelhanos e mouros, guerreou dois séculos e abriu caminho para sistema-mundo que ainda perdura

Paraguai: lições do golpe, cem dias depois

Mídia, transnacionais e direita refinaram, no Paraguai, novo modelo para derrubar líderes populares latino-americanos. Que devemos aprender com isso? Texto e Fotos de Vinicius Souza e Maria Eugênia Sá

 

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ESPECIAL HOBSBAWM: VIDA E OBRA DE UM HISTORIADOR SINGULAR

Conheça um pouco mais sobre o trabalho e a trajetória de um dos mais importantes e influentes historiadores britânicos do século XX. O Café História conversou com professores e estudantes de história no Brasil. [Leia mais]

CAFÉ EXPRESSO NOTÍCIAS:  MAIS UMA OBRA DE LOBATO ACUSADA DE RACISMO

Após ‘Caçadas de Pedrinho’, entidade quer barrar distribuição de ‘Negrinha’. Governo rejeita censura e diz que professores devem contextualizar obras. [Leia mais]

DIVULGUE SEU BLOG NO CAFÉ:  VISIBILIDADE PARA O SEU PRODUTO

Já pensou em anunciar o seu blog ou site para uma ampla e segmentada audiência? [Leia mais]

CINE HISTÓRIA: BOCA (2012)

Inspirado na autobiografia de Hiroto de Moraes Joanide (interpretado por Daniel de Oliveira), o filme é ambientalizado na Boca do Lixo, zona de prostituição em São Paulo durante os anos 50 e 60.  [Leia mais]

VÍDEOS EM DESTAQUE: JOSÉ MURILO DE CARVALHO E JOSÉ CARLOS REIS

Entrevista do historiador José Murilo de Carvalho. [Saiba mais]

Entrevista do historiador José Carlos Reis. [Saiba mais]

DOCUMENTO HISTÓRICO:  HEBE CAMARGO NA CAPA DA REVISTA O CRUZEIRO

Falecida no último fim de semana, Hebe foi capa da edição de julho de 1963 da importante revista. [Saiba mais]

CONTEÚDO DA SEMANA: ENTREVISTA COM HOBSBAWM

Dada em 2009. O tema são os vinte anos da queda do Muro de Berlim. [Leia mais]

 

Bruno Leal iniciou a discussão sobre “Qual a maior dificuldade que você enfrenta atualmente em sala de aula?” no grupo Ensino de História-Nível Médio e Fundamental em Cafe Historia

Fórum dedicado aos docentes dos ensinos médio e fundamental. 

Para ver este tópico, vá em:
http://cafehistoria.ning.com/group/ensinodehistoria/forum/topic/show?id=1980410%3ATopic%3A1076225&xg_source=msg

 

Preparamos uma lista com todas as entrevistas realizadas pelo Café História desde 2009.

Confira os nossos convidados e os temas. Para acessar, clique no nome do entrevistado.

2012

Lise Sedrez – História Ambiental

Paulo César de Araújo – Biografias e Censura

Leila Algranti – Alimentos no Brasil Colônia

Rui Afonso – Diplomata português que salvou milhares de pessoas durante a II Guerra

Jurandir Malerba – Cátedra Sérgio Buarque de Holanda na Alemanha

Angela Bittencourt – Projetos de Digitalização da Biblioteca Nacional

Manolo Florentino – Escravidão no Brasil

2011

Eduardo Jardim – Filosofia e Modernidade

Fábio Koifman – Diplomata brasileiro que salvou centenas de judeus durante a II Guerra

2010

Monica Grin – Questões Raciais no Brasil

Paulo Paim – Regulamentação da Profissão do Historiador

Ricardo Salles – História Contemporânea

Cristina Meneguello – Olimpíadas de História do Brasil

2009

Renata de Rezende Ribeiro – Orkut

Marco Antonio Villa – História e Revolução de 1932

Selma Zalcam – Docência em Escolas

Hilário Franco Júnior – História Medieval

Meize Regine de Lucena – História e Cinema

Luiz Edmundo de Souza Moraes – Partido Nazista no Brasil 

Visite Cafe Historia em: http://cafehistoria.ning.com/?xg_source=msg_mes_network

 

INFORMATIVO ANPUH

  1. Projeto Memória da ANPUH-Brasil.

Depois de um longo processo iniciado na gestão anterior, o projeto coordenado pela Profa. Dra. Ana Maria de Almeida Camargo (FFLCH/USP) já está disponível em nossa página.

Inicialmente disponibilizamos para o público todos os Anais dos Simpósios Nacionais de nossa entidade, mas temos a pretensão de conseguir, com a ajuda de nossas seções regionais, inserir também os trabalhos publicados nos mais diversos encontros regionais. Os primeiros serão os da seção Paraíba, que já enviou boa parte do material de seus encontros.

O site é lançado com uma ferramenta de busca para pesquisas mais detalhadas e também possibilita ao usuário baixar o conteúdo completo das publicações. Consultem!

 

2- Os informativos eletrônicos da ANPUH.

Para aqueles que desejarem rever as edições passadas de nossos informativos, agora é possível. Basta acessar nossa página!

O informe-anpuh está em sua 25ª edição e seu conteúdo depende em grande parte dos sites para os quais faz referência, portanto, nem todos os links dos antigos informativos manterão seu conteúdo.

 

3- Revista Brasileira de História.

A Revista Brasileira de História lembra a todos que nossa 63a edição já está disponível. Com dossiê Igreja e Estado, este número conta com dez artigos de dossiê, oito avulsos e quatro resenhas. A edição 64, com dossiê Trabalho e Trabalhadores recebeu um total de oitenta e três contribuições e encontra-se em fase de emissão de pareceres. Acesse aqui a edição 63.

4. Eventos

ENCONTRO DE HISTÓRIA E CULTURA DOS POVOS INDÍGENAS E AFRODESCENDENTES
Data: 09 a 11 de outubro de 2012
Local: Universidade de Pernambuco (UPE – Campus Petrolina)
Mais informações

COLÓQUIO INTERNACIONAL – CONCEITOS E LINGUAGENS: CONSTRUÇÕES IDENTITÁRIAS
Data: 23 e 24 de outubro de 2012
Local: Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (UNESP – Campus Franca)
Mais informações

COLÓQUIO INTERNACIONAL O COLAPSO DAS DITADURAS
Data: 24 a 26 de outubro de 2012
Local: Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)
Mais informações

VI COLÓQUIO DE HISTÓRIA DA UNICAP: FACES DA CULTURA NA HISTÓRIA -100 ANOS DE LUIZ GONZAGA
Data: 12 a 14 de novembro de 2012
Local: Universidade Católica de Pernambuco (UNICAP)
Mais informações

II COLÓQUIO NACIONAL HISTÓRIA CULTURAL E SENSIBILIDADES
Data: 20 a 23 de novembro de 2012
Local: Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN)
Mais informações

III ENCONTRO ESTADUAL DE HISTÓRIA DA ANPUH ALAGOAS – ENSINO DE HISTÓRIA, CONHECIMENTO HISTÓRICO E DIÁLOGO SOCIAL
Data: 28 a 30 de novembro de 2012
Local: Centro Universitário – Maceió (CESMAC)
Mais informações

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Numero 346

 

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Nao houve como fugir ao assunto do “mensalão”. Como diria a Cecilia Meireles, “esta palavra que ninguém sabe o que seja”.

Mas adorei o comentário do jurista Celso Bandeira de Mello sobre a revista Veja: não leio publicações às quais não atribuo a menor credibilidade.

Falou e disse, Ministro!


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ARTIGOS COMPLETOS

Celso Bandeira de Mello desmente revista Veja

 

Em nota, jurista desmente nota publicada pela Veja, segundo a qual ele estaria redigindo um manifesto contra a atuação dos ministros do STF no julgamento do mensalão. “Não tomei conhecimento imediato da notícia pois não leio publicações às quais não atribuo a menor credibilidade”, disse Bandeira de Mello. E acrescentou: “não teria sentido concitar os encarregados de afirmar a ordem jurídica do País, a respeitarem noções tão rudimentares que os estudantes de Direito, desde o início do Curso, já a conhecem, quais as de que “o mundo do juiz é o mundo dos autos” – e não o da Imprensa.

 

Blog do Nassif

 

(*) Publicado no Blog do Nassif.

O jurista Celso Antônio Bandeira de Mello desmentiu nota publicada na edição 2.287 da revista Veja informando que ele estaria redigindo um manifesto criticando a atuação dos ministros do STF no julgamento do mensalão. Leia a declaração de Celso Antônio Bandeira de Mello:

Uma notícia deslavadamente falsa publicada por um semanário intitulado “Veja” diz que eu estaria a redigir um manifesto criticando a atuação de Ministros do Supremo Tribunal Federal no julgamento da ação que a imprensa batizou de mensalão e sobremais que neste documento seria pedido que aquela Corte procedesse de modo “democrático”, “conduzido apenas de acordo com os autos” e “com respeito à presunção de inocência dos réus”. Não tomei conhecimento imediato da notícia, pois a recebi tardiamente, por informação que me foi transmitida, já que, como é compreensível, não leio publicações às quais não atribuo a menor credibilidade.

No caso, chega a ser disparatada a informação inverídica, pois não teria sentido concitar justamente os encarregados de afirmar a ordem jurídica do País, a respeitarem noções tão rudimentares que os estudantes de Direito, desde o início do Curso, já a conhecem, quais as de que “o mundo do juiz é o mundo dos autos” – e não o da Imprensa – e que é com base neles que se julga e que, ademais, em todo o mundo civilizado existe a “presunção de inocência dos réus”.

 

 

 

O que o caso Marcos Valério conta sobre a mídia brasileira

 

(Paulo Nogueira, no blog do Nassif)

 

Na condição de jornalista independente e apartidário, pronto a reconhecer méritos e defeitos de FHC ou de Lula ou de quem mais for, não posso deixar de comentar o episódio Marcos Valério e Lula. Minha experiência em redação pode eventualmente ajudar o leitor a entender melhor o que vê publicado.

 

Na essência, este caso ajuda a entender uma coisa: por que o poder de influência da grande imprensa se esvaiu tanto nos últimos anos. Note: não faz tanto tempo assim, Roberto Marinho era tido como a pessoa mais poderosa do país, capaz de eleger ou não quem quisesse. Sucessivos presidentes machucavam as costas para se curvar a Roberto Marinho e obter seu apoio, tido como fundamental.

 

Pela terceira vez seguida, a Globo não foi capaz de eleger seu preferido para a eleição presidencial. Todo o empenho de jornalistas em postos importantes da casa – de Kamel a Merval, de Noblat a Míriam Leitão, de Bonner a Waack, isso para não falar de colunistas como Jabor e entrevistados frequentes como Demétrio Magnoli – foi insuficiente para convencer os eleitores a votarem como a Globo desejava que votassem.

 

Isso é um dado importante e objetivo: esforço não faltou. Faltou foi poder de persuasão. Faltou foi influência. Faltou foi um conjunto de argumentos que fizessem sentido. Não apenas para a Globo, evidentemente, mas para a grande imprensa como um todo.

 

Donos e editores já deveriam há muito tempo ter parado para tentar entender por que sua voz não está sendo ouvida. Você pode fingir que o problema está neles, nos eleitores. Ou pode enfrentar os fatos corajosamente e ver que correções pode fazer em sua trajetória. Alguém já disse e repito aqui: maus editores fazem mais estragos para a imprensa estabelecida do que a internet.

 

E então chegamos a Marcos Valério. A notícia que parece incendiar os comentaristas políticos é a seguinte: Marcos Valério afirma que Lula era o chefe do mensalão. Mais precisamente: Marcos Valérioteria afirmado.

 

Foi capa da Veja. Segundo Noblat, a Veja gravou uma fita com a acusação de Marcos Valério.

 

Vamos considerar o cenário mais favorável a quem é contra Lula: Marcos Valério de fato falou, e a fita existe.

 

Ainda assim: uma acusação de Marcos Valério tem valor de prova para que se publique e se repercuta com tanto calor? É legítimo publicar o que quer que Marcos Valério diga – sem evidências que as sustentem? Se as há, se existe algo além da palavra duvidosa ainda que gravada de Marcos Valério, retiro tudo o que disse acima sobre o episódio. (Leio agora que a revista decidiu não publicar a suposta fita.)

 

Em países em que a sociedade é mais avançada, você precisa muito mais do que as palavras de alguém para publicar acusações graves – ou terá que enfrentar a Justiça. Foi o caso célebre de Paulo Francis. Francis teve o azar de chamar diretores da Petrobras de corruptos em solo americano. Os acusados puderam processá-lo na Justiça americana. Onde as provas? Os amigos dizem que Francis morreu por conta do desgaste emocional deste caso, e acredito. Se o processo corresse na Justiça brasileira, não daria em nada, evidentemente.

 

Um dia o jornalismo brasileiro terá também que fazer uma autocrítica em relação ao caso Collor. Não que se tratasse de um caçador de marajás. Mas o que mais pesou em sua queda foram palavras – a famosa entrevista de Pedro Collor. Estava certo publicar o que Pedro Collor afirmara como se fosse verdade indiscutível?

 

Na época, quando conversava com outros jornalistas sobre a capa de Pedro Collor, a pergunta que eu fazia era a seguinte: imagine que o irmão do presidente americano bate na redação do New York Times e conta histórias horríveis. O Times publicaria?

 

O público não deve entender como alguém que segundo Pedro Collor cometeu tantos crimes acabou sendo absolvido pelo Supremo Tribunal Federal e está aí, militando na política. Não havia provas, segundo o STF. Mas então qual a sustentação da entrevista de Pedro Collor? Palavras? É pouco.

 

No presente caso, pelo pouco que li, vi a velha cena tão comum nos últimos dez anos. Uma acusação – ainda que partida de Marcos Valério, ainda que sem provas — vai tomando ares de extrema gravidade na grande imprensa. Alguém dá, e depois vem a repercussão previsível. Leio que Merval chegou a falar em cadeia.

 

O público não me parece tão convencido assim da importância do assunto. Observei que no site da Folha e do Estado o tema não é sequer o mais lido do dia. Ocupava, quando verifiquei, uma modesta quinta posição. Russomano – já nem lembro por que – despertava muito mais interesse no leitor.

 

O leitor não é bobo. Mas a mídia estabelecida o trata como se fosse, e sua perda de influência deriva, em grande parte, desse erro de avaliação.  Nos dezesseis anos que compreendem as gestões de FHC e Lula, o Brasil avançou consideravelmente. A grande imprensa, infelizmente, não conseguiu acompanhar este avanço.

 

 

 

 VALE A PENA LER

 

 

 

“Elites europeias estão causando retrocesso de décadas”
Em entrevista exclusiva, o dirigente da esquerda radical grega, Alex Tsipras, fala sobre a situação do país e da Syriza, que é hoje a segunda força política da Grécia e o grupo parlamentar de esquerda não socialista mais importante da Europa. Tsipras defende a reconstrução do modelo europeu desde baixo. Para ele, o sectarismo dogmático das elites europeias que defendem o modelo liberal da austeridade está provocando um retrocesso de muitas décadas na Europa. A reportagem é de Eduardo Febbro.

 

http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=20922&boletim_id=1383&componente_id=23006

 

 

 

Denúncias contra petistas serão julgadas na semana das eleições
Relator do mensalão, Joaquim Barbosa, propôs novo fatiamento do item 6 da acusação, separando o julgamento dos denunciados por corrupção ativa, entre eles José Dirceu, José Genoíno e Delúbio Soares. Desta forma, os petistas começarão a ser julgados na semana que antecede às eleições de 7 de outubro. Nesta quarta, Barbosa também voltou a ratificar a tese da compra de apoio parlamentar e indicou a condenação de políticos do PL e PTB.

 

http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=20925&boletim_id=1383&componente_id=23014

 

 

 

Cidade Juarez: um retrato da violência sem fim
Cidade Juarez é o retrato de um país cortado pelas diferenças entre os “de cima e os de baixo”, que aterrorizados pela violência começaram a deixar os bairros populares para retornar a seus povos de origem, geralmente no sul mexicano. Desde que Felipe Calderón chegou ao poder, numa eleição marcada pela suspeita de fraude, e lançou uma guerra para tentar resgatar sua imagem, houve 95 mil assassinatos, a maioria deles ligados ao conflito. O artigo é de Dario Pignotti, direto do México.

 

http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=20954&boletim_id=1385&componente_id=23050

 

 

 

“Me preocupa quando juízes do STF pensam como taxistas”
Em entrevista à Carta Maior, o cientista político Wanderley Guilherme dos Santos alerta o país sobre o perigo do julgamento do “mensalão” se transformar em um julgamento de exceção, a partir de uma reinterpretação da lei para atender a conveniência de condenar pessoas específicas. “Me chama a atenção o preconceito de alguns juízes contra a atividade política de partidos populares. Minha preocupação é quando a opinião dos magistrados coincide com a dos motoristas de táxi, que têm opiniões péssimas sobre todos os políticos”.

 

http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=20961&boletim_id=1387&componente_id=23098

 

 

 

Parceria Serra-Globo em SP pode ir além do jingle que é da novela Avenida Brasil e chegar aos telejornais

 

http://blogdomello.blogspot.com.br/2012/09/parceria-serra-globo-em-sp-pode-ir-alem.html

 

 

 

Leia no WWW.outraspalavras.net

 

Plataforma colaborativa mapeia incêndios em favelas paulistanas
Para investigar causas e consequências do fogo frequente – e jamais investigado – projeto cria mapa interativo. Por Mayara Penina, no blog Mural

Educação: a “prioridade nacional” e o discurso cínico

 

Superar atraso brasileiro requer investimento público. Mídia prefere opor professores a alunos e sugerir que boa gestão se faz sem recursos… Por Daniel Cara, na Revista Educação

 

 A guerra contra Lula: como se fabrica uma “entrevista”

 

Até advogado de Marcos Valério confirmou que o suposto diálogo de seu cliente com Veja jamais existiu. Mesmo assim, ele foi transformado em “verdade” por alguns dos colunistas mais prestigiados pela velha mídia. Por Marco Aurélio Weissheimerem Carta Maior

 

 

 

 INFORMAÇÕES

 

 Gostaria de convidá-los para a estréia do nosso espetáculo OLÚRÓMBÍ – Respeito à Natureza, do Grupo Teatral Apàló – A Bela Arte d’África, vinculado ao Instituto de Inovação Social e Diversidade Cultural (INSOD).

 

As apresentações acontecerão na próxima semana no Teatro do Centro Cultural da UFMG, nos dias 05 de outubro de 2012 (sexta-feira) às 20:00hs, 06 de outubro de 2012 (sábado) às 19:00hs, com entrada franca.

 

 

 

O CURSO DE CULTURA AFRICANA E AFROBRASILEIRA OBJETIVA AUXILIAR NA DESCONSTRUÇÃO DE ESTERIÓTIPOS SOBRE A HISTÓRIA DA ÁFRICA, CULTURAS AFRICANAS E CULTURA AFRO-BRASILEIRA. DEVERÁ OCORRER NOS SEGUINTES DIAS E HORÁRIOS NA UNIDADE ANTÔNIO CARLOS DO UNIBH, ÀS: SEGUNDAS-FEIRAS DE 19:00 ÀS 22:00 E TERÇAS-FEIRAS DE 19:00 ÀS 21:00. VALOR DO INVESTIMENTO: 45,00 DE INSCRIÇÃO + 240,00 EM BOLETO OU CARTÃO DE CRÉDITO, PARA 18 HORAS/AULA.

 

 PARA MAIS INFORMAÇÕES ACESSE O LINK: http://www.unibh.br/extensao/cursos-de-curta-duracao/cultura-africana-e-afro-brasileira

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MURAL DO HISTORIADOR: MESTRADO PROFISSIONAL EM HISTÓRIA

O mestrado profissional em história está realmente se tornando uma realidade cada vez mais concreta na área de história. O formato de pós-graduação – que já existe há alguns anos na FGV-RJ e que vem sendo incentivado pela CAPES – acaba de chegar a Universidade Federal do Rio Grande (FURG). [Leia mais]

CAFÉ EXPRESSO NOTÍCIAS: LIVRO DISCUTE CANIBALISMO NO EXÉRCITO JAPONÊS

Segundo pesquisador, ritual ocorreu durante a Segunda guerra Mundial[Leia mais]

ENTREVISTA: MANOLO FLORENTINO ABORDA O TEMA DA ESCRAVIDÃO NO BRASIL

Em entrevista ao Café História, Manolo Florentino, especialista em escravidão no Brasil, fala sobre a complexidade e a riqueza de interpretações que o tema oferece ao historiador[Leia mais]

CINE HISTÓRIA: A FONTE DAS MULHERES

Filme francês discute as tradições de um pequeno povoado no Oriente Médio. [Saiba mais]

DOCUMENTO HISTÓRICO:  CARTAZ AMERICANO DA SEGUNDA GUERRA

Cartaz usava o medo como elemento de mobilização da população e das empresas americanas. [Saiba mais]

EVENTO EM DESTAQUE: ESTUDOS CLÁSSICOS NA UFRJ

Semana de estudos clássicos acontece em outubro no Rio de Janeiro. [Leia mais]

Visite Cafe Historia em: http://cafehistoria.ning.com/?xg_source=msg_mes_network

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Numero 345

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Leio, hoje cedo, no blog DoLaDoDeLa, que os presidentes dos 3 partidos principais de oposição estão furiosos com as “fantásticas revelações” da revista Veja que o Marcos Valério teria dito numa entrevista e que o próprio nega ter dado. Vejam:

Os presidentes dos três principais partidos de oposição divulgaram nota nesta terça-feira cobrando explicações imediatas do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva depois de VEJA revelar que Marcos Valério, o operador do mensalão, aponta o petista como chefe do esquema. “Estranhamos o silêncio ensurdecedor do ex-presidente Lula, que deveria ser o maior interessado em prestar esclarecimentos sobre fatos que o envolvem diretamente”, diz a nota.

Sérgio Guerra (PSDB), José Agripino Maia (DEM) e Roberto Freire (PPS) se reuniram nesta terça-feira para discutir a reação da oposição após as revelações de VEJA. Em um trecho da nota, o trio exige resposta do petista: “O ex-presidente já não está mais no comando do país, mas nem por isso pode se eximir das responsabilidades dos oito anos em que governou o Brasil, ainda mais quando há suspeitas que pesam sobre o seu comportamento no maior escândalo de corrupção da história da República”.

Não pude deixar de rir e pensei numa pequena mudança de nomes no primeiro parágrafo. Ele ficaria assim:

Os presidentes dos três principais partidos de oposição divulgaram nota nesta terça-feira cobrando explicações imediatas do ex-presidente FHC e do atual candidato José Serra depois do livro “A privataria tucana”revelar que os dois eram os chefes do esquema. “Estranhamos o silêncio ensurdecedor do ex-presidente FHC, que deveria ser o maior interessado em prestar esclarecimentos sobre fatos que o envolvem diretamente”, diz a nota.

A justificativa para isso, claro, eles próprios já deram no texto em negrito do segundo parágrafo…

Não é um primor?

Já está dado o primeiro passo para pressionarmos o Ministério Público a investigar o processo de privatização dos tucanos. Adelante!!!

ARTIGOS COMPLETOS

A Constituição ignorada

Por Dalmo de Abreu Dallari (publicado no Observatório da Imprensa)

A cobertura do Poder Judiciário pela imprensa, com noticiário minucioso e comentários paralelos, é uma prática muito recente, que pode ter efeitos benéficos em termos de dar maior publicidade a um setor dos serviços públicos que também está obrigado, como todos os demais, a tornar públicos os seus atos, seu desempenho administrativo e a utilização de seus recursos orçamentários.

Entretanto, as decisões judiciais têm várias peculiaridades, entre as quais está o direito de penetrar na intimidade das pessoas e das instituições quando isso for necessário para o bom desempenho do julgador, assim como o fato de que tais decisões, que podem ter gravíssimas consequências para pessoas, entidades e mesmo para toda a sociedade, são inevitavelmente influenciadas por uma escala individual de valores – tudo isso implica a configuração de características especiais, exclusivas das atividades judiciárias e bem diferentes das peculiaridades do Legislativo e do Executivo.

Só isso já seria suficiente para que se exigisse da imprensa uma atenção diferenciada para a cobertura das atividades do Judiciário. Acrescente-se, ainda, que pelas particularidades do processo de obtenção e uso de dados, assim como da fundamentação das decisões dos juízes e tribunais, é indispensável um preparo adequado dos editorialistas e jornalistas que irão publicar informações e opiniões sobre as atividades e as decisões do Judiciário, pois além do risco da existência de erros na matéria divulgada, o que já é altamente reprovável, graves consequências podem decorrer da divulgação de informações e comentários errados e mal fundamentados. Nesses casos a publicidade do Judiciário acarretará mais efeitos nocivos do que benéficos.

Matéria jurídica

O despreparo de importantes órgãos da imprensa para a cobertura do Judiciário tem ficado evidente, tanto pelo tratamento dado às matérias quanto pela ocorrência de erros e impropriedades relativamente a situações e ocorrência pontuais. Assim, por exemplo, num dos mais importantes órgãos da imprensa brasileira, o jornal O Estado de S.Paulo, que ultimamente passou a ser muito vigilante quanto às falhas do Judiciário e muito agressivo nos comentários a elas relativos, foi publicado, na edição de 22 de julho deste ano, num editorial da página 3 – que é um espaço nobre do jornal –, um comentário que, sob o título “A resistência da toga“, pretendia denunciar a persistência da doença do corporativismo no Judiciário.

Para comprovação do que ali se afirmava foi referida a resistência de juízes às boas inovações introduzidas pela Emenda Constitucional nº 45, informando-se, textualmente, para esclarecimento dos leitores, que essa emenda “entre outras inovações, criou o instituto jurídico do mandado de injunção. Na época, entidades da magistratura acusaram esse mecanismo processual – cujo objetivo é agilizar as decisões judiciais, obrigando os tribunais inferiores a seguir a jurisprudência firmada pelo Supremo Tribunal Federal – de suprimir as prerrogativas e a autonomia dos juízes de primeira instância”.

Ora, basta uma simples leitura do artigo 5º, inciso LXXI, da Constituição para se verificar a absoluta impropriedade da afirmação constante do editorial. Com efeito, nos termos expressos daquele inciso constitucional “conceder-se-á mandado de injunção sempre que a falta de norma regulamentadora torne inviável o exercício dos direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade, à soberania e à cidadania”.

Como fica mais do que evidente, quem escreveu o editorial não tinha conhecimento do assunto e não houve assessoria nem revisão de algum conhecedor. Provavelmente, o editorialista tinha ouvido falar que estavam sendo propostas inovações constitucionais para melhorar o Judiciário e uma delas dava efeito vinculante a certas decisões do Supremo Tribunal Federal, obrigando os órgãos do Poder Judiciário a seguirem a mesma orientação, o que tinha sido mal recebido por alguns integrantes do Poder Judiciário. Trata-se, neste caso, da súmula vinculante, prevista entre as competências do Supremo Tribunal Federal no artigo 103-A da Constituição, inovação que absolutamente nada tem a ver com o mandado de injunção.

Houve erro evidente do editorialista, mas também ficou evidenciado o despreparo de um importante órgão da imprensa para a cobertura do Judiciário. Pode-se imaginar quantos equívocos dessa natureza podem estar contidos nas informações e nos comentários sobre matéria jurídica, que pretendem informar e formar os leitores, como se tem considerado inerente ao papel da imprensa.

Extensão inconstitucional

Há um ponto em que a imprensa poderia promover um sério debate, com base numa questão jurídica fundamental: por meio da Ação Penal 470, estão sendo julgados pelo Supremo Tribunal Federal, sem terem passado por instâncias inferiores, acusados que não tinham cargo público nem exerciam função pública quando participaram dos atos que deram base à propositura da ação pelo Ministério Público. Isso ficou absolutamente evidente no julgamento de acusados ligados ao Banco Rural, que, segundo a denúncia, sem terem cargo ou função no aparato público, interferiram para que recursos públicos favorecessem aqueles integrantes de um banco privado.

Essa questão foi suscitada, com muita precisão, pelo ministro Ricardo Lewandowski, na fase inicial do julgamento. Entretanto, por motivos que não ficaram claros, a maioria dos ministros foi favorável à continuação do julgamento de todos os acusados pelo Supremo Tribunal. No entanto, a Constituição estabelece expressamente, no artigo 102, os únicos casos em que o acusado, por ser ocupante de cargo ou função pública de grande relevância, será julgado originariamente pelo Supremo Tribunal Federal e não por alguma instância inferior.

No inciso I, dispõe-se, na letra “b”, que o Supremo Tribunal tem competência para processar e julgar, originariamente, nas infrações penais comuns, “o Presidente da República, o Vice-Presidente, os membros do Congresso Nacional, seus próprios Ministros e o Procurador Geral da República”. Em seguida, na letra “c”, foi estabelecida a competência originária para processar e julgar “nas infrações penais comuns e nos crimes de responsabilidade, os Ministros de Estado e os Comandantes da Marinha, do Exército e da Aeronáutica, os membros dos Tribunais Superiores, os do Tribunal de Contas da União e os chefes de missão diplomática de caráter permanente”.

Como fica muito evidente, o Supremo Tribunal Federal não tem competência jurídica para julgar originariamente acusados que nem no momento da prática dos atos que deram base à denúncia nem agora ocuparam ou ocupam qualquer dos cargos ou funções enumerados no artigo 102.

Para que se perceba a gravidade dessa afronta à Constituição, esses acusados não gozam do que se tem chamado “foro privilegiado” e devem ser julgados por juízes de instâncias inferiores. E nesse caso terão o direito de recorrer a uma ou duas instâncias superiores, o que amplia muito sua possibilidade de defesa. Tendo-lhes sido negada essa possibilidade, poderão alegar, se forem condenados pelo Supremo Tribunal, que não lhes foi assegurada a plenitude do direito de defesa, que é um direito fundamental da cidadania internacionalmente consagrado. E poderão mesmo, com base nesse argumento, recorrer a uma Corte Internacional pedindo que o Brasil seja compelido a respeitar esse direito.

A imprensa, que no caso desse processo vem exigindo a condenação, não o julgamento imparcial e bem fundamentado, aplaudiu a extensão inconstitucional das competências do Supremo Tribunal e fez referências muito agressivas ao ministro Lewandowski – que, na realidade, era, no caso, o verdadeiro guardião da Constituição.

***

[Dalmo de Abreu Dallari é jurista, professor emérito da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo]

 

 

O Tokoismo como Elemento da Identidade Angolana.

1950-1965

Desde a sua chegada ao continente africano no final do século XV, os portugueses procuraram legitimar as suas acções comerciais e de colonização utilizando o factor religioso, tendo ao longo dos séculos, estabelecido vários mecanismos de implantação do catolicismo. A simples afirmação do historiador congolês Elikia M`Bokolo: “a arma do colonizador virara-se contra ele”1 torna-se particularmente pertinente, pois põe em evidência a capacidade de mudança que os africanos tiveram através da integração de “novidades” introduzidas pelo cristianismo europeu, com objectivo de estabelecer relações profícuas, mas também assegurar a sua hegemonia regional, preservando ao mesmo tempo valores culturais africanos fundamentais. O contacto de duplo interesse convergiu num processo de desconfiança à medida que os europeus, com suas técnicas de organização, se mostravam controladores e autoritários obrigando os africanos a tomarem posse das práticas ocidentais no sentido de proteger o próprio espaço territorial e cultural. Mas, o trabalho a ser apresentado como conclusão do curso de Mestrado em História de África tem como prioridade, analisar esta relação no contexto religioso cristão em Angola, onde a missionação teve papel importante de intermediária, modificando o comportamento do homem angolano, proporcionando-lhe um reajuste no modo de compreender e moldar a “nova” realidade de integração, usando os mecanismos europeus a seu favor.

 Dentro desse contexto religioso de interesses entre africanos e europeus, o estudo desenvolvido tem como tema central: O Tokoismo como elemento da identidade angolana (1950-1965). A temática surgiu no decorrer dos trabalhos realizados nos seminários académicos, onde foram abordadas as actividades da missionação católica, nas colónias africanas de Portugal, nos finais do século XIX. Com as leituras de uma vasta bibliografia sobre as missões, tanto católicas como protestantes, apoiadas por uma série de literaturas historiográficas, foi observado várias referências acerca das chamadas igrejas independentes ou igrejas autóctones surgidas nas primeiras décadas do século XX após a implantação do aparelho colonial no Continente Africano.

Embora, originadas das relações dos africanos com os missionários europeus foram conceituadas, pelo colonizador, de “seitas”, “profético-messiânicas” e “movimento religioso de cunho subversivo.” Factor este que se aplica também a uma determinada construção historiográfica em que a missionação europeia é elevada como parte da história do continente africano, sobrepondo-se às igrejas autóctones as quais são destacadas como movimentos independentistas.

Numa intervenção feita no ISCTE, em Lisboa, O historiador francês, René Pélissier2 destacou as teses defendidas na actualidade, as quais considerou ser um importante problema para a historiografia de África e, em particular, as que se debruçam sobre a pertinência da independência de Angola. Partindo desta premissa, verificou-se em muitas literaturas contemporâneas ao período, a igreja angolana Tokoista analisada sob os mesmos paradigmas coloniais que, para além dos conceitos acima, foi também considerada pelas autoridades do Estado Colonial Português como perturbadora e desmoralizadora que representava perigo por influenciar negativamente a população da Província angolana no sentido de atentar contra o sistema de colonização instaurado. Foi também observado que estes textos serviram de fonte a outros estudos desenvolvidos após a independência que, de forma positivista analisaram a Igreja africana mais como um fenómeno autónomo da política interna de independência mas, de forma paralela e mesmo objectivo. Porém, com o contacto directo com uma gama de documentos primários, disponíveis nos arquivos nacionais de Lisboa (A. N. Torre do Tombo, A. H Ultramarino, A. H. Militar e Arquivo Salazar), constatou-se que, das relações dos africanos com os europeus, surge uma nova expressão religiosa composta por valores cristãos e a ancestralidade kongo em que é observada a preservação da identidade dos povos de cultura Bantu.

 O trabalho foi organizado de modo a apresentar o “movimento” Tokoista, a sua origem e formação, o seu processo de desenvolvimento e integração social e o seu impacto na re-construção da identidade angolana. O contexto histórico da região, centra-se nas alterações introduzidas pela administração colonial que procurava desviar a atenção das reais intenções portuguesas de manter as colónias, num momento em que se verifica o desencadeamento dos processos de independência reivindicada pelas populações dominadas e apoiada pela comunidade internacional. Neste sentido, o período (1950-1965) adoptado para balizar este estudo é revelador de acontecimentos reflectidos na igreja de Simão Gonçalves Toko sendo, os exílios, desenvolvimento na clandestinidade e prisões de seus adeptos.

 A conclusão que se chegou com esse estudo, sustentado de uma profunda análise das correspondências de homens e mulheres tokoistas, interceptadas pelos agentes da PIDE (Polícia Internacional de Defesa do Estado), constata-se que a referida igreja, ao contrário de como foi apresentada em prol de uma historiografia linear, sem apreciação dos vínculos culturais, originou-se com base nos recursos identitários em que a sua dinâmica revela a leitura que os africanos fizeram do cristianismo, adotando-o como mecanismo de integração social num período em que a maioria da população de Angola foi excluída do projecto de colonização português.

Cléria Ferreira,

Lisboa, Setembro de 2012

Notas:

1 Elikia M`Bokolo, África  egra – História e Civilizações do Século XIX aos nossos dias. Tomo II, 2ª ed.Colibri, Lisboa, 2007, p. 466.

2 René Pélissier, “Guerra, Descolonização e contexto internacional” in: Colóquio Vozes da Revolução:guerra colonial e descolonização, Lisboa/ISCTE/IUL, 15-16 de Abril de 2010.

 

 VALE A PENA LER

O reverendo que odeia os muçulmanos e se tornou um problema para os EUA
O detonador da onda de fúria antiocidental foi a difusão pela internet de um vídeo que mostra o profeta Maomé em diversas situações como mulherengo, homossexual e estúpido. O vídeo é a promoção de um filme que quase ninguém viu, uma peça de propaganda contra a religião muçulmana e que teria estreado há algumas semanas nalifórnia sem que ninguém tivesse prestado muita atenção. Até que chegou o reverendo Terry Jones. O artigo é de Santiago O’Donnell.
http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=20897&boletim_id=1377&componente_id=22916

 

Espanhóis denunciam fraude democrática no governo
Mais de 100 mil cidadãos de todo o país tomaram as ruas de Madri para exigir que o chefe do Executivo nacional convoque uma consulta popular sobre as medidas anticrise tomadas no primeiro ano de sua administração. “Questionamos a legitimidade do governo para levar a cabo medidas que não formaram parte de seu programa eleitoral”, avisa o manifesto assinado por 900 entidades do país. A reportagem é de Naira Hofmeister e Guilherme Kolling, direto de Madri.
http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=20894&boletim_id=1377&componente_id=22917

 

 

Perguntas para fazer a um historiador

Às vésperas dos processos seletivos para programas de pós-graduação em história, Keila Grinberg reflete sobre a escolha dessa carreira, sobre o que faz de um projeto um bom projeto e de um historiador um bom historiador.

Por: Keila Grinberg – leia em http://cienciahoje.uol.com.br/colunas/em-tempo/perguntas-para-fazer-a-um-historiador

 

Repressão popular

Pesquisa analisa a censura prévia aplicada ao teatro em São Paulo no período anterior ao Ato Institucional n.º 5, que marcou os anos mais repressivos da ditadura militar no Brasil. O estudo mostra que esse tipo de controle era exercido tanto pelo governo quanto pela sociedade

http://cienciahoje.uol.com.br/noticias/2012/09/repressao-popular

 

Mitologia: mecanismo de memória

As narrativas épicas – incluindo as histórias de deuses – e as crenças de um povo constituem sua mitologia. No Estúdio CH desta semana, a historiadora Maria Regina Cândido, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, fala sobre os mitos e sua relação com a religião.

http://cienciahoje.uol.com.br/podcasts/Mitologia%20-%20mecanismo%20de%20memoria.mp3

 

 Leia no WWW.outraspalavras.net

Como acabar com a fome sem uma agricultura devastadora
Estudos mostram que é possível aumentar a produção de alimentos com uso racional da água, diminuição de fertilizantes, mudanças alimentares e comércio justo. Por Ricardo Coelho, na Esquerda.net

Célio Turino fala sobre mudança no ministério da Cultura
Para idealizador do Programa Cultura Viva, Ana de Hollanda quebrou emergência dos movimentos culturais, que marcou mandatos de Lula; já Marta Suplicy “compreende o papel da Cultura Digital”. Por Bruno de Pierro, em Brasilianas

Governo de Honduras tenta privatizar três cidades do país
Regiões serão vendidas, terão poderes desvinculados do Estado nacional e poderão definir até política imigratória própria. Movimentos sociais qualificam decisão de “catástrofe” e apelam à Corte Suprema. Por Fillipe Mauro, no Opera Mundi

Talvez duas crianças tenham morrido para você ter seu celular”
Como fabricantes de aparelhos, aliados a exércitos mercenários, detonam a África, para controlar comércio de minerais indispensáveis à produção dos telefones. Por Inés Benítez, na IPS

O modo pós-capitalista de estar no mundo
Alternativa contemporânea ao sistema constrói valores e relações sociais opostas às dominantes. Por isso, é tão poderosa, diz Ricardo Abramovay, em entrevista a Inês Castilho

Para romper o novo impasse do clima
Por que estão novamente travadas as negociações para frear o aquecimento global. Quais os grandes responsáveis. Há saídas? Por Walden Bello e Pablo Solon

Europa: Outono Quente para reconstruir a democracia
Ignacio Ramonet saúda novas mobilizações sociais e sustenta, em diálogo com Zygmunt Bauman: “são caminho para novo sistema político”

Assim Portugal desafia a troika
Centenas de milhares encaram, nas ruas, corte de direitos. Novidade: manifestações combinam protagonismo da sociedade civil com objetivos políticos claros.
Por Antonio Jimenez Barca,

Para derrotar a especulação com alimentos
Megafundos financeiros dominam bolsas de commodities, manipulam preços e podem desencadear nova crise alimentar. A Unctad, uma agência da ONU, tem proposta radical contra isso. Por Jean Ziegler

Nada queima por acaso nas favelas paulistanas
Estudo estatístico mostra notável coincidência entre os incêndios e… áreas de interesses do mercado imobiliário. Por João Finazzi, do PET-RI da PUC

 

Opera Mundi – Relatório indica que polícia paraguaia provocou massacre anterior à queda de Lugo

http://operamundi.uol.com.br/conteudo/noticias/24297/relatorio+indica+que+policia+paraguaia+provocou+massacre+anterior+a+queda+de+lugo+.shtml

 

Da Cruz à Estrela: a trajetória da Ação Popular Marxista-Leninista

ESTHER KUPERMAN

A organização clandestina denominada Ação Popular Marxista Leninista (APML) surgiu da transformação do grupo de orientação católica, a Ação Popular, em agremiação de diretrizes marxistas. A matriz da APML, a antiga Ação Popular (AP), por sua vez, foi formada em Belo Horizonte (M.G.), em 1962, a partir de grupos de operários e estudantes ligados à Igreja Católica: a Juventude Operária Católica (JOC) e a Juventude Estudantil Católica (JEC)… LEIA NA ÍNTEGRA: http://espacoacademico.wordpress.com/2012/09/15/da-cruz-a-estrela-a-trajetoria-da-acao-popular-marxista-leninista/

 

 Nenhum a menos: tornar-se professora – Uma pedagogia dentrofora da escola

ARISTÓTELES BERINO

Em uma escola primária, na aldeia Shuiquan, zona rural da China, professor Gao precisa se afastar por um mês das suas atividades. Uma professora substituta ficará com a turma no período. Mas ao recepcionar a substituta recrutada pelo prefeito, o experiente professor logo desconfia das suas capacidades. Com treze anos e sem ter terminado o ginásio, professor Gao não acredita que Wei reúna as condições necessárias para lecionar na turma multisseriada (alunos da pré-escola à 3ª série) que receberá… LEIA NA ÍNTEGRA: http://espacoacademico.wordpress.com/2012/09/19/nenhum-a-menos-tornar-se-professora-uma-pedagogia-dentrofora-da-escola/

  

INFORMAÇÕES

 

Perseu Abramo lança livro “Reconquistar a Cidade”, de Marcio Pochmann
Para aprofundar o atual debate sobre o direito à cidade, a Editora Fundação Perseu Abramo lança o livro “Reconquistar a Cidade – O conhecimento como estratégia das mudanças” do economista Marcio Pochmann. Este livro apresenta análises de como as cidades brasileiras podem enfrentar os problemas urbanos sem utilizar velhos modelos de cidade industrial, pautados no interesse pessoal. Para tal, o autor utiliza como recorte territorial a cidade de Campinas, a partir da qual procura reconstituir o panorama da crise do capitalismo no mundo.

http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=20887&boletim_id=1373&componente_id=22817

 

Cinco milhões de páginas digitalizadas à disposição dos interessados, assim é a Hemeroteca Digital Brasileira, lançada oficialmente em agosto e disponível para consulta gratuita no site da Biblioteca Nacional.

Acesse: http://hemerotecadigital.bn.br/

 

 

CAFÉ HISTORIA

 

ÚLTIMA HORA: SIMPÓSIO NACIONAL DE HISTÓRIA 2013 JÁ TEM DATA, LOCAL E TEMA 

Evento acontece em julho de 2013. Página na internet já está no ar e o cronograma disponível. [Leia mais]

MURAL DO HISTORIADOR:PRÊMIO MEMÓRIAS REVELADAS

As inscrições para a Edição 2012 do Prêmio de Pesquisa Memórias Reveladas ocorrerão do dia 5 de setembro de 2012 ao dia 28 de fevereiro de 2013. O Prêmio de Pesquisa Memórias Reveladas é um concurso de monografias com base em fontes documentais referentes ao período do regime militar no Brasil (1964-1985). E não perca também na seção: novo livro discute a relação entre o ISEB, os militares e a imprensa no Brasil (1955-1964) [Leia mais]

CAFÉ EXPRESSO NOTÍCIAS:ABL RECONHECE CENSURA DURANTE PALESTRA

Episódio ocorreu durante conferência dada por Jorge Coli. [Leia mais]

CINE HISTÓRIA: TROPICÁLIA

Está em cartaz nos cinemas o novo documentário de Marcelo Machado, “Tropicália”. O documentário – produzido em 2012 – é uma uma análise sobre o importante movimento musical homônimo, liderado por Caetano Veloso e Gilberto Gil no final dos anos 1960. [Leia mais]

DOCUMENTO HISTÓRICO: CARTAZ DA GUERRA CIVIL ESPANHOLA

Os cartazes eram colados com frequência no postes das ruas espanholas, sobretudo Madrid. Na primeira metade do século XX, tais impressos foram utilizados amplamente em prol da divulgação de ideias politicas. [Saiba mais]

CONTEÚDO DA SEMANA:CONFERÊNCIA DO HISTORIADOR QUENTIN SKINNER

Conferência de Quentin Skinner, proferida na abertura do Ano Académico 2011 – 2012, no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, em 20 de Outubro de 2011. [Leia mais]

 

MURAL DO HISTORIADOR: LIVRO SOBRE A DITADURA NA BAHIA PARA DOWNLOAD

O livro “Ditadura militar na Bahia: novos olhares, novos objetos, novos horizontes”, de Grimaldo Carneiro Zachariadhes (Org.) pode ser baixado gratuitamente na internet. O livro contém 13 textos que abordam o período em diferentes perspectivas.E não perca também a chamada da Revista Brasileira de História Oral. [Leia mais]

CAFÉ EXPRESSO NOTÍCIAS: 25 ANOS DA TRAGÉDIA DO “CÉSIO-137″

Maior tragédia envolvendo radiação no Brasil completa 25 anos. Pessoas que tiveram contato com a cápsula contaminada em Goiás ainda sofrem [Leia mais]

CINE HISTÓRIA: DIÁRIO DE UM JORNALISTA BÊBADO

Baseado no romance de Hunter S. Thompson, O Diário de um Jornalista Bêbado conta a improvável história do jornalista itinerante Paul Kemp (Johnny Depp). [Leia mais]

NOTÍCIA DE ÚLTIMA HORA: DOCUMENTOS DO DOPS/MG NA WEB

Mais de 250.0000 imagens de documentos do Departamento de Ordem Política e Social de Minas Gerais já podem ser consultados no site do Arquivo Público Mineiro. [Saiba mais]

DOCUMENTO HISTÓRICO:  PROPAGANDA ELEITORAL DE ADHEMAR DE BARROS

Propaganda Política de 1955 Adhemar de Barros evoca Getúlio Vargas, morto há apenas um ano, para pedir votos aos eleitores nas eleições presidenciais daquele ano. [Saiba mais]

CONTEÚDO DA SEMANA: GRUPO DE ESTUDO SOBRE EDUCAÇÃO

Grupo de Estudo dedicado a “Mudanças Práticas na Educação Brasileira”[Leia mais]

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Numero 344

 

 

 

 

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Abro o boletim desta semana com uma imagem, publicada pela Folha de São Paulo. Por meio deste gráfico podemos confirmar o que a própria Folha, o Estadão, o Globo e a Veja tanto nos avisam: o PT é o mais corrupto partido político brasileiro. Vejam que de 317 candidatos ficha-suja, ele tem… 18!!!! E olha só o PSDB e o DEM com seus aliados do PPS… só tem 81….

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(para quem não entendeu… o comentário acima está recheado de ironia!)

Semana passada eu andava incomodado com uma notícia e ia comentar aqui, acabei esquecendo. Mas fica a ressalva, e o primeiro artigo completo de hoje já respondeu a minha dúvida: era só eu que estava achando estranha a quantidade de incêndios em favelas de São Paulo?  Além deste artigo, há links para mais dois, na segunda parte do boletim.

ARTIGOS COMPLETOS

Os incêndios em favelas, o STF, as coincidências e a causalidade

 

Jorge Luis Borges dizia que quem acreditava em casualidades, não sabia da lei das causalidades. Será? Neste caso, haveria, então, explicações para tantas coincidências; ou não? Mais uma vez, com a palavra a história, ou se quisermos, a verdade histórica, se é que isso exista.

 

Enio Squeff

 

(WWW.CARTAMAIOR.COM.BR)

 

Os incêndios que destruíram mais de vinte favelas em São Paulo, talvez confirmem as versões veiculadas, até agora, de que tudo aconteceu por acaso. Os historiadores da arte, que têm muito mais meios para investigar certos eventos, costumam registrar acasos e coincidências em praticamente todas épocas; o cubismo de Braque e Picasso, por exemplo, podem, de fato, ter nascido na mente dos dois artistas – mas há quem diga que as coisas eram inevitáveis; ambos os pintores eram próximos, um

 

freqüentava o ateliê do outro, mas muito de suas obras mostravam evidências que apontavam para a mesma direção. A destruição de favelas não tem nada a ver com a arte, certamente. Mas é uma evidência que alguém lucrará com os numerosos terrenos, por fim, liberados de famílias com seus parcos direitos, subitamente transformados em cinzas. O Supremo Tribunal Federal tem sido exemplar na conclusão de que as evidências falam por si. Como dizia e diz a escolástica da Igreja, as evidências existem em si mesmas, não precisam ser provadas.

São mundos paralelos, parece. Diz-se dos artistas que seriam sensores da raça: eles pe

 

gariam as coisas no ar e as transformariam em música, em quadros, em livros. Os agentes da construção civil são sensores das oportunidades – desde que existam terrenos baldios – aparentemente sem donos – há que aproveitá-los para os bons lucros. mas também para o consenso, principalmente brasileiro, de que a indústria da construção civil é a maior geradora de empregos para a mão de obra não especializada. Coincidências de fatos, coincidência de fatores.

No fundo, talvez, se esteja no mundo das conjeturas. Aqui e ali elas aparecem para confirmar – ou não – certas evidências. É o que tem valido, parece, inclusive para o STF no julgamento do mensalão: certas evidências prescindiriam de provas. Não foi o que valeu para a condenação do ex-presidente Collor, que foi absolvido – mas é, enfim, o que pode valer agora c

 

ontra aqueles com que a grande imprensa acedeu ao Procurador Geral da República – de que os “mensaleiros”seriam os maiores criminosos do Brasil.

Há, é certo, algumas centenas de acusados e esperar por sentenças condenatórias já há anos e por terem se apropriado não de 50 mil reais, como aconteceu com um deputado – o primeiro a ser punido por causa do mensalão – mas por terem roubado bem mais que milhões. Inútil mencioná-los: cada brasileiro tem algum nome na sua lembrança. Tudo leva a crer, porém, que há a coincidência de o julgamento acontecer às vésperas das eleições municipais. E que isso deve valer também como um feliz acaso – aquele de que a grande imprensa tenha praticamente exigido a realização de um julgamento nesta época do ano; e com uma pressa talvez nunca havida antes na história do Judiciário deste país.

Foi, a propósito, mais ou menos o que teria concluído o ministro Joaquim Barbosa. Ao ser questionado por uma jornalista por que não julgar um mesmo crime que teria sido cometido anos antes, por um outro partido, em Minas Gerais – não em Brasília – ele teria respondido que é assim mesmo; que o Supremo Tribunal fora obrigado pela grande imprensa – leia-se “opinião pública”- a proceder a um juízo praticamente exigido, imposto, portanto, à Suprema Corte. E daí as justaposições.

Muitos musicólogos vêem coincidências inauditas entre certas composições quase que saídas à mesma época em diferentes países.Por exemplo: há quem adivinhe que em algumas sinfonias assinadas por Beethoven, existam coincidentemente, certos procedimentos muito parecidos com as de um compositor chamado Méhul (Etienne Henry Nicolas, 1763-1817), e que foi um dos expoentes da música engajada da Revolução Francesa. Não há nada que indique, diga-se em tempo, que o STF esteja se deixando influenciar pela mídia hegemônica a propósito do caso chamado “mensalão”. Haveria apenas uma mera conjugação que as vagas acusatórias contras os membros de um partido, feitas pela mídia, devessem ser devidamente levadas em conta pela Suprema Corte e que ela . afinal, decidisse levar a coisa avante com uma rapidez nunca vista antes. No fim das contas, haveria uma grande coincidência entre o desejo da mídia e o animus da Corte Suprema do Brasil.

Assim também com os incêndios nas favelas da paulicéia. “Nunca dantes na história”de São Paulo aconteceram tantas queimas de barracos num único período de alguns meses. Tudo seria obra do acaso. Há, realmente, que se considerar a seca, os numerosos “gatos” como se dizem das ligações clandestinas feitas nas favelas. E o resto seria, então, a confluência de alguns fatores, como o vento forte, o descuido – essas coisas todas que fazem da história também uma errância imprevisível, sem o que nem porque.

Em meio a tantas combinações casuais, quem sabe se devesse, também, pensar na Providência Divina. Dever-se-ia a ela, apenas à Providência ,uma concordância nunca havida com tanto celeridade entre os membros do Supremo Tribunal Federal no caso específico de um único processo.

No tempo da Inquisição, era o que contava e muito. Se o acusado, jogado num poço profundo, com pesos, afundasse irremediavelmente, ficava claro que a Providência era que o fizera mergulhar no abismo. E na morte. Se acontecesse o contrário – eis que o milagre valia ao acusado contar com as benesses do Santo Ofício. Deus o tinha absolvido – era tão somente um milagre. Nem mesmo uma coincidência. Digamos que seja isso também que esteja acontecendo com as favelas de São Paulo. De repente, – por coincidência, ou por desígnios divinos, – há como que, por combustão espontânea- um curto circuito, uma faísca. Pronto, o resultado pode ser o inesperado – algumas mortes ( que se vai fazer…), mas a queima rápida de casas, pessoas, e tudo mais.

A escritora norte-americana Suzan Sontag contava que levou um susto quando leu “O Memórias Póstumas de Brás Cubas”, de Machado de Assis. A história de um sujeito já morto que conta a sua própria vida, ainda que desde o fundo da sua tumba, era exatamente o argumento que ela tinha escolhido para fazer um romance. Garantia que foi por acaso. Não é de se descrer; ao descobrir a coincidência, a escritora norte-americana dizia com toda a sinceridade, que a versão de Machado era muito melhor que a dela.

As coincidências entre o que quer a mídia e a decisão do Supremo Tribunal Federal, de julgar o mensalão, casualmente, antes das eleições transparecem de fato o que talvez sejam- justamente apenas questões de querências – a da grande imprensa, de que um partido seja punido, embora as provas sejam principalmente evidências e não mais que isso. Quanto ao Supremo – bem ele tem lá as suas razões. Assim como os incêndios de favelas sugerem muitas causas, talvez não caibam ilações. Tudo se dá por obra do acaso. Como se dá entre Mehul e Beethoven. Ou entre Picasso, Braque e o cubismo.

Jorge Luis Borges dizia que quem acreditava em casualidades, não sabia da lei das causalidades. Será? Neste caso, haveria, então, explicações para tantas coincidências; ou não? Mais uma vez, com a palavra a história, ou se quisermos, a verdade histórica, se é que isso exista.

 

Enio Squeff é artista plástico e jornalista.

 

 

 

 Email prá lá de importante que recebi de minha ex-aluna Cléria, hoje fazendo mestrado em Portugal:

 

Olá Prof. Ricardo, bom dia!

 

Passo para dar-lhe notícias sobre o ano lectivo de Portugal, o qual não é dos melhores.

 

Pra já,  mais de 40% dos professores activos estarão sem aulas nesse ano e mais de 400 alunos sem vagas no ingresso escolar. O país não está nada famoso em termos políticos, económico e inclusive social.

 

Os professores que conseguiram permanecer no quadro escolar foram convocados e, para além de suas respectivas escolas, terão de ir trabalhar em outras, que geralmente são afastadas uma das outras e das quais outros foram dispensados.

 

Ou seja, vão trabalhar em dobro e ganhar menos, claro.

 

Na sexta feira, o então primeiro ministro Pedro Passos Coelho, anunciou à população mais uma medida de austeridade após a visita da Troika.

 

Desde o ano passado foi anunciado vários cortes nas funções públicas e aumento de impostos sobre estes, tal como perda do subsídio de férias e de natal (Décimo Terceiro salário no Brasil). Para este ano cívico, a medida foi ainda mais surpreendente, pois no sector privado, os funcionários também deixarão de ter esses benefícios que possivelmente um deles será permanente para todos. Se pagavam 11% de Segurança Social, agora serão-lhes descontados 18% deixando os patrões com menos 7% deste encargo. Isso no total anual, perderão  mais de uma salário além das perdas já descritas. Os reformados e pensionistas perderão os benefícios sociais (férias e natal) e terão que contribuir, de novo, para seguridade social.

 

Entre estes cortes, deixo de apontar os aumentos do custo de vida, modificação na estrutura da saúde e segurança públicas, pois a lista será imensa.

 

Os ânimos por cá não são dos melhores. Assim como começou mal para o ano escolar é também para o ano cívico.    

 

Como a nossa conversa começou com a educação, informo que ainda estão modificando a estrutura curricular para o qual aumentará o número de horas aulas para a Língua Portuguesa, Matemática, História e Geografia como também, uma outra língua estrangeira fará parte do programa educacional e formação tecnológica,sendo que essa não se sabe, ainda, como será aplicado.

 

No ano passado, quando já acontecia o fechamento de escolas nos municípios fora de Lisboa, houve um grande protesto de professores que perderam os postos de trabalho. Incrivelmente, Passos Coelho, em resposta via televisiva, “aconselhou”-os a emigrarem para os países de língua portuguesa, especificamente para o Brasil e Angola que, conforme notícias chegam aqui, estão em ampla ascensão  económica. E, o que se vê nas faculdades de economia e gestão (na qual trabalhei em uma delas) a cartilha académica consta como investir nos países em desenvolvimento, os quais destacam o Brasil, Angola e China. No caso do Brasil, tenho tido notícias de que, mais de quarenta empresas estrangeiras estão adentrando no mercado brasileiro com muita facilidade, dando a impressão que os próprios brasileiros não são capazes de um investimento de grande proporção nos muitos sectores de grande consumo. Inclusive tecnológico. Pelos vistos, o governo brasileiro desconsidera a possibilidade de um mercado nacional forte que sustente essa necessidade.

 

Ainda sobre a emigração portuguesa, Passos Coelho tornou-se assunto nos programas humorísticos de televisão ao dizer que a emigração é necessária para se conhecer novas culturas. Como forma de protestar essa infeliz forma de “conhecer novas culturas”, os humoristas andam noticiando que os portugueses não precisam de emigrar para tal propósito pois, com a presença de angolanos e chineses aqui, que estão comprando dívidas e acções do pais, já trazem com eles o ensino das suas culturas.

 

Inclusive, quando eu voltar para o Brasil, gostaria imenso da vossa opinião sobre um livro que gostaria de escrever acerca da minha experiência aqui em Portugal sobre o profundo  preconceito que os brasileiros sofrem aqui. Contando ninguém acredita. Principalmente sobre as mulheres brasileiras que são tidas com o pior dos conceitos  que se pode pensar.

 

Já agora, estou preparando-me para a defesa da minha tese que realizar-se-a no próximo dia 20, quinta feira da semana que vem.

 

Já tenho um síntese para si. Entretanto vou dar uma melhorada nela e enviar te até sexta feira próxima.

 

Bjs,

 

Cléria

 

(a propósito deste comentário da Cléria, leiam, na segunda parte,  o artigo falando do protesto que ocorrerá em Portugal no dia 15)

 

 Conheci Theotonio dos Santos em 1982, quando ele regressou do exílio e ajudou a criar o PDT, o partido que tinha o Brizola como líder. Naquele ano, iríamos ter a volta das eleições diretas para governador, e ele foi o candidato do seu partido. Eu era professor do terceiro ano do ensino de 2º grau do colégio Promove e organizei um debate entre os candidatos. Salvo engano, o único candidato que compareceu foi o Theotonio. Os outros mandaram representantes, ou os vices. E, ao falar para os alunos, acompanhado da Vânia Bambirra, ele se emocionou com a pergunta de um aluno cuja família se exilara de Angola e viera para o Brasil, era um exilado, portanto. E narrou alguns episódios do exílio dele. E o que mais emocionou a todos foi a morte de uma companheira, que, olhos marejados e com dificuldade até para falar, disse ao Theotonio e aos amigos que estavam com ela: “Eu nunca mais vou poder chupar jabuticabas!”

 

Com sinceridade, eu nunca vi uma declaração de amor ao Brasil tão singela e tão bonita! Theotônio  e Vânia não conseguiram segurar as lágrimas e eu vi vários alunos e alunas enxugando discretamente os olhos. Foi muito emocionante aquilo.

 

Por que estou falando disso hoje, 30 anos depois?

 

Porque, vendo alguns dos blogs “sujos”, deparei-me com uma carta aberta escrita pelo Theotônio e endereçada ao Fernando Henrique Cardoso, amigo dele e companheiro de exílio. Não consegui resistir à tentação de reproduzir a carta aqui:

 

Meu Caro Fernando,

 

por Theotonio dos Santos (*)

 

Vejo-me na obrigação de responder a carta aberta que você dirigiu ao Lula, em nome de uma velha polêmica que você e o José Serra iniciaram em 1978 contra o Rui Mauro Marini, eu, André Gunder Frank e Vânia Bambirra, rompendo com um esforço teórico comum que iniciamos no Chile na segunda metade dos anos 1960.

 

A discussão agora não é entre os cientistas sociais e sim a partir de uma experiência política que reflete contudo este debate teórico. Esta carta assinada por você como ex-presidente é uma defesa muito frágil teórica e politicamente de sua gestão. Quem a lê não pode compreender porque você saiu do governo com 23% de aprovação enquanto Lula deixa o seu governo com 96% de aprovação.

 

Já discutimos em várias oportunidades os mitos que se criaram em torno dos chamados êxitos do seu governo. Já no seu governo, vários estudiosos discutimos, o inevitável caminho de seu fracasso junto à maioria da população. Pois as premissas teóricas em que baseava sua ação política eram profundamente equivocadas e contraditórias com os interesses da maioria da população. (Se os leitores têm interesse de conhecer o debate sobre estas bases teóricas lhes recomendo meu livro já esgotado: Teoria da Dependência: Balanço e Perspectivas, Editora Civilização Brasileira, Rio, 2000). Contudo nesta oportunidade me cabe concentrar-me nos mitos criados em torno do seu governo, os quais você repete exaustivamente nesta carta aberta.O primeiro mito é de que seu governo foi um êxito econômico a partir do fortalecimento do real e que o governo Lula estaria apoiado neste êxito alcançando assim resultados positivos que não quer compartilhar com você… Em primeiro lugar vamos desmitificar a afirmação de que foi o plano real que acabou com a inflação. Os dados mostram que até 1993 a economia mundial vivia uma hiperinflação na qual todas as economias apresentavam inflações superiores a 10%. A partir de 1994, TODAS AS ECONOMIAS DO MUNDO APRESENTARAM UMA QUEDA DA INFLAÇÃO PARA MENOS DE 10%. Claro que em cada pais apareceram os “gênios” locais que se apresentaram como os autores desta queda. Mas isto é falso: tratava-se de um movimento planetário. No caso brasileiro, a nossa inflação girou, durante todo seu governo, próxima dos 10% mais altos. TIVEMOS NO SEU GOVERNO UMA DAS MAIS ALTAS INFLAÇÕES DO MUNDO. E aqui chegamos no outro mito incrível. Segundo você e seus seguidores (e até setores de oposição ao seu governo que acreditam neste mito) sua política econômica assegurou a transformação do real numa moeda forte. Ora Fernando, sejamos cordatos: chamar uma moeda que começou em 1994 valendo 0,85 centavos por dólar e mantendo um valor falso até 1998, quando o próprio FMI exigia uma desvalorização de pelo menos uns 40% e o seu ministro da economia recusou-se a realizá-la “pelo menos até as eleições”, indicando assim a época em que esta desvalorização viria e quando os capitais estrangeiros deveriam sair do país antes de sua desvalorização, O fato é que quando você flexibilizou o cambio o real se desvalorizou chegando até a 4,00 reais por dólar. E não venha por a culpa da “ameaça petista” pois esta desvalorização ocorreu muito antes da “ameaça Lula”. ORA, UMA MOEDA QUE SE DESVALORIZA 4 VEZES EM 8 ANOS PODE SER CONSIDERADA UMA MOEDA FORTE? Em que manual de economia? Que economista respeitável sustenta esta tese? Conclusões: O plano Real não derrubou a inflação e sim uma deflação mundial que fez cair as inflações no mundo inteiro. A inflação brasileira continuou sendo uma das maiores do mundo durante o seu governo. O real foi uma moeda drasticamente debilitada. Isto é evidente: quando nossa inflação esteve acima da inflação mundial por vários anos, nossa moeda tinha que ser altamente desvalorizada. De maneira suicida ela foi mantida artificialmente com um alto valor que levou à crise brutal de 1999.

 

Segundo mito – Segundo você, o seu governo foi um exemplo de rigor fiscal. Meu Deus: um governo que elevou a dívida pública do Brasil de uns 60 bilhões de reais em 1994 para mais de 850 bilhões de dólares quando entregou o governo ao Lula, oito anos depois, é um exemplo de rigor fiscal? Gostaria de saber que economista poderia sustentar esta tese. Isto é um dos casos mais sérios de irresponsabilidade fiscal em toda a história da humanidade. E não adianta atribuir este endividamento colossal aos chamados “esqueletos” das dívidas dos estados, como o fez seu ministro de economia burlando a boa fé daqueles que preferiam não enfrentar a triste realidade de seu governo. Um governo que chegou a pagar 50% ao ano de juros por seus títulos para, em seguida, depositar os investimentos vindos do exterior em moeda forte a juros nominais de 3 a 4%, não pode fugir do fato de que criou uma dívida colossal só para atrair capitais do exterior para cobrir os déficits comerciais colossais gerados por uma moeda sobrevalorizada que impedia a exportação, agravada ainda mais pelos juros absurdos que pagava para cobrir o déficit que gerava. Este nível de irresponsabilidade cambial se transforma em irresponsabilidade fiscal que o povo brasileiro pagou sob a forma de uma queda da renda de cada brasileiro pobre. Nem falar da brutal concentração de renda que esta política agravou drasticamente neste pais da maior concentração de renda no mundo. Vergonha, Fernando. Muita vergonha. Baixa a cabeça e entenda porque nem seus companheiros de partido querem se identificar com o seu governo…te obrigando a sair sozinho nesta tarefa insana.

 

Terceiro mito – Segundo você, o Brasil tinha dificuldade de pagar sua dívida externa por causa da ameaça de um caos econômico que se esperava do governo Lula. Fernando, não brinca com a compreensão das pessoas. Em 1999 o Brasil tinha chegado à drástica situação de ter perdido TODAS AS SUAS DIVISAS. Você teve que pedir ajuda ao seu amigo Clinton que colocou à sua disposição os 20 bilhões de dólares do tesouro dos Estados Unidos e mais uns 25 BILHÕES DE DÓLARES DO FMI, Banco Mundial e BID. Tudo isto sem nenhuma garantia. Esperava-se aumentar as exportações do pais para gerar divisas para pagar esta dívida. O fracasso do setor exportador brasileiro mesmo com a espetacular desvalorização do real não permitiu juntar nenhum recurso em dólar para pagar a dívida. Não tem nada a ver com a ameaça de Lula. A ameaça de Lula existiu exatamente em consequência deste fracasso colossal de sua política macroeconômica. Sua política externa submissa aos interesses norte-americanos, apesar de algumas declarações críticas, ligava nossas exportações a uma economia decadente e um mercado já copado. A recusa dos seus neoliberais de promover uma política industrial na qual o Estado apoiava e orientava nossas exportações. A loucura do endividamento interno colossal. A impossibilidade de realizar inversões públicas apesar dos enormes recursos obtidos com a venda de uns 100 bilhões de dólares de empresas brasileiras. Os juros mais altos do mundo que inviabilizavam e ainda inviabilizam a competitividade de qualquer empresa. Enfim, UM FRACASSO ECONOMICO ROTUNDO que se traduzia nos mais altos índices de risco do mundo, mesmo tratando-se de avaliadoras amigas. Uma dívida sem dinheiro para pagar… Fernando, o Lula não era ameaça de caos. Você era o caos. E o povo brasileiro correu tranquilamente o risco de eleger um torneiro mecânico e um partido de agitadores, segundo a avaliação de vocês, do que continuar a aventura econômica que você e seu partido criaram para este país.

 

Gostaria de destacar a qualidade do seu governo em algum campo mas não posso fazê-lo nem no campo cultural para o qual foi chamado o nosso querido Francisco Weffort (neste então secretário geral do PT) e não criou um só museu, uma só campanha significativa. Que vergonha foi a comemoração dos 500 anos da “descoberta do Brasil”. E no plano educacional onde você não criou uma só universidade e entrou em choque com a maioria dos professores universitários sucateados em seus salários e em seu prestígio profissional. Não Fernando, não posso reconhecer nada que não pudesse ser feito por um medíocre presidente. Lamento muito o destino do Serra. Se ele não ganhar esta eleição vai ficar sem mandato, mas esta é a política. Vocês vão ter que revisar profundamente esta tentativa de encerrar a Era Vargas com a qual se identifica tão fortemente nosso povo. E terão que pensar que o capitalismo dependente que São Paulo construiu não é o que o povo brasileiro quer. E por mais que vocês tenham alcançado o domínio da imprensa brasileira, devido suas alianças internacionais e nacionais, está claro que isto não poderia assegurar ao PSDB um governo querido pelo nosso povo. Vocês vão ficar na nossa história como um episódio de reação contra o verdadeiro progresso que Dilma nos promete aprofundar. Ela nos disse que a luta contra a desigualdade é o verdadeiro fundamento de uma política progressista. E dessa política vocês estão fora. Apesar de tudo isto, me dá pena colocar em choque tão radical uma velha amizade. Apesar deste caminho tão equivocado, eu ainda gosto de vocês (e tenho a melhor recordação de Ruth) mas quero vocês longe do poder no Brasil. Como a grande maioria do povo brasileiro. Poderemos bater um papo inocente em algum congresso internacional se é que vocês algum dia voltarão a frequentar este mundo dos intelectuais afastados das lides do poder.

 

Com a melhor disposição possível, mas com amor à verdade, me despeço.

 

(*) Theotonio dos Santos é economista, cientista político e um dos formuladores da Teoria da Dependência. E é coordenador da cátedra e rede UNU-UNESCO de Economia Global e Desenvolvimento sustentável – REGGEN.

 

http://maureliomello.blogspot.com.br/2012/09/meu-caro-fernando.html

 

 

 

 VALE A PENA LER

15 de setembro é o dia de revolta contra a Troika
No final de agosto, um grupo de cidadãos convocou para o dia 15 de setembro uma manifestação em Lisboa, contra a “austeridade que nos impõem e que nos destrói a dignidade e a vida”. O apelo de revolta contra a Troika, agora intensificado com as novas medidas de austeridade anunciadas sexta-feira por Passos Coelho, estendeu-se pelo resto do país e também já chegou ao Brasil.
http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=20859&boletim_id=1368&componente_id=22721

 China ou Estados Unidos: quem será a potência do século XXI?
Com o estouro financeiro de 2008, formou-se um crescente consenso de que a China se converteria na potência dominante do século XXI. O debate se centrava mais em quando ela superaria os EUA: 2015, 2030 ou em meados do século. Como outras nações asiáticas, a China cresceu a passos gigantescos a partir de um modelo exportador com mão de obra barata e uma conjuntura internacional favorável. Esse modelo está esgotado hoje. O artigo é de Marcelo Justo, direto de Londres.

http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=20837&boletim_id=1363&componente_id=22608

 A guerra entre Wall Street e as cidades nos EUA
As cidades estadunidenses estão sendo forçadas a fazer o que fez Nova Iorque para evitar a bancarrota em 1974: entregar a gestão para quem Wall Street bem entender. Como na Grécia e na Itália, políticos eleitos serão substituidos por “tecnocratas” para fazer o que Thatcher e Tony Blair fizeram com a Inglaterra: vender o que resta do setor público e transformar cada programa social numa mesa de negociações. A ideia é forçá-las a equilibrar o orçamento arrendando ou vendendo suas avenidas, sistemas de transporte público, escolas e prisões. O artigo é de Michael Hudson.
http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=20852&boletim_id=1365&componente_id=22659

 

BCE prepara mais uma etapa do genocídio na zona do euro
O programa de compra de títulos públicos anunciado pelo presidente do banco, Mario Draghi, é um acinte em face da crise social europeia. Tranquiliza os ricos sob condição de violentar os pobres. O próprio Draghi já disse, em outra ocasião, que o estado de bem estar social europeu tem que ser destruído. É o que ele está fazendo no limite de suas atribuições. O artigo é de J. Carlos de Assis.
http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=20853&boletim_id=1365&componente_id=22660

 

A matemática de Clinton obriga Serra a falar do mensalão

Bill Clinton, que os tucanos adoram, disparou a seguinte aritmética na convenção que aclamou Obama a buscar um segundo mandato na Casa Branca: “De 1961 para cá, os republicanos governaram o país por 28 anos, e os democratas, por 24 anos. Nesse período, foram criados 66 milhões de empregos, assim: 24 milhões pelos republicanos e 42 milhões pelos democratas”. Curto e grosso, Clinton atingiu o fígado adversário.

Se fosse manejar a mesma aritmética demolidora no Brasil, Clinton ( que os tucanos adoram, repita-se) diria o seguinte: “De 1994 para cá, o PSDB governou o Brasil por oito anos, e o PT, por 9 anos e meio –8 de Lula, e um ano e meio de Dilma.Nesse período, foram criados 18 milhões e oitocentos mil empregos: 800 mil pelos tucanos; 15 milhões por Lula (* 11,1 milhões no saldo do período) e 3 milhões por Dilma”.

http://cartamaior.com.br/templates/postMostrar.cfm?blog_id=6&post_id=1084

 Não acredite em combustão espontânea
Em uma área em que se encontram 114 favelas de São Paulo, houve 9 incêndios em menos de um ano, enquanto que em uma área em que se encontram 330 favelas não houve nenhum. Algo muito peculiar deve acontecer com a minoria das favelas, pois apresentam mais incêndios que a vasta maioria. Ao menos que o clima seja mais seco nessas regiões e que os habitantes dessas comunidades tenham um espírito mais incendiário que os das outras, a coincidência simplesmente não é aceitável. O artigo é de João F. Finazzi.
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Leitora da Folha se espanta ao descobrir que PSDB é o partido campeão dos fichas-sujas. Ué!

http://blogdomello.blogspot.com.br/2012/09/psdb-partido-dos-fichas-sujas.html

Leia no WWW.outraspalavras.net

Mídia, obstáculo à democracia
Marilena Chauí argumenta: sociedade democrática exige muito mais do que pensam os liberais; imprensa brasileira aferrou-se à defesa de privilégios e poder oligárquicos (Imagem: Matt Sesow)

A limpeza pelo fogo nas favelas de São Paulo
Temos um constante Pinheirinho na cidade, mas como segue a conta-gotas, não vira manchete. Banalizou-se, como a corrupção ou a superexploração do trabalho. Por Leonardo Sakamoto, em seu blog

Nova crise alimentar: o papel de um modelo falido
Muito mais relevantes que a seca, nas dificuldades de abastecimento, são agrocombustíveis,  concentração fundiária, controle da produção por megaempresas e uso indiscriminado de agrotóxicos e transgênicos. Por Sílvia Ribeiro, na Adital

A próxima reviravolta no Oriente Médio
Immanuel Wallerstein prevê: Palestina reocupará centro do debate internacional, por ação surpreendente do Egito e para desconforto de Washington, Telaviv e Riad

Europa: outro imenso passo atrás
Novo pacote imposto à Grécia reduz, além do salário-mínimo, fins-de-semana e férias. BC quer submeter mais países a choques. Por Antonio Martins

Em Havana joga-se o futuro da Colômbia
Governo e guerrilhas parecem aceitar, finalmente, a paz. Reivindicada há muito pela sociedade, ela precisa assegurar terra aos camponeses. Por Héctor Alonso Moreno

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Numero 343

 

 

 

 

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Estou, a partir deste número, fazendo uma réplica do Boletim de novo no blogspot. Apesar de o wordpress ser muito interessante, ele tem um problema que acho grave: a gente edita e quando é publicado sai bem diferente. No blogspot tenho mais controle.

 

Mas os textos e imagens de um e de outro são absolutamente iguais. Você terá a liberdade de consultar onde achar mais interessante.

 

O outro endereço é http://boletimricardo.blogspot.com.br/

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ARTIGOS COMPLETOS

 

Onde está o Povo?

 

por Saul Leblon

Há certo gosto de decepção no ar. O conservadorismo que durante meses, anos, cultivou o julgamento do chamado mensalão como uma espécie de terceiro turno sanitário, capaz de redimir revezes acumulados desde 2002 no ambiente hostil do voto, de repente percebe-se algo solitário na festa feita para arrebanhar multidões. 

Como assim se os melhores buffets da praça foram contratados; a orquestra ensaiou cinco anos a fio e o repertório foi escolhido a dedo? 

Por que então a pista está vazia? 

Pouca dúvida pode haver, estamos diante de um evento de coordenação profissional.

O timming político coincide exatamente com o calendário eleitoral de 2012; a similitude e a precedência comprovadas do PSDB na mesma e disseminada prática de caixa 2 de campanha –nem por isso virtuosa–, e que ora distingue e demoniza o PT nas manchetes e sentenças, foi enterrada no silêncio obsequioso da mídia. 

Celebridades togadas não sonegam seu caudaloso verbo à tarefa de singularizar o que é idêntico.Tudo caminha dentro do figurino previsto, costurado com o afinco das superproduções, o que falta então? 

Apenas o essencial: a alegria do povo. 

A população brasileira não tem ilusões. Ninguém enxerga querubins no ambiente nebuloso da luta política. Consciente ou intuitiva, ela sabe a seu modo que a política brasileira não é o que deveria ser: o espaço dos que não tem nenhum outro espaço na economia e na sociedade.

A distância em relação ao ambiente autofestivo da mídia condensa essa sabedoria em diferentes versões. 

Privatizada pelo financiamento de campanha a cargo dos mercados, a política foi colonizada pelos mercadores. Afastada do cidadão pelo fosso cravado entre a vontade da urna e o definhamento do voto no sistema representativo, a política é encarada exatamente como ela é: um matrimônio litigioso entre a esperança e a decepção. 

O PT do qual se cobra aquilo que não se pratica em muitos círculos – à direita e à esquerda – é protagonista dessa ambiguidade; personagem e cronista dos seus limites, possibilidades e distorções. 

Que tenha aderido à lógica corrosiva do financiamento eleitoral vinculado ao caixa 2 das empresas e , ao mesmo tempo, protagonizado um ciclo de governo que faz do Brasil hoje o país menos desigual de sua história (de obscena injustiça social), ilustra a complexidade desse jogo pouco afeito a vereditos binários. 

Essa ambiguidade não escapa ao discernimento racional ou intuitivo da sociedade. 

Se por um lado semeia degenerações clientelistas e apostas recorrentes nos out-siders que se apresentam como entes ‘acima dos partidos’, ao mesmo tempo é uma vacina de descrença profilática em relação a encenações de retidão como a que se assiste agora. 

A repulsa epidêmica dos eleitores de São Paulo a um dos patrocinadores 
desse rega-bofe, do qual se imaginava o principal beneficiário, é sintomática do distanciamento que amarela o riso de vitória espetado nos cronistas convidados a animar o evento. 

O baixo custo eleitoral do julgamento em curso no STF, contudo, não deve ensejar alívio ou indiferença na frente progressista da qual o PT é um polo central. 

O julgamento do chamado ‘mensalão’ por certo omite o principal e demoniza o secundário. Ao ocultar a dimensão sistêmica a qual o PT aderiu para chegar ao poder, sanciona o linchamento de um partido democrático, uma vez que desautoriza seu principal argumento de defesa.

A meia-verdade atribuída aos réus do PT pelos togados e promotores está entranhada na omissão grotesca da história de que se ressentem suas sentenças pretensiosamente técnicas, envelopadas em liturgia mistificadora.

A pouca ou nenhuma influência eleitoral desse engenhoso ardil que elegeu a ausência de provas como a principal prova condenatória diz o bastante sobre o alcance da hipocrisia vendida como marco zero da moralidade pública pelos vulgarizadores midiáticos.

Não é esse porém o acerto de contas com o qual terá que se enfrentar o PT. 

Após uma década no governo federal, o partido, seus intelectuais, lideranças e aliados nos movimentos sociais tem um encontro marcado com uma indagação incontornável, que não é nova na história das lutas sociais: em que medida um partido progressista tem condições de se renovar depois da experiência do poder? Em que medida tem algo a dizer sobre o passo seguinte da história?

O legado inegociável das conquistas acumuladas nesses dez anos entrou na casa dos brasileiros mais humildes, sentou-se à mesa, integrou-se à família. Ganhou aderência no imaginário social.

Não é preciso desconhecer os erros e equívocos para admitir que essa década mudou a pauta da política; alterou a face da cidadania; redefiniu as fronteiras do mercado e da produção.Deu ao Brasil uma presença mundial que nunca teve.

Com todas as limitações sabidas, criou-se uma nova referência histórica no campo popular em que antes só avultava a figura de Getúlio Vargas.

Lula personifica essa novidade que a população entende, identifica e respeita. 

E que o enredo do ‘mensalão’ gostaria de sepultar. 

Não está em jogo abdicar do divisor conquistado, mas sim ultrapassá-lo. Avulta que o percurso concluído abriu flancos, sugou agendas, talhou cicatrizes e escavou revezes de esgotamento, dos quais o julgamento em curso no STF é um exemplo ostensivo. Todavia não o principal. 

Existe uma moldura histórica mais ampla a saturar esse ciclo. 

O colapso da ordem neoliberal, os riscos intrínsecos espetados na desordem financeira e ambiental em curso no planeta –suas ameaças às conquistas brasileiras– formam um condensado de culminâncias que pede desassombro na renovação da agenda da democracia e do desenvolvimento para ser afrontado.

O caminho não será trilhado, menos ainda liderado, por forças e partidos incapazes de incluir na bússola do trajeto o ponteiro da autocrítica política e de um aggiornamento organizativo coerente com a renovação cobrada pela história. 

O carro de som da direita faz barulho por onde passa nesse momento. Mas isso não muda a qualidade da mercadoria que apregoa. 

O que o alarido dos decibéis busca vender é o velho pote de iogurte vencido e rançoso, cuja versão eleitoral em São Paulo tem 43% de rejeição popular. 

A resposta da frente progressista à qual o PT se insere não pode ser a mera denúncia da propaganda enganosa. 

Urge esquadrejar revezes e resoluções para renovar o próprio estoque de metas e métodos requeridos pelo novo ciclo da história.

 

(Capturado de http://maureliomello.blogspot.com.br/2012/08/onde-esta-o-povo.html )

 

 

 

 

 

 

 

Evitem a Espanha no dia 25 de setembro

 

A revolução espanhola já tem data e local para acontecer. Será no dia 25 de setembro, em frente ao Congresso. Alguém, por acaso, ouviu falar a esse respeito? Mesmo na Espanha, a mídia mais tradicional ignorou solenemente o movimento até dia 29, quando o governo espanhol fez uma declaração de guerra aos coordenadores do protesto.

 

Antonio Lassance (WWW.cartamaior.com.br)

 

A Espanha está prestes a fazer uma espécie de Revolução dos Cravos. Alguém ainda se lembra dessa revolução portuguesa, de 1974, que deu fim à sua ditadura? Pois é, um golpe democrático, com tanques nas ruas e militares armados, para ninguém botar defeito. Tudo bem que os fuzis estavam delicadamente decorados com cravos, em lugar de baionetas, e as armas serviam ao propósito de mostrar que os civis estariam protegidos. Mas não deixou de ser um golpe de Estado.

Seus vizinhos ibéricos estão armando algo parecido, mas sem tanques nem armas. A revolução espanhola já tem data e local para acontecer. Será no dia 25 de setembro, em frente ao Congresso. Alguém, por acaso, ouviu falar a esse respeito? Provavelmente, pouquíssima gente. Mesmo na Espanha, a mídia mais tradicional ignorou solenemente o movimento até ontem (29/08), quando a delegada do governo espanhol em Madri fez uma declaração de guerra aos coordenadores dessa marcha, que quer abraçar o Congresso e por lá permanecer por algum tempo.

Cristina Cifuentes, que fala em nome da lei e da ordem em Madri, membro do direitista Partido Popular (o mesmo do chefe de governo, Mariano Rajoy), disse, alto e bom som, que “grupos muito radicais, tanto de direita como de esquerda”, estão tramando de fato “um golpe de Estado encoberto” por essa movimentação. Se há grupos de direita organizando a farra, realmente, foi no mínimo uma indelicadeza não terem convidado Cifuentes, Rajoy, José María Aznar e outros expoentes da direita espanhola.

O alerta lançado por aquele governo, a rigor, é um clássico erro de tática política. Ao centrar fogo contra a mobilização, o governo acaba de lhe prestar dois grandes favores. Ajudou imensamente a sua divulgação, que andava restrita às redes sociais, e inventou um desafio que deve ser aceito por muitos. Às avessas, Cifuentes simplesmente convocou os indignados.

Para arrematar, a delegada fez uma ameaça direta: o local será protegido pelos corpos e forças de segurança do Estado ante qualquer tipo de ataque, como, por exemplo… abraçar o Congresso. Afinal, se trata de “um lugar inviolável”, completou. Tem toda a razão. Imaginem vocês um Congresso sendo violado pelo povo! Nada como um partido que carrega honestamente o adjetivo “popular” para nos lembrar disso.

É bom que se evite a Espanha no dia 25 de setembro. Primeiro, porque há o sério risco de você ser barrado na porta de entrada, como tem acontecido com aquele povo invasor bárbaro, os brasileiros. Segundo, porque uma tempestade perfeita se formará nesse momento. Conforme os porta-vozes oficiais atestam, o protesto está eivado de radicalismo e subversão.

Não adianta negar. Está escrito, preto no branco, na página da coordenação do 25 de Setembro, que se quer “um novo modelo social, baseado na soberania popular participativa”, como forma de reverter a “injusta situação de perda de liberdades e direitos (saúde, educação, serviços sociais, emprego, moradia)”, e por aí vai. Se alguém duvida, confira a página subversiva em http://coordinadora25s.wordpress.com/ ou o perfil deles no Twitter: @Coordinadora25S

Os insaciáveis, em sua sede de poder, querem uma nova Constituição e uma reforma político-eleitoral. Ou seja, querem acabar com a política como ela é e ficam pedindo mais democracia. Conclusão da direita espanhola: só pode ser gente autoritária. Eis a subversão.

Não satisfeitos, os radicais se arvoram a reivindicar um programa econômico. Propõem auditoria da dívida, reforma fiscal para que os ricos paguem mais impostos, fim dos cortes de gastos sociais e investimentos para a geração de empregos. Eis o radicalismo.

Com o país em uma recessão que deve prolongar-se pelo ano de 2013, e que alguns avaliam como a pior dos últimos 40 anos; com o maior desemprego da Europa (um em cada quatro espanhóis está desempregado); com seus bancos com rombos gigantescos; diante de tudo isso, o que fez o governo? À beira de um ataque de nervos, achou por bem marcar a data do fim do mundo para antes do que previa o Calendário Maia.

Grande ideia.

 

 

 

Antonio Lassance é cientista político e pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA). As opiniões expressas neste artigo não refletem necessariamente opiniões do Instituto.

 

 

 

 

 

VALE A PENA LER

 

Realidade da Educação: Os desafios do Brasil
O esforço de transformação do sistema educacional deverá ser acompanhado, para ter êxito, por uma política intensa de geração de empregos e de promoção de investimentos. Fazer crer que a educação isoladamente é o maior desafio da sociedade brasileira sem associar a educação à necessidade de aumento da capacidade instalada e do emprego contribui para evitar o debate sobre a concentração de renda e de riqueza, e a urgência cada vez maior de promover sua desconcentração. O artigo é de Samuel Pinheiro Guimarães.

 

http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=20783&boletim_id=1350&componente_id=22323

 

 

 

Paraísos fiscais, um porto seguro para multimilionários
Seis coisas que devemos saber sobre os 21 trilhões de dólares que as pessoas mais ricas do mundo escondem em paraísos fiscais. Ao mesmo tempo em que os governos cortam o gasto público e demitem os trabalhadores, em prol de uma maior “austeridade” obrigada pela desaceleração da economia, os super-ricos – menos de 10 milhões de pessoas – esconderam longe do alcance do arrecadador de impostos uma quantidade igual às economias japonesa e estadunidense juntas.
http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=20782&boletim_id=1350&componente_id=22326

 

 

 

Uma triste euforia na Zona do Euro
Alguns comentaristas na mídia alemã já estão olhando com”discreta euforia” para uma possível “recuperação da Europa” a partir de 2013. A alegria é tanta que uma matéria do Financial Times Deutschland veio acompanhada pela figura de um “Capitão Europa”, paródia do “Capitão América”. Quais seriam os indicadores dessa alegria? O amargo remédio para a crise está triturando salários e massacrando populações vistas como “perdulárias”. O artigo é de Flávio Aguiar, direto de Berlim.
http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=20807&boletim_id=1356&componente_id=22467

 

Por que você está muito mais pobre do que pensava estar
Cerca de 61% de todos os estadunidenses eram “classe média” em 1971, enquanto, hoje, o número caiu para 51%. A classe média está envolvida em uma guerra até a morte nos Estados Unidos com os agentes de Wall Street que pretendem privá-los do trabalho, tirar seus ativos, executar a hipoteca de suas casas, e deixá-los sem nenhum dinheiro para enfrentar a velhice. É apenas uma boa e velha luta de classes – e como Warren Buffett opinou – a classe dele está ganhando. O artigo é de Mike Whitney.
http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=20822&boletim_id=1359&componente_id=22542

 

 

 

Crise econômica pode ampliar desigualdades entre homens e mulheres no mundo do trabalho
Responsáveis pelo trabalho doméstico e de cuidados, não valorizados pela economia de mercado, as mulheres também são as mais atingidas pelos mecanismos de precarização do trabalho. Para especialistas do campo da economia feminista, a retirada do Estado de serviços essenciais sempre redunda em mais trabalho para as mulheres. Num cenário de crise, é urgente romper com a divisão sexual do trabalho doméstico e desenhar um novo paradigma de sustentabilidade da vida humana. A reportagem é de Bia Barbosa.
http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=20817&boletim_id=1359&componente_id=22544

 

 

 

Quanto algumas ONGs ganham com a miséria?

 

SÉRGIO DOMINGUES

 

“Quanto vale ou é por quilo?” é o filme de Sérgio Bianchi. ONGs e entidades desonestas são acusadas de lucrarem com a miséria, usando dinheiro público. E ainda mostra como a miséria tem cor e endereço certos. É negra e favelada… LEIA NA ÍNTEGRA: http://espacoacademico.wordpress.com/2012/09/01/quanto-algumas-ongs-ganham-com-a-miseria/

 

 

 

Leia no WWW.outraspalavras.net

 

O capitalismo americano
Emergência histórica dos EUA enquanto grande potência foi muito menos original e criativa do que pensam alguns historiadores e economistas. Por José Luís Fiori

 

Quem lucra com o aquecimento global
Enquanto centros de pesquisa alarmam-se com derretimento do Ártico, empresas como Shell avançam planos para extração de petróleo de altíssimo risco ambiental. Por Daniela Frabasile 

Ocupação israelense volta a desafiar Direito Internacional
Relator da ONU denuncia confinamento de crianças palestinas em solitárias. Ao sul de Hebron, mais de mil pessoas arrancadas com brutalidade de suas casas e plantações. Por Andressa Pellanda

 

Como as elites estão rompendo o pacto social
Manuel Castells escreve: com argumentos inconsistentes e sem visão de futuro, Ocidente constrói um Estado de Mal-estar. Para enfrentá-lo, novas alianças serão indispensáveis.

Intocáveis, ou a salvação da Europa pelos negros
Embora previsível e tendente ao clichê, filme de Nakache e Toledano faz imenso sucesso, talvez por contrapor-se à xenofobia que infelicita Velho Continente. Por José Geraldo Couto

 

 

 

INFORMAÇÕES

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por Gisele Teixeira (http://maureliomello.blogspot.com.br/2012/09/pobre-pig-so-hoje-entraram-no-assunto.html)

 

Um dos filmes de maior recorde de público em Buenos Aires nas últimas semanas se chama A Educação Proibida, do diretor argentino Germán Doin.

Em pouco mais de duas semanas, foram 605 projeções independentes em cerca de 20 países, mais de 2,8 milhões de reproduções na web, 300 mil downloads e 55 mil fãs no Facebook (dados de domingo).

Tudo isso para um documentário de duas horas e meia sobre um tema que geralmente não dá grande bilheteria: a educação.

O diretor tem apenas 24 anos e o projeto foi todo financiado coletivamente por 704 pessoas que colocaram US$ 62.700 para viabilizar as mais de 90 entrevistas com educadores de oito países.
O filme mescla animação, dramatização com voz em off, entrevistas e uma história de ficção para questionar o atual sistema educativo no Ocidente. Criado há mais de 200 anos, mantém até hoje uma estrutura vertical, baseada na competição, divisão de idades, classes obrigatórias, currículos desvinculados da realidade e sistema de prêmios e castigos.

Longe de responder às necessidades e desejos dos pequenos, a escola hoje é um estacionamento de crianças, onde elas ficam sendo adestradas até o momento de trabalhar. Se algum não se adapta ao sistema, fracassa. O que não se vê é que não é o estudante que fracassa, e sim o sistema que está mal pensado, resume um dos entrevistados, o investigador chileno Carlos Muñoz.

O documentário também se propõe a discutir outros modelos de ensino as experiências proibidas – como a logosofia, Montessori, Waldorf, Killpatrick e Paulo Freire, para citar alguns. Todos estão detalhados no site do filme, onde também se pode baixar o documentário ou vê-lo on line.

O diretor não defende nenhum método específico, somente pensar a educação retirando o professor e os conteúdos do centro da cena e colocando aí o aluno, com seus desejos e aptidões individuais. Esquecer a ideia de disciplina, autoridade e competência, e a substituir por respeito, liberdade e amor.

Em entrevistas ao jornal Página 12, Germán Doin afirma que tem duas teses para o sucesso do filme, uma pessimista e outra positiva. A primeira é que se trata de um fenômeno das redes sociais. A segunda, que há uma necessidade urgente de falar sobre educação.

No momento em que o prefeito de Buenos Aires, Mauricio Macri, instala um 0800 nas escolas públicas para denunciar atividades de cunho político entre os estudantes, não tenho a mínima dúvida sobre qual das duas opções está correta. O tema está na pauta. Por sorte.

 

 

 

Prezados,

 

Estamos reabrindo pela terceira vez o concurso para prof. temporário 40hs para Ensino de História, solicito que divulguem para aqueles que possam ter interesse. Todas as informações estão em “concursos” no site da UFVJM: Edital 122.

 

Agradeço aos que puderem divulgar.

 

Att,

 

Dr.ª Elaine Sodré
Coordenadora do Curso de História
Profª Adjunta – FIH/UFVJM/Diamantina

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MURAL DO HISTORIADOR: EVENTO SOBRE NAZISMO | ARQUIVOS

 

A VII Semana de História Política da UERJ prorrogou o prazo de inscrições. 10 de setembro é a nova data-limite para o envio de propostas de comunicação. São mais de 46 mesas temáticas. Uma delas, intitulada “Nazismo, II Guerra, Holocausto: Desafios do Tempo Presente”. Além disso, confira também o evento “O perfil profissional dos historiadores atuantes em arquivos”[Leia mais]

 

CAFÉ EXPRESSO NOTÍCIAS:“ENSINAR É MUITO MAIS QUE PASSAR CONTEÚDO”

 

Para pesquisadora, mais que instruir sobre fatos, escola deve atender às necessidades sociais e emocionais[Leia mais]

 

DIVULGUE SEU BLOG NO CAFÉ: VISIBILIDADE PARA O SEU PRODUTO

 

Já pensou em anunciar o seu blog ou site para uma ampla e segmentada audiência[Leia mais]

 

CINE HISTÓRIA: INTOCÁVEIS

 

Philippe (François Cluzet) é um aristocrata rico que, após sofrer um grave acidente, fica tetraplégico. Precisando de um assistente, ele decide contratar Driss (Omar Sy), um jovem problemático que não tem a menor experiência em cuidar de pessoas no seu estado. [Leia mais]

 

CONCORRA A UM LIVRO: O CERCO DE LENINGRADO

 

Vamos sortear dois exemplares do novo livro do historiador Pierre Vallaud. [Saiba mais]

 

DOCUMENTO HISTÓRICO:  FOTOGRAFIA ESCOLAR DO INÍCIO DO SEC.XX

 

Album de fotografia mostra aula de educação física, no início do século XX em São Paulo. [Saiba mais]

 

CONTEÚDO DA SEMANA: GRANDES CIVILIZAÇÕES: ÍNDIA

Série “Grandes Civilizações”: A Índia (Parte 1) – TV Escola. [Leia mais]

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Concursos

PROFESSOR ADJUNTO DE ARQUIVOLOGIA
Instituição: Universidade Federal Fluminense (UFF)
Inscrições: até 06/09/2012
Mais informações

COMISSÃO NACIONAL DE INCENTIVO À CULTURA – CNIC
Instituição: Ministério da Cultura (MINC)
Inscrições: até 06/09/2012
Mais informações

EDITAL DE SELEÇÃO PARA O PPGHIS
Instituição: Universidade Federal do Maranhão (UFMA)
Inscrições: até 10/09/2012
Mais informações

PÓS-GRADUAÇÃO EM HISTÓRIA – MESTRADO E DOUTORADO
Instituição: Universidade Federal de Uberlândia (UFU)
Inscrições: de 10 até 14/09/2012
Mais informações

PÓS-GRADUAÇÃO MULTIDISCIPLINAR EM CULTURAS E IDENTIDADES BRASILEIRAS
Instituição: Instituto de Estudos Brasileiros (IEB/USP)
Inscrições: de 10 a 14/09/2012
Mais informações

2ª EDIÇÃO DO CONCURSO CEHIBRA FONTE DA MEMÓRIA
Instituição: Fundação Joaquim Nabuco (FUNDAJ)
Inscrições: até 30/09/2012
Mais informações

DOIS CARGOS PARA PROFESSOR DE HISTÓRIA ANTIGA
Instituição: Universidade de São Paulo (FFLCH/USP)
Inscrições: de 03/09 até 02/10/2012
Mais informações

SELEÇÃO 2013 – MESTRADO EM HISTÓRIA REGIONAL E EM ENSINO DE HISTÓRIA E SABERES HISTÓRICOS
Instituição: Universidade Federal da Paraíba (UFPB)
Inscrições: de 17/09 até 11/10/2012
Mais informações

PÓS-GRADUAÇÃO EM HISTÓRIA – CURSOS DE MESTRADO E DOUTORADO
Instituição: Universidade Federal de Pernambuco (UFPE)
Inscrições: de 10/09 a 11/10/2012
Mais informações

SELEÇÃO AO CURSO DE MESTRADO EM HISTÓRIA- TURMA 2013
Instituição: Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP)
Inscrições: de 03/09 a 15/10/2012
Mais informações

MESTRADO ACADÊMICO EM DIREITOS HUMANOS
Instituição: Universidade Federal de Pernambuco (UFPE)
Inscrições: de 01 a 26/10/2012
Mais informações

PROCESSO SELETIVO INGRESSO 2013
Instituição: Universidade Federal de Pelotas (UFPEL)
Inscrições: de 24/09 até 26/10/2012
Mais informações

 

Congressos e Eventos

XIII CONGRESO DA SOCIEDAD LATINOAMERICANA DE ESTUDOS SOBRE AMÉRICA LATINA Y DEL CARIBE (novo)
Data: 11 a 14 de setembro de 2012
Local: Universidad de Cartagena (Cartagena de Indias, Colombia)
Mais informações

JORNADAS JAIME CORTESÃO: CÁTEDRA JAIME CORTESÃO – 20 ANOS (novo)
Data: 12 a 14 de setembro de 2012
Local: Cátedra Jaime Cortesão (FFLCH/USP)
Mais informações

SEMINÁRIO 10 ANOS GRUPHESP: HISTÓRIA, SABERES E AÇÕES INSTITUINTES EM EDUCAÇÃO (novo)
Data: 26 de setembro, 25 de outubro e 29 de novembro de 2012
Local: Universidade Federal Fluminense (UFF – Campus Gragoatá)
Mais informações

III SEMINÁRIO INTERNACIONAL HISTÓRIA E HISTORIOGRAFIA
Data: 01 a 03 de outubro de 2012
Local: Universidade Federal do Ceará (UFC)
Mais informações

II SEMANA DE HISTÓRIA DA LICENCIATURA DO IFG (novo)
Data: 01 a 04 de outubro de 2012
Local: Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Goiás (IFG)
Mais informações

VI SEMINÁRIO INTERNACIONAL EM MEMÓRIA E PATRIMÔNIO – PATRIMONIALIZAÇÕES: ATORES E CONFLITOS (novo)
Data: 03 a 05 de outubro de 2012
Local: Associação Comercial de Pelotas (ACP)
Mais informações

IV SEMINÁRIO DE PÓS-GRADUANDOS EM HISTÓRIA MODERNA
Data: 04 e 05 de outubro de 2012
Local: Universidade Federal Fluminense (UFF)
Mais informações

VI SEMINÁRIO ANUAL DO LABORATÓRIO DE HISTÓRIA E MEMÓRIA DA ESQUERDA E DAS LUTAS SOCIAIS (novo)
Data: 04 a 08 de outubro de 2012
Local: Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS)
Mais informações

XXIX SEMANA DE HISTÓRIA – “O MUNDO ATLÂNTICO: TEMPOS E ESPAÇOS (novo)
Data: 08 a 10 de outubro de 2012
Local: Universidade Estadual Paulista (UNESP-Assis)
Mais informações

IX ENCONTRO DE HISTÓRIA DA ANPUH-ES: HISTÓRIA, POLÍTICA E LIBERDADE (novo)
Data: 15 a 18 de outubro de 2012
Local: Universidade Federal do Espírito Santo (UFES)
Mais informações

II CONGRESSO INTERNACIONAL DE MUSEOLOGIA: PATRIMÔNIOS E ACERVOS (novo)
Data: 24 a 26 de outubro de 2012
Local: Museu da Bacia do Paraná (MBP)
Mais informações

IV SEMINÁRIO NACIONAL DE ESTUDOS CULTURAIS AFRO-BRASILEIROS E I SEMANA AFRO-PARAIBANA: LITERATURA, MEMÓRIA, HISTÓRIA (novo)
Data: 30 de outubro a 01 de novembro de 2012
Local: Universidade Federal da Paraíba (UFPB)
Mais informações

IV ENCONTRO DO GT HISTÓRIA DAS RELIGIÕES E DAS RELIGIOSIDADES (novo)
Data: 07 a 09 de novembro de 2012
Local: Universidade do Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS)
Mais informações

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Numero 342

 

 

 

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Noticias internacionais, nacionais e comentários sobre a história mais ou menos recente do Brasil constituem os artigos principais de hoje.

Na segunda parte, muitas indicações de textos preciosos para o entendimento de nossa realidade atual.

Aproveitem!

 

ARTIGOS COMPLETOS

Colaboração de Guilherme Souto

Rússia alerta Ocidente sobre Síria após ameaça de Obama

Por Dominic Evans

BEIRUTE, 21 Ago (Reuters) – A Rússia alertou o Ocidente nesta terça-feira contra uma ação unilateral na Síria, um dia depois de o presidente dos EUA, Barack Obama, ter ameaçado com “consequências enormes” se o governo sírio utilizar armas químicas ou biológicas ou mesmo deslocá-las de maneira ameaçadora.

O ministro de Relações Exteriores russo, Sergei Lavrov, falando após se reunir com o principal diplomata da China, disse que Moscou e Pequim estavam comprometidos com “a necessidade de respeitar estritamente as normas do direito internacional… e não permitir a sua violação”.

O vice-primeiro-ministro da Síria, Qadri Jamil, falando também em Moscou, considerou a ameaça de Obama apenas combustível para mídia.

“Intervenção militar direta na Síria é impossível, porque quem pensa sobre isso… está caminhando para um confronto mais amplo do que as fronteiras da Síria”, disse ele em entrevista coletiva.

Jamil afirmou que o Ocidente estava buscando uma desculpa para intervir, comparando o foco em armas químicas da Síria com a preparação para a invasão do Iraque em 2003 por forças lideradas pelos EUA sobre o que se provaram ser suspeitas infundadas de que Saddam Hussein estava escondendo armas de destruição em massa.

Rússia e China vêm se opondo à intervenção militar na Síria durante a revolta de 17 meses de duração contra o presidente Bashar al-Assad. Os dois países vetaram três resoluções do Conselho de Segurança das Nações Unidas apoiadas por países ocidentais e árabes que teriam colocado mais pressão sobre Damasco para acabar com a violência, que já custou 18.000 vidas.

Em uma das mais recentes zonas de batalha, tropas sírias e tanques invadiram o subúrbio de Damasco Mouadamiya, nesta terça-feira, matando pelo menos 20 homens jovens e queimando lojas e casas antes de recuarem, relataram moradores e ativistas da oposição.

 Restrições impostas à mídia independente pelo Estado tornam impossível verificar os relatos de violência, que seguiram outro dia sangrento na segunda-feira, quando cerca de 200 pessoas foram mortas em todo o país, segundo o Observatório Sírio de Direitos Humanos.

Os Estados Unidos e seus aliados têm mostrado pouco apetite por uma intervenção para deter o derramamento de sangue na Síria no mesmo tipo de campanha da Otan no ano passado que ajudou a derrubar Muammar Gaddafi na Líbia.

Mas Obama usou sua linguagem mais forte até agora, na segunda-feira, para avisar Assad para não usar armas não convencionais.

“Temos sido muito claros com o regime de Assad, mas também com os outros combatentes no terreno, que o limite para nós é (se) começarmos a ver um monte de armas químicas se deslocando ou sendo utilizadas”, disse ele. “Isso mudaria o meu cálculo.”

“Não podemos ter uma situação em que armas químicas ou biológicas estão caindo nas mãos de pessoas erradas”, afirmou Obama, talvez referindo-se ao grupo xiita libanês Hezbollah, um aliado de Assad apoiado pelo Irã, ou a militantes islâmicos.

fonte: http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/o-alerta-da-russia-sobre-a-siria

 

Pense no Haiti, reze pelo Haiti

por Mino Carta

Em São Paulo, tempos ásperos. Leio: uma residência particular é assaltada a cada hora, o roubo de carros multiplica-se nos estacionamentos dos shopping centers. Entre parênteses, recantos deslumbrantes, alguns são os mais imponentes e ricos do mundo. Que se curva. Um jornalão, na prática samaritana do serviço aos leitores, fornece um receituário destinado a abrandar o risco. Reforce as fechaduras, instale um sistema de alarme etc. etc.
Em vão esperemos por algo mais, a reflexão séria de algum órgão midiático, ou de um solitário editorialista, colunista, articulista, a respeito das enésimas provas da inexorável progressão da criminalidade. Diga-se que uma análise honesta não exige esforço desumano, muito pelo contrário.

Enquanto as metrópoles nacionais figuram entre as mais violentas do mundo, acima de 50 mil brasileiros são assassinados anualmente, e um relatório divulgado esta semana pelas Nações Unidas coloca o Brasil em quarto lugar na classificação dos mais desiguais da América Latina, precedido por Guatemala, Honduras e Colômbia. O documento informa que 28% da população brasileira mora em favelas, sem contar quem vive nos inúmeros grotões do País.

Vale acrescentar que mais de 60% do nosso território não é alcançado pelo saneamento básico. Ou sublinhar a precariedade da saúde pública e do nosso ensino em geral. Dispomos de uma cornucópia maligna de dados terrificantes. Em contrapartida, capitais brasileiros refugiados em paraísos fiscais somam uma extravasante importância que coloca os graúdos nativos em quarto lugar entre os maiores evasores globais.

É do conhecimento até do mundo mineral que o desequilíbrio social é o maior problema do País. Dele decorrem os demais. Entrave fatal para o exercício de um capitalismo razoavelmente saudável. E evitemos tocar na tecla do desenvolvimento democrático. Mas quantos não se conformam? Não serão, decerto, os ricos em bilhões, e a turma dos aspirantes, cada vez mais ostensivos na exibição de seu poder de compra e de seu mau gosto. Não serão os profissionais da política, sempre que não soe a hora da retórica. Não será a mídia, concentrada no ataque a tudo que se faça em odor de PT, ou em nome da igualdade e da justiça.

Nada de espantos, o Brasil ainda vive a dicotomia casa-grande–senzala. CartaCapital e especificamente o acima assinado queixam-se com frequência do silêncio da mídia diante de situações escusas, de denúncias bem fundamentadas, de provas irrefutáveis de mazelas sem conta. Penso no assunto, para chegar à conclusão de que há algo pior. Bem pior. Trata-se da insensibilidade diante da desgraça, da miséria, do atraso. Da traição cometida contra o País que alguns canalhas chamam de pátria.

Exemplo recentíssimo. Há quem lamente os resultados relativamente medíocres dos atletas brasileiros nas Olimpíadas de Londres. Parece-me, porém, que ninguém se perguntou por que um povo tão miscigenado, a contar nas competições esportivas inclusive com a potência e a flexibilidade da fibra longa da raça negra, não consegue os mesmos resultados alcançados em primeiro lugar pelos Estados Unidos. Ou pela Jamaica. Responder a este por que é tão simples quanto a tudo o mais. O Brasil não é o que merece ser, e está muito longe de ser, por causa de tanto descaso, de tanto egoísmo, de tanta ferocidade. De tanta incompetência dos senhores da casa-grande. Carregamos a infelicidade da maioria como a bola de ferro atada aos pés do convicto.

Mesmo o remediado não se incomoda se um mercado persa se estabelece em cada esquina. Basta erguer os vidros do carro e travar as portas. Outros nem precisam disso, sua carruagem relampejante é blindada. Ou dispõem de helicóptero. Impávidos, levantam seus prédios como torres de castelos medievais e das alturas contemplam impassíveis os casebres dos servos da gleba espalhados abaixo. A dita classe média acostumou-se com os panoramas da miséria, com a inestimável contribuição da mídia e das suas invenções, omissões, mentiras. E silêncios.

Às vezes me ocorre a possibilidade, condescendente, de que a insensibilidade seja o fruto carnudo da burrice.

(Transcrito do blog DoLaDoDeLa)

 

Getúlio e a Nação dos brasileiros

Todos os golpes que se fizeram no Brasil, entre eles a tentativa que levou o presidente Getúlio Vargas ao suicídio, foram antinacionais, como antinacional foi o governo neoliberal de Fernando Henrique Cardoso, que se identificou como o do “fim da era Vargas”.

Mauro Santayana (WWW.cartamaior.com.br)

A República – podemos deduzir hoje – não rompeu a ordem social anterior; deu-lhe apenas outra aparência. Seu avanço se fez na autonomia dos Estados, contida pelos constituintes de 1891, que temiam a secessão de algumas regiões, entre elas a do Sul do país, de forte imigração européia. A aliança tácita entre as oligarquias rurais e a incipiente burguesia urbana se realizava na interdependência entre os produtores de açúcar e de café e os comerciantes exportadores e importadores. Nas duas grandes corporações econômicas não havia espaço para os trabalhadores que, negros recém-alforriados ou brancos aparentemente livres, continuavam os escravizados de sempre. Não interessava, portanto, que houvesse um estado nacional autêntico, ou seja com a universalização dos direitos políticos.

Os parlamentos serviam para o exercício intelectual dos bacharéis ilustrados, vindos das fazendas, mas com leituras dos clássicos do pensamento político em moda, como Guizot e Thiers, Acton e Burton, Cleveland, Jefferson e Lincoln. Eram, em sua maioria, fiéis defensores do imobilismo que favorecia o seu bem-estar e o domínio político das famílias a que pertenciam.

A Revolução de 30 correspondeu, assim, a uma nova proclamação da República. Ao romper o acordo tácito entre as oligarquias, provocou a reação de São Paulo, a que se aliaram alguns conservadores mineiros.

Isso não esmoreceu Getúlio e seus colaboradores mais próximos, como Oswaldo Aranha e Alberto Pasqualini, empenhados em ações revolucionárias que conduziriam à construção do verdadeiro estado nacional. Getúlio acreditava que sem cidadãos não há nação. Por isso empenhou-se em integrar os trabalhadores na sociedade brasileira, reconhecendo-lhes alguns direitos já concedidos nos países industrializados europeus e convocando-os, mediante sua liderança e o uso dos instrumentos de propaganda da época, a participar da vida política, com a sindicalização e as manifestações populares.

Os estados necessitam de instituições bem estruturadas, e Getúlio, dentro das limitações do tempo, as criou. O serviço público era uma balbúrdia. Todos os funcionários eram nomeados por indicação política. Getúlio negociou com as circunstâncias, ao criar o DASP e instituir, ao mesmo tempo, o concurso público e as carreiras funcionais, mas deixando alguns cargos, “isolados e de provimento efetivo”, para atender às pressões políticas. Novos ministérios foram criados, a previdência social se institucionalizou, de forma bem alicerçada, e o Presidente pensou grande, nos movimentos que conduziriam a um projeto nacional de independência econômica e soberania política.

Homem vindo do Sul, conhecedor dos problemas da fronteira e dos entreveros com os castelhanos ao longo de nossa história comum, Getúlio tinha, bem nítidos em seus apontamentos pessoais, os sentimentos de pátria. Daí o seu nacionalismo sem xenofobia, uma vez que não só aceitava os estrangeiros entre nós, como estimulava a imigração, ainda que mantivesse restrições com relação a algumas etnias, como era do espírito do tempo.

Vargas sabia que certos setores da economia, ligados ao interesse estratégico nacional, tinham que estar sob rígido controle do Estado, como os de infraestrutura dos transportes, da energia e dos recursos minerais. Daí o Código de Minas, de 1934, e a limitação dos juros, mediante a Lei da Usura, do ano anterior. A preocupação maior foi com o povo brasileiro.

Getúlio conhecia, e respeitava, a superioridade dos argentinos na política nacional de educação. Ele, vizinho do Uruguai e da Argentina, sabia que a colonização portuguesa nisso fora inferior à da Espanha, que não tolhera as iniciativas dos criollos (como eram chamados os nascidos na América) em criar centros de ensino.

A Argentina, ainda em 1622, já contava com a Universidade de Córdoba. Só dois séculos depois (em 1827, com a Independência) surgiriam os primeiros cursos de Direito em São Paulo e em Pernambuco. No Brasil, apenas os senhores de engenho do Nordeste e os mineradores e comerciantes ricos de Minas enviavam seus filhos à Universidade de Coimbra ou aos centros universitários de Paris e Montpellier, na França.

Um dos primeiros atos do Governo Provisório foi criar o Ministério da Educação e Saúde: na visão ampla de Getúlio, as duas categorias se integram. Sem educação, não há saúde, e sem saúde, educar fica muito mais difícil. Essa visão social, que ele demonstrara na campanha da Aliança Liberal, nos meses anteriores à Revolução, estava submetida ao seu sentimento patriótico, à sua idéia de Nação.

Todos os golpes que se fizeram no Brasil, entre eles a tentativa que o levou ao suicídio, foram antinacionais, como antinacional foi o governo neoliberal de Fernando Henrique, que se identificou como o do “fim da era Vargas”. Por tudo isso, passados estes nossos tristes anos, o governo dos tucanos paulistas e acadêmicos da PUC do Rio de Janeiro estará esquecido pela História, enquanto a personalidade de Vargas só crescerá – porque o seu nome se associa ao da pátria, esse sentimento meio esquecido hoje. E as pátrias têm a vocação da eternidade.

 

Mauro Santayana é colunista político do Jornal do Brasil, diário de que foi correspondente na Europa (1968 a 1973). Foi redator-secretário da Ultima Hora (1959), e trabalhou nos principais jornais brasileiros, entre eles, a Folha de S. Paulo (1976-82), de que foi colunista político e correspondente na Península Ibérica e na África do Norte.

 

VALE A PENA LER

A Ação Popular na história do catolicismo

 

REGINALDO BENEDITO DIAS

 

 Brasil viveu, no início da década de 1960, um processo de renovação da esquerda, marcado pela fundação de organizações que se contrapunham à linha política do PCB. Entre essas novas organizações, a Ação Popular teve a origem mais singular. Enquanto o PC do B e a POLOP filiavam-se à herança marxista, a gênese da Ação Popular é relativamente heterodoxa. Fundada em 1963 como movimento político dotado de uma ideologia própria, a Ação Popular contou, em sua origem, com forte impulso de jovens egressos dos movimentos leigos católicos. Depois do golpe militar de 1964, entretanto, a AP caracterizou-se por buscar filiação na tradição marxista-leninista… LEIA NA ÍNTEGRA: http://espacoacademico.wordpress.com/2012/08/25/a-acao-popular-na-historia-do-catolicismo/

 

O convite chegou tarde, mas fica o registro do lançamento dos novos livros da Alameda:

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Leia no WWW.outrapalavras.net

 

Inglaterra e EUA querem vencer Assange pelo cansaço”
Para Noam Chomsky, chances de julgamento justo nos EUA são “virtualmente zero”; e invasão da embaixada do Equador em Londres não deve ser descartada

 

Embusca de soluções que produzam Cidades para Pessoas
Num projeto jornalístico financiado por crowdfunding, Natália Garcia volta a viajar o mundo, para encontrar caminhos que transformem a vida urbana. Por Gabriela Leite

Por uma sinalização que não enxergue apenas carros
Em diversas partes do mundo, comunicação visual urbana já oferece informações e apoio para pedestres e ciclistas. Por Natália Garcia

 

Palestina pedirá admissão na ONU novamente
Dessa vez, país reivindicará condição de “Estado observador” na Assembleia Geral — onde não há países com direito a veto. Direita israelense já reage e lança ameaças. Por Mya Guarnieri, na Envolverde/IPS

Transformações da era Chávez colocaram Venezuela no mapa do mundo
Pode-se gostar ou não do presidente que tenta reeleição em outubro. Mas vale conhecer mudanças que ele liderou e o porquê de sua repercussão internacional. Por Breno AltmanJonatas Campos e Marina Terra, no Opera Mundi

Repensar” a Educação ou transformá-la?
Como são aborrecidos os estudos que falam eternamente em “reformas” e “desempenho” — mas não se dão conta de que o modelo iluminista está superado, e já há formas reais de ultrapassá-lo. Por Alexandre Sayad, no Portal Aprendiz

 

Como os Estados Unidos perderam o rumo

 

Ao investigar impotência de Obama diante de WallStreet e guinada ultraconservadora dos republicanos, Paul Krugman dispara: país entrou em crise com a democracia

 

China: último motor da economia mundial declinará?
Primeiro-ministro tenta reanimar exportadores, mas números continuam sugerindo que país sofre efeitos da retração no Ocidente. Congresso do PC encontrará saídas? Por Antonio Martins

Europa: ataque a direitos continua a aprofundar a crise
Grécia avisa que será incapaz de cumprir metas fixadas pela “troika”. Portugal pode ser forçado a pedir novo “resgate”. Hipótese de Noam Chomsky sobre sentido da recessão parece ter base real (A.M.)

 

Quem é quem no comércio mundial de armas
Estados Unidos já abocanham 78% das exportações mundiais – e são cada vez mais influenciados por seu próprio “complexo industrial-militar”. Por isso, mídia norte-americana prefere falar de Beijing… (A.M.)

Participação social, a Copa, a cidade: como ficamos?
A prefeitura de Belo Horizonte pretende “desconcentrar” a cidade, através da permissão de verticalização em outras áreas, criando opções de comércio e serviços. Em tese, a criação ou reforço de novas centralidades é alternativa recomendável. No entanto, a população teme que as alterações propostas sirvam, mais uma vez, à especulação imobiliária e consequente adensamento dessas regiões, intensificando os problemas de tráfego e a demanda por serviços públicos, hoje insuficientes. O artigo é de Jurema Rugani.
http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=20771&boletim_id=1345&componente_id=22223

ImageUma inscrição maia tem sido interpretada como um aviso de que o mundo acabaria no dia 21 de dezembro deste ano. No entanto, um exame objetivo do complexo sistema de calendários elaborados por essa civilização mostra que essa interpretação catastrófica, amplamente disseminada pela mídia, é equivocada. O artigo de capa da CH 295 busca selar essa polêmica e elucidar os propósitos dos calendários para esse povo que surgiu na América Central há cerca de 4 mil anos. Falando em assunto controverso, esta edição marca a estreia da seção ‘Polêmica’, em que dois especialistas apresentam diferentes pontos de vista sobre a internação involuntária de dependentes químicos.

 

 

 

Por que as autoridades suecas recusam-se a interrogar Assange em Londres?

 

Leia em http://maureliomello.blogspot.ca/2012/08/por-que-as-autoridades-suecas-recusam.html

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ENTREVISTA CAFÉ HISTÓRIA: ANGELA BETTENCOURT (BIBLIOTECA NACIONAL)

Conversamos com Angela Bettencourt, uma das principais responsáveis pelos projetos de digitalização dos acervos da Biblioteca Nacional. Confira as etapas deste incrível processo e os planos da Biblioteca Nacional na área. [Leia mais]

CAFÉ EXPRESSO NOTÍCIAS: PERNAMBUCO VAI RECEBER ACERVO DA FINAL DE 1958

O Estado vai receber o acervo histórico do estádio Rasunda, palco da final da Copa do Mundo de 1958, realizada em Estocolmo, na Suécia [Leia mais]

MURAL DO HISTORIADOR: PARTIDO NAZISTA NO BRASIL | HISTÓRIA POLÍTICA

Duas ótimas notícias: A historiadora Ana Maria Dietrich lança o seu livro “Nazismo Tropical? – Partido Nazista no Brasil” em Santo André. E no Rio de Janeiro, a VII Semana de História Política da UERJ teve suas inscrições prorrogadas. [Saiba mais]

DOCUMENTO HISTÓRICO:  DECLARAÇÃO DE INDEPENDÊNCIA DOS EUA

Declaração de Independência dos Estados Unidos da América. Documento original de 4 de Julho de 1776. [Saiba mais]

FÓRUM EM DESTAQUE: EXPANSÃO ISLÂMICA E FEUDALISMO

A Expansão Islâmica contribuiu com a formação do feudalismo na Europa Ocidental? [Leia mais]

VÍDEOS EM DESTAQUE: MÉDICI VISITA OS ESTADOS UNIDOS EM 1971

Vídeo raro do Arquivo Nacional mostra visita realizada pelo então presidente da República, Emílio Garrastazu Médici, aos Estados Unidos (EUA), em 1971. [Assista aqui]

CAFÉ EXPRESSO NOTÍCIAS: ALEMÃES ENCONTRAM BOMBA DA II GUERRA

Bomba foi localizada em área em construção. Detonador continua ativo, segundo bombeiros. [Leia mais]

CINE HISTÓRIA: CORAÇÕES SUJOS

O tratado de rendição assinado pelo imperador japonês Hirohito ao general americano Douglas MacArthur marcou o fim da Segunda Guerra Mundial. Entretanto, no Brasil o anúncio não marcou o fim do período de violência. Os imigrantes japoneses que viviam no interior do estado de São Paulo, formando a maior colônia do país fora do Japão, se dividiram em dois grupos.  “Corações Sujos”, dirigido por Vicente Amorin (“Um Homem Bom”, 2008)), e baseado no livro homônimo do jornalista Fernando Morais, conta esta história, praticamente desconhecida dos brasileiros. [Leia mais]

MURAL DO HISTORIADOR: HISTÓRIA COLONIAL E ARQUIVO NACIONAL

Acontece entre os dias 3 e 9 de setembro de 2012, o IV Encontro Internacional de História Colonial tem por objetivo o aprofundamento das reflexões historiográficas a respeito da história da América Portuguesa e das Américas. E confira também: O Globonews Especial que foi ao ar ontem, explorou documentos textuais e iconográficos relacionados ao Sistema Nacional de Informações e Contrainformação – SISNI, à Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República e ao Estado Maior das Forças Armadas – EMFA. O programa pode ser visto na web.. [Saiba mais]

DOCUMENTO HISTÓRICO: CONSTITUIÇÃO DE 1932

A Constituição Brasileira de 1934, promulgada em 16 de julho pela Assembleia Nacional Constituinte, foi redigida “para organizar um regime democrático, que assegure à Nação, a unidade, a liberdade, a justiça e o bem-estar social e econômico”, segundo o próprio preâmbulo [Saiba mais]

CONTEÚDO DA SEMANA: HISTÓRIA ANTIGA E MEDIEVAL

Acesse e participe das discussões do Grupo de Estudo dedicado aos temas de História Antiga e Medieval. [Leia mais]

FÓRUM EM DESTAQUE: COMÉRCIO ILEGAL NO BRASIL COLÔNIA

Qual era o real tamanho do comércio ilegal durante o Brasil Colônia? [Leia mais]

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